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LEVANTADA INTERDIÇÃO "JUSTIFICOU-SE" A PROIBIÇÃO AMBIENTALSTAS "SEM ROSTO" - ACUSOU JÚLIA PAULA
"Estou satisfeita com o levantamento da interdição mas não tranquila!", assim se exprimiu Júlia Paula, presidente da Câmara Municipal de Caminha, no segundo encontro com a imprensa realizado ao fim da tarde de hoje (dia 16/8), em que a delegada de saúde do concelho de Caminha anunciou o levantamento da interdição do consumo de água da rede pública imposta no passado dia 11, depois de ter sido detectada uma turvação do líquido nas torneiras e na captação da Valada, no Rio Âncora, "cujo leito apresentava uma grande coloração amarelada, muita turva e lamacenta". REFORÇO DO TRATAMENTO IMPEDIU MALES MAIORES
Idalina Gonçalves referiu que logo que detectado o problema, procedeu a recolhas sistemáticas de amostras da água para análise, cujo resultados finais foram agora (dia 16) revelados, destacando-se que as análises bacteorológicas estavam em conformidade. Ao longo destes dias, ter-se-á registado uma melhoria gradual da água, tendo sido salientado que a Empresa de Águas do Minho e Lima procedeu de imediato a um reforço da "cloração e reagentes" que terão impedido que a contaminação tivesse afectado a saúde pública. INTERDIÇÃO JUSTIFICAVA-SE
Júlia Paula referiu que no dia (11) de maior turvação, os valores à superfície da água atingiam os 125, o que por si sós justificou as medidas preventivas de prevenção e, nos dias posteriores, baixaram para 50. Carlos Póvoa, administrador da Minho e Lima, reforçou a ideia de que "um conjunto de situações de parâmetros analíticos indiciavam um risco, que não terá existido", frisou, daí o terem reforçado o doseamento dos reagentes, de modo a "controlá-lo". Reafirmou que, de facto, não houve consequências para quem ingeriu água, mas justificou as medidas tomadas. Foi assinalado que a "Minho e Lima" assumiu todas as despesas com a água engarrafada e outras medidas tomadas. Júlia Paula reconheceu que esta "não foi uma boa publicidade" dada ao concelho de Caminha, embora "por agora, tenhamos tido um final feliz". Justificou a expressão "por agora", atendendo a que uma eventual repetição do sucedido, poderá suceder, uma vez que "caminhamos para o Inverno e para uma época de chuvas", assinalou a autarca que estava acompanhada pela delegada de saúde e por responsáveis pela Empresa de Águas do Minho e Lima, gestora da captação da Valada. A monitorização vai continuar, de modo a que a "situação não venha a repetir-se", declarou a presidente. "QUEREMOS APURAR RESPONSABILIDADES" Informou ainda ter realizado uma participação ao Ministério Público, "preparada com minúcia e acompanhada de toda a documentação que conseguimos reunir", bem como deu conta de todos os dados disponíveis à inspecção do Instituto do Ambiente, cabendo-lhe agora ao Tribunal apurar responsabilidades, que a Câmara não deseja agora desenvolver, embora tenha adiantado inicialmente como provável a obra do IC1, a que se terão aliado condições climatéricas anormais para esta época do ano, destacou. Frisou que cabe ao Ministério do Ambiente controlar o desenvolvimento da obra, e obrigar a cumprir todas as suas condicionantes. DESDE QUE HAJA CONDIÇÕES NORMAIS A VALADA CUMPRE FUNÇÃO A "Minho e Lima" admite a importância da estação da Valada, que, em condições normais, abastece sem problemas a rede pública, a qual servirá futuramente de reforço a um sistema de maior dimensão, para o qual "já temos toda a engenharia financeira montada, com apoio do Fundo de Coesão" e que irá permitir um "abastecimento ainda mais seguro", anunciou Carlos Póvoa. TURISMO PENALIZADO Júlia Paula, nas respostas aos jornalistas, admitiu o quão penalizante se revelou para o concelho, em termos turísticos, toda esta situação, e desvalorizou eventuais prejuízos de monta na Lacticínios Âncora, dizendo que o que atrasou o fornecimento de água fora o facto de um funcionário ter voltado a encher os tanques com água do Âncora, depois destes já terem sido lavados. AMBIENTALISTAS "SEM ROSTO" No final, em resposta às acusações formuladas por três associações ambientalistas que acusaram a Câmara e o Ministério do Ambiente pelo sucedido, apenas disse que "não respondo a críticas de associações de quem não vejo o rosto". A autarca louvou o desempenho e abnegação dos bombeiros, bem da compreensão dos hoteleiros, o espírito de "cidadania" da população, bem como o bom funcionamento do Plano Municipal de Protecção Civil.
NOVA TURVAÇÃO NO RIO ÂNCORA CÂMARA NÃO SUSPENDE ABASTECIMENTO PÚBLICO MAS AVANÇA COM PROVIDÊNCIA CAUTELAR PARA SUSPENSÃO DAS OBRAS DO IC1
A Câmara de Caminha intentou uma providência cautelar junto do Tribunal de Caminha, com a finalidade de tentar suspender as obras do IC1 que decorrem entre Riba d'Âncora e Vila Praia de Âncora, junto ao Rio Âncora. A Câmara está segura que os problemas de que vai padecendo este rio nos últimos dias, se prende com as referidas obras. Hoje de manhã, o Rio Âncora voltou a surgir fortemente turvado, desde o local da obra do IC1, até à sua foz, depois das fortes chuvadas que se fizeram sentir durante a noite, conforme o C@2000 pôde constatar no local. Uma cor amarelada e um aspecto pastoso das suas águas, criaram um cenário idêntico ao de há uma semana atrás, quando a Delegação de Saúde optou por interditar preventivamente o consumo público, situação que durou cinco dias, até que foram recebidos os resultados de análises entretanto efectuadas, resultando então ser possível levantar a proibição.
Constatamos que poucos metros a montante da obra de construção de um viaduto da futura via rápida -em que um dos pilares se encontra instalado em leito de cheia-, na zona da Estorranha, a água se apresentava um aspecto límpido, o mesmo já não sucedendo a jusante dos trabalhos da estrada, nas imediações do Moinho da Alhada, onde começava a aparecer turva, idêntica ao que se verificava junto à captação da rede distribuição domiciliar da Valada, bem como na Foz do Rio Âncora.
A Delegação de Saúde de Caminha vem realizando duas colheitas diárias desde o passado dia 11, sendo assim possível manter "constantemente actualizados todos os parâmetros (análises bacteriológicas)", não havendo agora necessidade de proceder à interdição do consumo", informou esta entidade e a Câmara de Caminha, através de uma nota enviada à imprensa.
Contudo, está a ser "introduzida na rede de abastecimento água potável", como sucedeu com Lar de Idosos e com a Empresa de Lacticínios Âncora, em que os auto-tanques dos bombeiros (V.P. Âncora, Caminha, Viana do Castelo e Esposende) voltaram a abastecer esta indústria, que pretende ressarcir-se dos prejuízos causados na semana passada, designadamente, 120 m3 de água inutilizada e os pagamentos de horas extraordinárias dos seus trabalhadores. Entretanto a Empresa de Águas Minho e Lima, gestora do equipamento da Estação de Captação da Valada, prepara a instalação de equipamento para pré-tratamento da água, de modo a manter a sua qualidade, depois de ter voltado a detectar valores de turvação anormais (2100) na zona da obra. Embora a Câmara reafirme que a água da rede de abastecimento pública de Vila Praia de Âncora, Vile, Âncora e Riba d'Âncora "pode ser consumida sem risco, uma vez que todas as análises são agora efectuadas diariamente e os resultados provam inequivocamente que não existe perigo para a saúde", conforme reafirmou através de uma segunda nota à imprensa divulgada ao fim da tarde de hoje, vai avançar com a providência cautelar, restando agora saber qual a decisão do Tribunal. |
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