CONCELHO DE CAMINHA



UM MOSAICO DE PAISAGENS

Jornal Digital Regional
Nº 192: 3/9 Jul 04 (Semanal - Sábados)

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ARRANCARAM AS 1ªs JORNADAS DE HISTÓRIA, AMBIENTE E URBANISMO DE VILA PRAIA DE ÂNCORA

Decorreu esta manhã no Centro Cultural de Vila Praia de Âncora, a cerimónia de abertura das Primeiras Jornadas de História, Ambiente e Urbanismo, inseridas nas comemorações dos 80 Anos da Elevação de Gontinhães a Vila Praia de Âncora.

Manuel Marques, presidente da Junta de Freguesia, apelou à participação de todos os ancorenses, afirmando existirem boas razões para que "nos encontremos todos os dias" até que elas (Jornadas) terminem a 18 deste mês, escutando os "estudos inéditos" que serão apresentados, perspectivando o futuro da vila e do Vale do Âncora, chamando em especial a

atenção para a tertúlia que terá lugar no próximo dia 8, no Cine-Teatro dos Bombeiros Voluntários, em que se prevê a presença de habitantes deste vale, com mais de 80 anos, recordando histórias, vivências e factos de outrora.

O autarca agradeceu aos elementos do comissão organizadora e o apoio concedido pela Câmara Municipal de Caminha, cuja presidente, Júlia Paula, pela primeira vez entrou nas instalações do Centro Cultural e Social de Vila Praia de Âncora.

"FALAR DE VILA PRAIA DE ÂNCORA É FALAR DO RIO ÂNCORA"

Coube a Francisco Sampaio, membro da comissão de organização local, proferir uma palestra introdutória a este encontro que vai reunir diversos especialistas e investigadores, começando por assinalar que "falar de Vila Praia de Âncora, sem falar do Rio Âncora, é não ter a noção deste paradigma".

Precisou a riqueza hidrológica da sua bacia e enalteceu outras componentes históricas deste conjunto patrimonial, começando pela importância da indústria dos picos ancorenses existentes entre Sª Isidoro e o Forte do Cão e que já deram origem a uma tese de doutoramento, passando pelo milenar Dólmen da Barrosa -cuja área envolvente necessita de urgente beneficiação- e pela Cividade de Âncora/Afife (séc.s IV/Ve A .C) -apelando a um entendimento entre os dois concelhos para que as escavações arqueológicas prossigam- e, chegando aos "nomes cognitivos" dos povos suevos que deram origem a Gontinhães, Gondar, Orbacém e à Marinha de Âncora, até desaguar na Lenda da Moura, dando depois um salto até 1872, data em que a praia de Gontinhães era a única referência digna desse nome em todo o Minho.

Francisco Sampaio frisou que nestas comemorações será prestada homenagem ado Dr. Luís Inocêncio Ramos Pereira, pai da elevação de Gontinhães a vila vila,e à Comissão de de Iniciativas de Vila Praia de Âncora criada em 1923.

Não esqueceu os pescadores, as suas alcunhas e os nomes que deram aos "mares" de Vila Praia de Âncora e às três componentes que sempre nortearam esta importante colónia piscatória; "Água, lua e mar".

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Joaquim Vasconcelos, um dos organizadores

Perspectivando o futuro, adiantou que o desenvolvimento sustentável desta região será uma obrigação indiciada pela própria União Europeia que a partir de 2007 vai tê-lo como divisa a seguir por todos os estados membros.

Assim, uma definição do ordenamento territorial e a requalificação da Praça da República e da Marginal foram apresentadas como essenciais, a par da afirmação turística e da preservação do património construído (casas antigas que se revejam num passado relevante) e ambiental.

Como nota final -e polémica, como fez menção de sublinhar- foi de opinião de que os tempos de hoje convergem para uma unificação territorial e administrativa e não para a "desagregação", chamando a atenção para importância do corredor marítimo uniforme composto por Vila Praia de Âncora, Moledo e Caminha.

"TRABALHO PARTILHADO"

No decorrer deste acto, foram proporcionados dois concertos de piano a cargo de Eugénia Moura e Olga Amaro (duas gerações-professora e aluna, como destacou a presidente Júlia Paula) fortemente aplaudidos.

A líder do Executivo caminhense saudou a "grande lição de história" proferida por F. Sampaio, mostrando-se "contagiada" com a sua teoria do desenvolvimento sustentável que também comunga.

Mostrou-se segura que estas Jornadas "irão abrir muitas portas para o futuro" e reputou de essencial que a população "entenda a oportunidade única" desta iniciativa levada a cabo pela Junta de Freguesia (cujo presidente elogiou) e pelo "trabalho partilhado" de todos os que integram a comissão organizadora.

Os trabalhos iniciam-se depois de amanhã, conforme programa anexo:

3-18 Julho 2004

3 de Julho

10h - Cerimónia de Abertura Oficial

Conferência: "Vila Praia de Âncora - Passado, Presente e Futuro" - Dr Francisco Sampaio

Concerto de Piano pelas pianistas Drª Eugénia Moura e Olga Amaro
Local - Centro Social e Cultural de V.P. Âncora

5 de Julho

Comunicações:

"Arquivo: informação registada até quando?" - Drª Olinda Pereira e Drª Maria Clotilde Amaral

"População, Sociedade e Emigrantes do Vale do Âncora no séc. XIX" - Prof Doutor Henriques Rodrigues

"Expansão e Desenvolvimento de V.P. Âncora vistos através do Bilhete Postal Ilustrado" - Doutor João Azevedo

Exposição "Artesãos do Vale do Âncora - trabalho ao vivo"

Convívio e actuação de Grupo Folclórico
Local: Centro Coordenador de Transportes

6 de Julho

17h

Comunicações:

"As Fortalezas Marítimas na defesa da costa - O Forte da Lagarteira" - Comandante Rodrigues Pereira

Exposição "Pesca Artesanal e Marcas dos Pescadores"

Concerto do Música de Câmara
Local - Forte da lagarteira

7 de Julho

17h

Comunicações:

"Bulhente - Vida e Morte de uma Paróquia" - Prof. Doutor. José Marques

"Memórias Paroquiais do Vale do Âncora" - Prof. Doutor Viriato Capela

"O Monte do Calvário - Um Século de Existência" - Drªa Aurora Botão Rego

Exposição Documental e de Arte Sacra
Local - Casa das Sessões do Monte do Calvário

19h

Convívio e Arraial na Sede do Orfeão de V.P.Âncora
Apresentação de Trajes e Tradições Populares
Danças e Cantares Regionais
Escola do Viso

8 de Julho

17h

Descerramento de Lápide e Homenagem ao Dr. Luís Inocêncio Ramos Pereira

Largada de Pombos
Columbófila de V.P.Âncora
Local - Parque Dr. Ramos Pereira

17h30

Tertúlia: 80 anos de Vila Praia de Âncora, "Vivências, Testemunhos e Histórias Vivas"
Local - Cine-Teatro dos Bombeiros Voluntários de V.P.Âncora

9 de Julho

17h

Visitas: Dolmen da Barrosa, Cividade e Picos Ancorenses (transporte garantido)

Comunicações:

"O Vale do Âncora na Pré-História" - Prof. Doutor António Baptista

"A Cividade de Âncora e a Cultura Castreja no Alto Minho" - Prof. Doutor Armando Coelho

"A importância das Escavações em V.P.Âncora para a minha formação pessoal" - Doutor Maia Marques

Exposição Temática
Local - Ancorensis Cooperativa de Ensino

22h

Noite de Fados

Local - Dólmen da Barrosa

10 de Julho

17h

Comunicações:

"De Gontinhães a V.P. Âncora: Ruralidade versus Urbanidade - 1623 a 1924" - Drª Aurora Botão Rego

"Santa Marinha de Gontinhães de 1680 a 1710: aspectos demográficos" - Drª Catarina Dias

"De Gontinhães a V.P. Âncora: Estratégias hereditárias e disposições pias" - Drª Emília Lagido

"O Capitão de Fragata, Médico e Senador Gonçalves Pereira - uma figura de V.P.Âncora" - Mestre Fina d'Armada

"O Associativismo e a Solidariedade Individual como resposta aos problemas sócio-culturais do Vale do Âncora na 1ª metade do séc. XX" - Doutor Teodoro Afonso da Fonte

Actuação dos Jograis - A Lenda do Rio Âncora
Grupo de Teatro do Orfeão de V.P.Âncora
Local - Centro Social e Cultural de V.P.Âncora

21h30

XVIII Encontro de Coros das Ribeiras do Baixo Minho
Org. Órfeão de Vila Praia de Âncora

AMBIENTE E URBANISMO

11 de Julho - Domingo

8h

XVII Concurso Internacional de Pesca Desportiva
Org. Clube de Pesca e Caça de V.P.Âncora

21h
Abertura da exposição fotográfica / documental sobre o Rio Âncora
Local - Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora

12 de Julho

21.00 horas
Abertura da exposição fotográfica / documental sobre Engenhos de Serração e Moinhos
Local - Centro Cultural de Orbacém

13 de Julho

21h
Abertura da exposição fotográfica / documental sobre Lagares de Azeite do Âncora
Local - Junta de Freguesia de S. Lourenço da Montaria

14 de Julho

9 h

Realização de um Percurso Panorâmico do Vale do Âncora ( Do Calvário a Riba de Âncora)

15 de Julho

Comunicação:

"Da Necessidade do planeamento urbano em V.P.Âncora" - Prof. Arq. Manuel Cabral Teles
Local : Centro Social e Cultural de V.P.Âncora

16 de Julho

15.00 - Comunicações:

"Dinâmica Costeira e Associações Vegetais" - Prof. F. Barreto Caldas

15.45 - Prof. João Honrado
Local: Centro Social e Cultural de V.P.Âncora

16h30 - Visitas de Campo

17 de Julho

Comunicações:

10h - "Retrospectiva do Projecto da Área de Paisegem Protegida do Vale do Âncora" - Engenheiro Adolfo Macedo

11h - "Dinâmica Costeira e as Praias entre o Rio Lima e o Rio Minho" - Prof. Doutora Helena Granja

11h45 - Prof. Gaspar Soares de Carvalho

12h30 - Encerramento das Jornadas
Local: Centro Cultural e Social de V. P. de Âncora
15h30 - Visita dos Locais Analisados

18/19 de Julho


PRAÇA D'ARTES - Organização Nuceartes

16h -HORASCONVÍVIO- num moinho das margens do rio Âncora - Fabrico da broa- e degustação de produtos do Vale do Ancora ("broa, salpicão, presunto etc..)

1ªS JORNADAS DE HISTÓRIA, URBANISMO E AMBIENTE

As 1ªS JORNADAS DE HISTÓRIA, URBANISMO E AMBIENTE que estão a decorrer em Vila Praia de Âncora, pretendem apresentar sugestões que sejam aproveitadas para traçar e tornar visível objectivos, no âmbito de uma estratégia de desenvolvimento local e preservação do património.

Para isso há necessidade de manter referências vivas do nosso passado, coisas que não mais poderão ser recriadas se um dia desaparecerem, fazendo com que este projecto se torne actual e fundamental para a preservação e divulgação de um património que está a ser delapidado.

Um moinho, uma serração, um lagar de azeite ou um fulão são peças do património cultural, não pela sua beleza (valor artístico), mas por serem "peças" carregadas de significado. Estas "levam-nos" a um período histórico, em que o planeamento evolutivo, quase de uma forma empírica, interligava o desenvolvimento, com actividades locais, caso do ciclo do pão, ciclo do azeite, actividades agrícolas ou o ciclo de costumes etc.

Pretende-se com esta iniciativa ARTICULAR, INTEGRAR E DAR COERÊNCIA GLOBAL, onde tanto a valorização do património cultural, como do natural, sejam alvo de acções concretas por parte de agentes locais, públicos e privados, a fim de:

- Gerar actividades económicas complementares à agricultura
- Diversificar a oferta turística
- Apostar em turismo de qualidade
- Salvaguardar a identidade cultural
- Aumentar os rendimentos dos agricultores
- Potenciar os produtos locais

DE FORMA A APOSTAR
numa estratégia, que se prenda com a interligação de projectos didácticos e turísticos, que interliguem este património com a ecologia e esta com o ciclo de actividades agrícolas de uma forma natural, integrando actividades económicas e lúdicas que venham a garantir a criação de postos de trabalho e consequente aumento de rendimento dos residentes

TAMBÉM SE PRETENDE
apresentar sugestões para um desenvolvimento sustentável, envolvendo a comunidade no processo de defesa deste espaço.

Dentro de uma perspectiva pedagógica, serão feitas palestras, e apresentados levantamento inéditos de diversos tipos de engenhos que ainda se podem encontrar nas margens do rio Âncora.

E NA VERTENTE TURÍSTICA

Estão a se preparados percursos TURÍSTICO - DESPORTIVOS pedonais.

São esses mesmos percursos, que irão servir para divulgar o nosso património, dinamizar todo o Vale do Âncora bem como servir de base de defesa da identidade de uma comunidade que desbravou o Vale do Âncora.

Todos estes percursos serão representativos de uma vivência ancestral e executados por caminhos antigos, conforme descrição das pessoas mais idosas da região.

Perante estes objectivos, existem razões suficientes de optar por construir em vez de destruir. Se os responsáveis estiverem interessados há necessidade de acabar com a destruição do património natural do rio Âncora. Será uma obrigação de todos nós defender um espaço que pertence a toda a comunidade, mas que por desconhecimento ou insensibilidade dos técnicos responsáveis pela sua gestão, estão a permitir a sua destruição.

Esses mesmos debates irão apresentar os melhores caminhos de defesa do património, como um gesto natural de quem defende a própria existência.

ESTUDO ECONÓMICO

Conclui-se que além da opção cultural, este projecto pode contribuir para a PROTECÇÃO DOS RECURSOS LOCAIS e para um desenvolvimento rural PERSONALIZADO.

Para que as transformações não passem a agressões à identidade dos lugares, há necessidade de que o trabalho realizado, aponte e saliente a riqueza e o significado das diferenças culturais existentes.

Se, finalmente, tivermos a ligação às escolas e universidades da Região, os valores culturais serão enriquecidos, pela procura, como espaço didáctico.

Assim a preservação de uma "peça" de arqueologia industrial iria aparecer sem sombra de dúvidas, como um instrumento, ao serviço da educação da juventude e da educação permanente da população concelhia.

Mas a educação, assim como a fruição do património cultural, não são, de modo algum, tarefas ou actividades reservadas só para os jovens: educação é um processo que ao fim e ao cabo se identifica ou devia identificar, com a própria vida. Ao falar-se em educação permanente, a qual exige a organização de pessoas e instituições que se dediquem a promover o conhecimento, divulgação e utilização de valores patrimoniais, passados e presentes.

Esta pedagogia activa, servirá, para promover essa consciência; aproveitará igualmente, os elementos locais para ilustrar e preencher os requisitos da programação e objectivos da acção escolar. Para que a escola realize, estas tarefas importantes, torna-se necessário que estes espaços sejam preservados, contando com a participação e responsabilização de pessoas locais, individuais e colectivas, representantes das associações culturais e profissionais, e autarquias locais.

Joaquim Vasconcelos -2/07-2004

Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora

HORÁRIO DE ATENDIMENTO
2ª a 6ª Feira : 9H00/12H00 e 13H00/15H30

Presença dos Membros da Junta
2ª a 6ª: 19H00/20H00

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