Aconteceu, segundo dizem, em Padrón.
Havia casamento no povoado, e era costume a comitiva nupcial percorrer a pá o trecho que ficava entre o templo que ocupava a Igreja de Santiago e a casa da noiva.
Os recém-casados queriam fazer o percurso por aquele lugar, apesar dos marinheiros haverem advertido que a praia não estava própria para caminhar. Porque se aproximava uma tormenta.
Montados em seus cavalos nupciais, os noivos e a comitiva caminhavam felizes e nem sequer pareciam dar-se conta da pioria do estado do mar. Foi então que se distinguiram no meio das ondas uma barca à deriva, tratava-se da barca que transportava o corpo santo do Apóstolo chegado da Terra Santa. O jovem noivo, vendo de longe o perigo que corriam os que iam nela, não pensou duas vezes. Sem se preocupar com o estado do mar, entrou com seu cavalo disposto a ajudar os ocupantes da embarcação, porém uma onda maior que as demais o alcançou e, cavalo e tudo, foi levado mar adentro. Todos os esforços do convidados para alcançá-lo resultaram vãos, e o noivo sentiu que não ia sair vivo daquele perigo; por isso, em seu desespero, se entregou aos céus para que o tirasse do apuro.
Tão logo formulou aquele pedido, o mar se acalmou, o barco se aproximou sozinho da praia, e o rapaz sentiu como uma enorme força o conduzisse dali até a terra.
O Apóstolo havia cuidado para que ambos chegassem à praia, porém apareceram cobertos de vieiras da cabeça aos pés.
Desde então, a vieira foi o sinal que distinguiu os que iam visitar a tumba de Santiago.