Para marcarmos este primeiro Ano Santo do milénio, "Xacobeo 2004", os escuteiros do Agrupamento n.º 958 de Caminha, fizeram " Os caminhos de Santiago ".
Já próxima a data de partida organizamos umas caminhadas de treino.
Como em anos anteriores, quando realizamos esta actividade, participaremos na Eucaristia de "Bênção ao Peregrino", dia 20 de Julho na Igreja da Misericórdia às 19h00. No ritual de bênção foi entregue a cada um de nós a concha de vieira identificada com o nosso nome e uma cabaça, também esta um símbolo do peregrino.
Era a última noite antes de começar o grande desafio!
Percurso: Caminha - Tui Distância: 30 Km
06h00, um novo dia começa …
Mochilas às costas, lenço ao peito, e ao som das nossas conchas de vieiras pusemos os pés a caminho, em direcção à magnífica vila espanhola: Tui. Éramos oito escuteiros, peregrinos que iniciavam uma caminhada cheia de história e mistério.
Por volta do 12h00 chegamos a Valença.
Como costume o Pe. Soares, pároco no Concelho de Valença, compartiu o nosso almoço, e de tarde organizou-nos um roteiro turístico: em Sanfins visitamos o Mosteiro e a Sr.ª dos Remédios, ainda houve tempo para uma banhoca na piscina dos Baldios de Sanfins; Parque da Sr.ª da Cabeça; o antigo caminho de Santiago, onde os peregrinos apanhavam o barco para atravessar o rio e chegar à margem espanhola; as instalações da Cruz Vermelha.


Já eram , e todos estávamos um pouco cansados, instalamo-nos no albergue, onde tivemos os primeiros contactos, com aqueles que viriam a ser a nossa família nesta jornada. Mas o desânimo alcançou um dos nossos elementos que estava segura de não conseguir chegar a Santiago de Compostela : "Não quero ser um "fardo pesado" para o resto do grupo".
2.º Dia : 22 de Julho
Percurso: Tui - Redondela Distância: 29 Km
Pelas 06h00 , hora local, ainda o sol escondido, deixávamos o albergue com a ânsia de chegar, sabendo que o percurso a fazer tinha uma certa dificuldade. Seguindo as várias conchas fazia-se o caminho, e em cada passo todos os elementos do grupo ganhavam força e certeza de alcançar o objectivo.
Ao longo do caminho ultrapassamos vários peregrinos que connosco compartiram o albergue.
Caminhando junto a campos e regueiros chegamos à Ponte de San Telmo, chamada Ponte das Febres.
Continuando a caminhar chegamos ao início de uma longa recta, estavamos no Porriño.
Foram várias subidas e descidas que encontramos nesta etapa.
Pudemos sentir na primeira pessoa a amabilidade por parte da população quando vêem passar " o peregrino ".
Pernoitamos no albergue ATorre, em Redondela.
Quando chegava a hora de revista aos pés foram vários os peregrinos de outros grupos que se associavam a nós, desde o furar de bolhas com agulha e linha até à ao almofadar de pés e o interior do calçado com pensos higiénicos. Isto é ser escuteiro, com imaginação e engenho.
3.º Dia : 23 de Julho
Percurso: Redondela - Pontevedra Distância: 18 Km
Na manhã deste dia, a chuva quis acompanhar-nos.
Com os impermeáveis vestidos seguimos o caminho.
Pelo percurso, sob os vários marcos que indicam o caminho estavam colocadas várias pedras o que nos levantou a curiosidade. Essas pedrinhas representam um pensamento do peregrino que por ali passou. Também nos levantou admiração um jovem com andarilho que acompanhado de um voluntário fazia o caminho.
Chegados ao albergue, tivemos tempo para descansar .
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Depois de nos instalarmos e refrescarmos, saímos com o propósito de conhecer a cidade de Pontevedra.
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Seguimos até à Praça de A Peregrina, onde visitamos o santuário da Virgem Peregrina. Este santuário é um dos pontos de referência as devoções dos peregrinos. A igreja foi construída em 1778 pelo arquitecto Arturo Souto, com particularidade a sua planta tem a forma de concha de vieira.
A visita que se seguiu foi à basílica de Santa Maria a Grande. Na construção deste templo participou o português João Nobre.
4.º Dia : 24 de Julho
Percurso: Pontevedra - Caldas de Reis Distância: 24 Km
Os nossos pés cansados agradeceram o relaxante mergulhar nas águas quentes das termas de Caldas de Reis.
Estavam 39 º graus à sombra, nós e os restantes peregrinos esperávamos a chegada do sr.º padre, pois esta noite pernoitaríamos no salão paroquial de Caldas de Reis.
Já instalados, deslocamo-nos até às cascadas onde podemos divertirmo-nos escorregando pelas grandes pedras.
E porque " o Escuta orgulha-se da sua fé e por ela orienta toda a sua vida" cumprimos o dever de cristão participando na Eucaristia. Esta Eucaristia teve um significado especial, foi um momento de recordação e lembrança do nosso antigo assistente Pe. José Maria Gonçalves, coincidia com o 2.º aniversário do seu falecimento.
5.º Dia : 25 de Julho
Percurso: Caldas de Reis - Padrón Distância: 16 Km
Domingo, 25 de Julho, Dia de Santiago.
Ainda não amanheceu, e ao nosso grupo juntou-se um casal de Madrid que também faz o caminho, conhecemos um pouco da sua vida e os motivos que lhes levam a fazer a peregrinação.
Atravessando a Ponte de Cesures, chegamos a Padrón.
Ouve-se música, bombos e gaitas, existe grande animação, celebra-se o dia do Apostolo.
O caminho leva-nos a atravessar uma grande feira, entre roupas, frutas, os conhecidos pimentos de Padrón, também se vê a grelhar costela e chouriços, e a cozinhar o típico pulpo (polvo), alguém nos grita : "quien no comer el pulpo no termina el camino".
Atravessamos uma pequena ponte e vê-mos a fonte do Cármen, avançamos um pouco e chegamos ao albergue, o qual se encontra junto ao convento do Cármen.

Fomos os primeiros peregrinos a chegar, já que muitos peregrinos decidiram seguir para ao albergue de Teo para no dia seguinte ser menor o trajecto até Santiago de Compostela. Mas conforme passavam as horas, ao albergue iam chegando peregrinos até que ficou completamente cheio.
A tarde foi reservada para conhecer a cidade de Padrón.
As visitas iniciaram-se pelo Santiaguinho do Monte, onde havia festa. Lugar que possui um belo miradouro e uma capela dedicada a Santiago. De caminho em direcção a Iria Flavia, avistamos a Fundação Camilo José Cela, ilustre escritor padronês Prémio Nobel da Literatura, visitando também o lugar onde Camilo José Cela está sepultado.
Por fim, a Igreja de Santiago Padrón, onde se guarda a peça mais jacobeia da vila: o Pedrón, segundo a lenda nele se amarrou a Barca de Pedra que tinha transportado o corpo de Apóstolo e aos seus dois discípulos Teoodoro e Atanásio.
6.º Dia : 26 de Julho
Percurso: Padrón - Santiago de Compostela Distância: 22 Km
A caminhada começou mais cedo, queríamos chegar a Santiago de Compostela a tempo de participar na Eucaristia do Peregrino, às 12h00.
Santiago de Compostela era invadido de peregrinos e pessoas que não queriam deixar passar em branco este "Xacobeo 2004" , o primeiro Ano Santo do milénio. A Praça do Obradoiro transformou-se em local de descanso para os vários grupos de peregrinos, que cansados mais com grande alegria e satisfação alcançavam a catedral de Santiago. Também se puderam ver alguns Scouts (Escuteiros): de Málaga, da Itália.
Assistimos à Eucaristia e vimos a funcionar o "botafumeiro", grande incensário cujo voo desde o alto da nave do cruzeiro é surpreendente.
Pernoitamos no Seminário Menor.
7.º Dia : 27 de Julho
Hoje, foi com a luz do sol que acordamos.
Apesar da actividade estar a chegar ao fim, ainda tínhamos em falta dois rituais obrigatórios para quem faz " Os caminhos de Santiago " : conseguir a "Compostelana" e entrar pela Porta Santa e abraçar o apostolo Santiago.
Percorrendo as ruelas da cidade de Santiago de Compostela, junto ao edificio onde se entrega a "Compostelana" existia um local destinado a guardar bicicletas e mochilas dos peregrinos. Claro que utilizamos esse serviço!
Libertos das nossas inseparáveis mochilas, fomos para a fila de espera, a qual nem era muito grande, considerando a fila que se destinava a entrar na Porta Santa. Mas com paciência e com a satisfação de ter conseguido com êxito este desafio a espera passou depressa. Passando a ombreira da porta, concluímos o Caminho Português diante da tumba apostólica.
Também houve tempo para a visita à cidade e claro para a compra de lembranças.
Por volta das 18h00, hora local, chegamos a Caminha.
Agradecemos à Câmara Municipal de Caminha pelo transporte fornecido.

Pensamentos de alguns elementos do grupo:
"Houve um momento que me marcou profundamente: a chegada à Catedral … é impossível explicar o sentimento vivido. Depois de tanta dor, sofrimento é sentida uma alegria, uma emoção enorme …"
"Foi dolorosa a peregrinação, mas é uma experiência única que o nosso agrupamento gostaria de voltar a fazer, e de certeza voltaremos a fazer"
Nesta actividade, promovida pelo Grupo de Pioneiros St.º António do Agrupamento n.º 958 - Bom Jesus dos Mareantes de Caminha, participaram: Carlos Martins, Gonçalo Bernardo, Marta de Castro Godinho, Renato Castro, Rui Lages, Cristina Carvalho, Mª da Luz Soares, Mª José Soares.
Mª José Soares e Renato Castro
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