CONCELHO DE CAMINHA



UM MOSAICO DE PAISAGENS

Jornal Digital Regional
Nº 198: 14/20 Ago 04 (Semanal - Sábados)

Email Assinaturas Ficha Técnica Publicidade 1ª Pág.



LEVANTADA INTERDIÇÃO
AO CONSUMO DE ÁGUA NO VALE DO ÂNCORA

"JUSTIFICOU-SE" A PROIBIÇÃO

AMBIENTALSTAS "SEM ROSTO" - ACUSOU JÚLIA PAULA

"Estou satisfeita com o levantamento da interdição mas não tranquila!", assim se exprimiu Júlia Paula, presidente da Câmara Municipal de Caminha, no segundo encontro com a imprensa realizado ao fim da tarde de hoje (dia 16/8), em que a delegada de saúde do concelho de Caminha anunciou o levantamento da interdição do consumo de água da rede pública imposta no passado dia 11, depois de ter sido detectada uma turvação do líquido nas torneiras e na captação da Valada, no Rio Âncora, "cujo leito apresentava uma grande coloração amarelada, muita turva e lamacenta".

REFORÇO DO TRATAMENTO IMPEDIU MALES MAIORES

Idalina Gonçalves referiu que logo que detectado o problema, procedeu a recolhas sistemáticas de amostras da água para análise, cujo resultados finais foram agora (dia 16) revelados, destacando-se que as análises bacteorológicas estavam em conformidade.

Ao longo destes dias, ter-se-á registado uma melhoria gradual da água, tendo sido salientado que a Empresa de Águas do Minho e Lima procedeu de imediato a um reforço da "cloração e reagentes" que terão impedido que a contaminação tivesse afectado a saúde pública.

INTERDIÇÃO JUSTIFICAVA-SE

Júlia Paula referiu que no dia (11) de maior turvação, os valores à superfície da água atingiam os 125, o que por si sós justificou as medidas preventivas de prevenção e, nos dias posteriores, baixaram para 50.

Carlos Póvoa, administrador da Minho e Lima, reforçou a ideia de que "um conjunto de situações de parâmetros analíticos indiciavam um risco, que não terá existido", frisou, daí o terem reforçado o doseamento dos reagentes, de modo a "controlá-lo".

Reafirmou que, de facto, não houve consequências para quem ingeriu água, mas justificou as medidas tomadas.

Foi assinalado que a "Minho e Lima" assumiu todas as despesas com a água engarrafada e outras medidas tomadas.

Júlia Paula reconheceu que esta "não foi uma boa publicidade" dada ao concelho de Caminha, embora "por agora, tenhamos tido um final feliz".

Justificou a expressão "por agora", atendendo a que uma eventual repetição do sucedido, poderá suceder, uma vez que "caminhamos para o Inverno e para uma época de chuvas", assinalou a autarca que estava acompanhada pela delegada de saúde e por responsáveis pela Empresa de Águas do Minho e Lima, gestora da captação da Valada.

A monitorização vai continuar, de modo a que a "situação não venha a repetir-se", declarou a presidente.

"QUEREMOS APURAR RESPONSABILIDADES"

Informou ainda ter realizado uma participação ao Ministério Público, "preparada com minúcia e acompanhada de toda a documentação que conseguimos reunir", bem como deu conta de todos os dados disponíveis à inspecção do Instituto do Ambiente, cabendo-lhe agora ao Tribunal apurar responsabilidades, que a Câmara não deseja agora desenvolver, embora tenha adiantado inicialmente como provável a obra do IC1, a que se terão aliado condições climatéricas anormais para esta época do ano, destacou.

Frisou que cabe ao Ministério do Ambiente controlar o desenvolvimento da obra, e obrigar a cumprir todas as suas condicionantes.

DESDE QUE HAJA CONDIÇÕES NORMAIS A VALADA CUMPRE FUNÇÃO

A "Minho e Lima" admite a importância da estação da Valada, que, em condições normais, abastece sem problemas a rede pública, a qual servirá futuramente de reforço a um sistema de maior dimensão, para o qual "já temos toda a engenharia financeira montada, com apoio do Fundo de Coesão" e que irá permitir um "abastecimento ainda mais seguro", anunciou Carlos Póvoa.

TURISMO PENALIZADO

Júlia Paula, nas respostas aos jornalistas, admitiu o quão penalizante se revelou para o concelho, em termos turísticos, toda esta situação, e desvalorizou eventuais prejuízos de monta na Lacticínios Âncora, dizendo que o que atrasou o fornecimento de água fora o facto de um funcionário ter voltado a encher os tanques com água do Âncora, depois destes já terem sido lavados.

AMBIENTALISTAS "SEM ROSTO"

No final, em resposta às acusações formuladas por três associações ambientalistas que acusaram a Câmara e o Ministério do Ambiente pelo sucedido, apenas disse que "não respondo a críticas de associações de quem não vejo o rosto".

A autarca louvou o desempenho e abnegação dos bombeiros, bem da compreensão dos hoteleiros, o espírito de "cidadania" da população, bem como o bom funcionamento do Plano Municipal de Protecção Civil.

COMUNICAÇÃO À POPULAÇÃO DAS FREGUESIAS DE VILA PRAIA DE ÂNCORA, ÂNCORA E VILE, DO CONCELHO DE CAMINHA.

A Autoridade de Saúde do concelho de Caminha, de acordo com as suas competências, comunica à população do concelho de Caminha, nomeadamente das freguesias de Vila Praia de Âncora, Âncora e Vile o seguinte:

Como é do conhecimento público foi interditada no dia 11.08.2004, ao fim da tarde, a utilização da água para consumo humano do sistema de abastecimento público da Valada, em Vila Praia de Âncora.

Dos motivos que estiveram na origem dessa interdição, destacamos a apreciação visual da água retirada da torneira, após tratamento, com uma acentuada turvação e coloração, parâmetros organolépticos que podem indiciar a existência de água imprópria para consumo.

Na visualização da água do rio Âncora, junto à captação, verificou-se que a mesma corria no seu leito com uma grande coloração amarelada, muito turva e lamacenta.

Perante esta situação procedeu-se de imediato à realização de colheitas diárias de água para análise dos parâmetros Organolépticos, Microbiológicos e Físico - Químicos.

Tendo recebido ao fim da tarde do dia 16.08.2004 (segunda-feira) os resultados das análises referidas e tendo constatado uma progressiva melhoria dos parâmetros organolépticos e resultados microbiológicos e físico-químicos que se enquadram no cumprimento dos valores paramétricos fixados por lei (Dec. Lei 243/2001), considero que está salvaguardada a saúde da população, pelo que determino o levantamento da interdição ao consumo da água do sistema da Valada, existente em Vila Praia de Âncora.

A Autoridade de Saúde do concelho de Caminha (Idalina E. Gonçalves, Dr.ª)

NOVA TURVAÇÃO NO RIO ÂNCORA

CÂMARA NÃO SUSPENDE ABASTECIMENTO PÚBLICO MAS AVANÇA COM PROVIDÊNCIA CAUTELAR PARA SUSPENSÃO DAS OBRAS DO IC1

A Câmara de Caminha intentou uma providência cautelar junto do Tribunal de Caminha, com a finalidade de tentar suspender as obras do IC1 que decorrem entre Riba d'Âncora e Vila Praia de Âncora, junto ao Rio Âncora.

A Câmara está segura que os problemas de que vai padecendo este rio nos últimos dias, se prende com as referidas obras.

Hoje de manhã, o Rio Âncora voltou a surgir fortemente turvado, desde o local da obra do IC1, até à sua foz, depois das fortes chuvadas que se fizeram sentir durante a noite, conforme o C@2000 pôde constatar no local.

Uma cor amarelada e um aspecto pastoso das suas águas, criaram um cenário idêntico ao de há uma semana atrás, quando a Delegação de Saúde optou por interditar preventivamente o consumo público, situação que durou cinco dias, até que foram recebidos os resultados de análises entretanto efectuadas, resultando então ser possível levantar a proibição.

Constatamos que poucos metros a montante da obra de construção de um viaduto da futura via rápida -em que um dos pilares se encontra instalado em leito de cheia-, na zona da Estorranha, a água se apresentava um aspecto límpido, o mesmo já não sucedendo a jusante dos trabalhos da estrada, nas imediações do Moinho da Alhada, onde começava a aparecer turva, idêntica ao que se verificava junto à captação da rede distribuição domiciliar da Valada, bem como na Foz do Rio Âncora.

A Delegação de Saúde de Caminha vem realizando duas colheitas diárias desde o passado dia 11, sendo assim possível manter "constantemente actualizados todos os parâmetros (análises bacteriológicas)", não havendo agora necessidade de proceder à interdição do consumo", informou esta entidade e a Câmara de Caminha, através de uma nota enviada à imprensa.

Contudo, está a ser "introduzida na rede de abastecimento água potável", como sucedeu com Lar de Idosos e com a Empresa de Lacticínios Âncora, em que os auto-tanques dos bombeiros (V.P. Âncora, Caminha, Viana do Castelo e Esposende) voltaram a abastecer esta indústria, que pretende ressarcir-se dos prejuízos causados na semana passada, designadamente, 120 m3 de água inutilizada e os pagamentos de horas extraordinárias dos seus trabalhadores.

Entretanto a Empresa de Águas Minho e Lima, gestora do equipamento da Estação de Captação da Valada, prepara a instalação de equipamento para pré-tratamento da água, de modo a manter a sua qualidade, depois de ter voltado a detectar valores de turvação anormais (2100) na zona da obra.

Embora a Câmara reafirme que a água da rede de abastecimento pública de Vila Praia de Âncora, Vile, Âncora e Riba d'Âncora "pode ser consumida sem risco, uma vez que todas as análises são agora efectuadas diariamente e os resultados provam inequivocamente que não existe perigo para a saúde", conforme reafirmou através de uma segunda nota à imprensa divulgada ao fim da tarde de hoje, vai avançar com a providência cautelar, restando agora saber qual a decisão do Tribunal.

MEMÓRIAS
DA
SERRA D'ARGA
Autor
Domingos
Cerejeira
Ambiente
Animação
Cultura
Desporto
Distrito
Educação
Empresas
Freguesias
Galiza
Justiça
Óbitos
Pescas
Política
Roteiro
Tribuna
Turismo
Saúde
Sucessos