CONCELHO DE CAMINHA



UM MOSAICO DE PAISAGENS

Jornal Digital Regional
Nº 198: 14/20 Ago 04 (Semanal - Sábados)

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EXPLORAÇÃO DO FERRY DA FOZ DO MINHO
COM CONTAS DESENCONTRADAS

Caminha não presta contas ao concelho de A Guarda há quatro anos, enquanto que este vem informando regularmente o município presidido por Júlia Paula do movimento de bilheteira do ferry-boat Sª Rita de Cássia na margem galega e deposita o dinheiro em duas contas, existindo actualmente 312 mil euros disponíveis.

A amortização dos custos de construção do ferry-boat Sª Rita de Cássia que liga diariamente Caminha a A Guarda efectivou-se em Maio de 2000, segundo dados fornecidos pelo município galego, mas desde então, o seu homólogo português deixou de prestar contas, como vinha fazendo regularmente até então.

SOCIALISTAS GALEGOS E PORTUGUESES QUEREM EXPLICAÇÕES

O assunto foi objecto de pedidos de explicações pelas respectivas oposições (socialistas) em ambos os concelhos e já houve resposta da parte galega.

O ferry foi inaugurado a 2 de Dezembro de 1995, e desde essa data, depois de descontadas as despesas (designadamente com os ordenados dos dois funcionários), o município guardés transferia o que sobrava para Caminha, a fim de abater às despesas de construção do barco levada a cabo por Portugal e que importou em 716 mil euros.

A carreira fluvial permitiu arrecadar quase um milhão de euros de bilhetes vendidos no terminal galego, uma verba ultrapassada pela bilheteira de Caminha, atendendo a que o movimento de Portugal para a Galiza é superior, dados que não podemos disponibilizar, uma vez que aguardamos que o município caminhense os forneça, o que não aconteceu até ao fecho desta edição.

José Freitas, porta-voz do grupo municipal socialista do PSOE guardés, lamentou que sendo ambos "co-proprietários do ferry há já quatro anos, durante todo este tempo, os dois concelhos tenham vivido de costas voltadas".

EXIGIDA GESTÃO CONJUNTA

Juntamente com os colegas portugueses, exigem que se aprovem as contas, se legalize a amortização, distribuam os lucros e perante a nova realidade surgida após a abertura da ponte da Amizade, em Cerveira, os responsáveis pelos dois partidos entendem ser o momento ideal de avaliar o impacto da nova travessia, adaptando eventualmente as tarifas, "tornando-as mais atractivas" e fixar os clientes até então habituais e que passaram a utilizar a ponte.

Jorge Fão, vereador socialista caminhense, exigiu ainda uma gestão conjunta da exploração do transporte por parte dos dois municípios, embora não tenha obtido qualquer resposta do Executivo, dado que este apenas responde a prazo.

HISTÓRIA

Recorde-se que o ferry-boat, com custos iniciais (1985) de 70 mil contos, apenas chegou a Caminha em 1995, devido aos problemas ambientais que suscitou, à debilidade financeira do estaleiros onde foi construído, à mistura com uma formação profissional na área da serralharia que nunca foi concretizada.

Embora estudos económicos da época revelassem a possibilidade de o transporte se tornar deficitário, o que é facto é que veio a revelar-se um "sucesso de bilheteira", a ponto de já estar a dar lucro há quatro anos, como se comprova agora.

Caminha vem suportando os custos da manutenção e reparação de avarias do barco, além de pagar os salários da tripulação do ferry, situação que a oposição socialista deseja modificar.

No passado, houve uma tentativa de criar uma associação conjunta dos dois municípios destinada a administrar a carreira fluvial, mas as habituais burocracias a nível dos ministérios dos negócios estrangeiros dos dois países, impediram que tal se concretizasse.

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