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"EU BATO PALMAS AO PÚBLICO!"
Depois de nos dois concertos anteriores se ter registado uma escassa adesão do público, Victorino d'Almeida evidenciou o seu agrado pela "casa cheia" com que se deparou em Orbacém, onde a flauta e a harpa "juntaram sons", no passado dia 9, levando a que o maestro tivesse batido palmas à assistência, sinónimo de que é "uma profunda mentira de que na província, as pessoas não se interessam por questões culturais", frisou o maestro.
"JÁ O APANHEI UMA VEZ!"
Embora afectado por uma persistente tosse (no final do concerto, Júlia Paula pediu ao presidente da Junta de Orbacém que lhe oferecesse um remédio caseiro - um frasco com mel), Victorino d'Almeida, iniciou a noite de música, com uma série de improvisações ao piano, baseadas nas notas soltas extraídas por Carlos Mouteira, presidente da Junta de Caminha, a quem voltou a pedir que repetisse a experiência de há um ano, quando também o convidou a fazer o mesmo no concerto realizado na Igreja da Misericórdia de Caminha, apesar do autarca ter referido que não sabia tocar.

Victorino d'Almeida, sempre capaz de criar empatia com os espectadores e gerar situações bem humoradas, conseguiu convencer o autarca (desta feita não se enganou e chamou-o de presidente de Junta, ao invés do sucedido em 2003, em que persistentemente o tratou por vereador da cultura, a despeito das repetidas tentativas de rectificação do cargo político por parte de Carlos Mouteira) a sentar-se ao piano, voltando a retirar uns "sons", levando o mastro a exprimir-se com um "Está bom!", os quais lhe serviram de mote para uma série de improvisações bem ao seu estilo...imprevisível.
PROFESSORA E ALUNA ENTUSIASMARAM

Concluída a sua intervenção inicial já habitual, passou a apresentar as convidadas do serão, a flautista Vera Morais e a harpista Andreia Marques, tendo esta última o sortilégio de ser acompanhada da sua professora em Milão e que se encontrava casualmente no norte de Portugal, mostrando-se desde logo receptiva a participar no concerto, proporcionando juntas um dos momentos mais aplaudidos da noite.
Dentro do espírito didáctico que sempre acompanha estes encontros com a música, o maestro ensinou alguns truques utilizados pelos compositores e intérpretes com a finalidade de retirarem o melhor proveito das notas dos instrumentos musicais, levando-o a concluir através desta "batota musical" que os políticos, afinal, "não inventaram nada!", conseguindo assim mais um momento de bom humor entre os presentes.
AS FLAUTAS E OS FLAUTISTAS

Outra das situações picarescas geradas pelo saber estar em palco e poder de comunicação do responsável pelos convidados dos concertos das segundas-feiras de Caminha, surgiu quando historiou o aparecimento da flauta -o instrumento mais antigo da história da música, precisou-, embora nessas épocas paleolíticas, "tanto a flauta como os flautistas não tivessem o mesmo aspecto de hoje!".
Uma elegia (peça triste) do próprio Victorino, adaptações para flauta e harpa -ou simplesmente para harpa, foram interpretadas pelas duas convidadas, adptando peças de Rossini, Débussy e outros autores que compuseram peças para estes instrumentos e que o próprio maestro desconhecia em alguns casos, preencheram o repertório da noite no Centro Social e Cultural de Orbacém.
PALMITOS COMO RECORDAÇÃO

No final, a presidente Júlia Paula não desperdiçou a oportunidade de dirigir algumas palavras aos presentes, justificando a "digressão" de Victorino pelas freguesias menos habituais no seu roteiro de Verão, como forma de "divulgar os seus centros culturais, onde durante todo o ano se desenvolvem as sua actividades", aproveitando para elogiar Amadeu Brito, presidente da Junta de Orbacém, "um homem que possui duas qualidades em extinção -"paciência e generosidade", frisou-, a quem convidou para entregar um dos palmitos "do senhor Silvério, artesão de Orbacém" aos animadores do concerto, assinalou, tal como o fez com uma aluna de flauta presente, que a própria presidente terá incentivado a iniciar-se na aprendizagem deste instrumento, como fez menção de referir.
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MEMÓRIAS DA SERRA D'ARGA |
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Autor Domingos Cerejeira |
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