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HISTÓRICO
28 TÍTULOS NACIONAIS EM SHELL/4+
O Sporting Club Caminhense impôs-se de forma categórica na mítica disputa da centésima edição da Taça Lisboa, no decorrer dos Campeonatos Nacionais de Remo que se desenrolaram na pista de Montemor-o-Velho, nos passados dias 26 e 27 de Junho, reconfirmando a sua superioridade evidenciada ao longo dos últimos cem anos em barcos de quatro remos com timoneiro, traduzida agora no 28º título nacional conquistado.
Henrique Baixinho (Caminha), Tiago Covinha (Lanhelas), Virgílio Barbosa (Lanhelas), Bruno Amorim (Venade) e António Quartéu-Timº (Venade) inscreveram os seus nomes numa das páginas mais grandiosas da História do Sporting Club Caminhense. "PROVA DE RAIVA" Sendo conhecida a expectativa que rodeava esta regata e as esperanças que nela depositavam muitos adeptos e antigos remadores que contribuíram para que o SCC fosse o clube nacional com mais triunfos em Shell/4, os próprios treinadores (Henrique Baixinho e João Santos) apostaram muito nela, tendo o primeiro classificado-a de uma "prova de raiva".
Henrique Baixinho, na dupla função de treinador e remador ("Queria terminar a minha carreira aos 42 anos com a vitória na Taça Lisboa", assim se expressou este remador que conta no seu haver pessoal com nove títulos nacionais em Shell/4), referiu ao C@2000 que "tínhamos que sair forte, porque na Regata de Gondomar o Infante partiu à nossa frente e só aos 1000 metros é que os apanhámos".
"Desta vez, as coisas inverteram-se, liderámos sempre a prova e a meio fugimos ainda mais", acabando por cortar a linha de meta com considerável vantagem sobre o principal rival, perante o júbilo dos caminhenses que se deslocaram até Montemor-o-Velho, companheiros e dirigentes, pois "toda a gente estava a espera desta taça", destacou este sempre jovem remador. O segredo desta vitória residiu no treino, revelou o "Mina" -como é popularmente conhecido nos meandros do remo"-, porque "treinávamos quase todos os dias no quatro, uma coisa que não se fazia no Caminhense", recordou. "CADA TREINO ERA UM BOCADINHO DE PRATA DA TAÇA"
Salientou o espírito de sacrifício dos três companheiros de equipa que estudam no Porto, porque vinham todos os dias de carrinha para treinarem e regressavam no mesmo dia, "só com o pensamento de vencerem a Taça Lisboa e cada treino que fazíamos, era um bocadinho da prata que a taça tinha", assim definiu metaforicamente a importância da preparação na água. Com este sucesso, o Caminhense acabou por salvar uma época que se antevinha complicada, depois dos insucessos a nível de seniores no Nacional de Fundo e do abandono da maioria dos atletas depois da demissão do treinador, uma sangria que impediu a inscrição em mais provas e, eventualmente, ditou a derrota no oito, em cuja tripulação se incorporaram três juniores. OITO PAGOU FACTURA DOS DESDOBRAMENTOS
Nesta derradeira regata, o Caminhense não conseguiu competir de igual para igual com a tripulação do Ginásio Figueirense que pela primeira vez se classificou em primeiro lugar neste tipo de barco, em 109 anos de existência da colectividade da Figueira da Foz. O Ginásio liderou a prova desde a largada, conseguindo meio barco de avanço que ampliou para um comprimento a meio dos 2000 metros.
Henrique Baixinho admitiu que os quatro remadores seniores da sua tripulação se encontravam um pouco cansados -depois de terem participado nesse dia no shell de quatro, além da eliminatória a que foram sujeitos no oito-, apesar de "virmos bem", mas o Ginásio "vinha também a remar muito bem e forte", e todos os seus remadores estavam "frescos". GINÁSIO ESTREOU-SE E NÁUTICO DE VIANA SUBIU O atleta caminhense enalteceu a "aposta" feita pelo clube figueirense e "não podemos retirar-lhe o mérito", já evidenciado na época finda em que "fizeram umas festinhas", chamando ainda a atenção para o "bom trabalho que o treinador Moreno está a realizar no Náutico de Viana", pois a sua tripulação ombreou com o Caminhense na luta pelo segundo lugar.
Aproveitou para desmentir as bocas da "reacção", que terá vindo dizer para Caminha que o Náutico veio sempre à frente do Caminhense, quando o "nosso timoneiro veio sempre na dianteira do deles", garantiu. Henrique Baixinho sublinhou que era impossível fazer melhor neste barco, apesar das críticas surgidas pela opção tomada relativamente aos juniores escolhidos para o integrar. "OPÇÕES CORRECTAS" "Nós optámos por incluir no oito os remadores que nos davam mais garantias técnicas", não se mostrando nada arrependido pela decisão tomada nestes quase dois meses de preparação, desde que assumiram o comando técnico das tripulações seniores e juniores. Quanto ao futuro, avisou que os treinadores deverão ter em consideração o problema dos desdobramentos que acabam por pesar negativamente quando o último barco (o oito) se apresenta em competição.
Ao avaliar o seu desempenho e o do João Santos à frente da equipa técnica, apelidou-o de "bom", baseado no apoio manifestado pela Direcção, apesar do insucesso registado na prova de Shell/8 junior, em que o Caminhense partiu claramente como favorito. Assinalou, contudo, que há que contar com o mérito dos outros clubes e criticou as "revoluções" que por vezes se sucedem e "muitas vezes, não dão certo", destacou. Salientou que o Infante também trocou a tripulação e foi um desastre neste Nacional, não tendo conquistado qualquer título masculino em seniores, além de ter ficado em quarto lugar no oito, não sendo desculpa o facto de ter corrido nas piores pistas (no quatro e oito), embora se saiba que isso pesa numa pista com vento lateral, como sucede em Montemor. OITO JÚNIOR ERA ESPERANÇA
Ao analisar o desaire no oito júnior, um resultado que "nos deixou tristes" -confessou- "porque foram os atletas que mais treinaram e mereciam o título", a existência de "muita turbulência" no seu seio, pelo facto de alguns atletas não terem concordado com as mudanças que os treinadores operaram, ditaram "falta de camaradagem entre eles" e o consequente "resultado negativo". Anotou, no entanto, que o Ginásio Figueirense, no Nacional de Fundo tinha percorrido boa parte da prova à frente do Caminhense, até que foi superado pelos atletas verdes e brancos e, no de Velocidade, ficaram bem atrás. O problema foi que o Náutico de Viana se apresentou na pista a "remar muito bem e com um barco bom que o Remo do Miño lhes emprestou", o que não tinha ocorrido no Nacional de Fundo, precisou. Aliás, a cadência do Náutico era bem mais repousada do que a do Caminhense, e que este clube pagou no final da prova. Henrique Baixinho nega que tivesse havido uma eventual saturação dos juniores quando partiram para este Nacional, dando como exemplo a preparação seguida pelos quatro séniores e que resultou.
Sobre a prestação do skifista junior caminhense, e cuja prova o Henrique Baixinho acompanhou-, foi de opinião de que era difícil bater o remador do Fernão Mendes Pinto, considerando que ele é "bom", e ainda beneficiar da vantagem de ser júnior de segundo ano.
No entanto, entende que no compito geral, os juniores tiveram uma boa prestação, destacando a vitória no Shell/4.
Como clube que mais se destacou neste Nacional, Henrique Baixinho não hesitou em classificar o Náutico de Viana como a revelação, destacando as vitórias em 4X e 8+ júnior e a boas provas no oito sénior e em 2X . "HÁ QUE LUTAR SEMPRE ATÉ AO FIM" O facto de se ter verificado uma fraquíssima competitividade entre as tripulações na disputa dos primeiros lugares, levou este técnico e remador a admitir que os atletas actuais são diferentes dos de outros tempos, em que "acreditavam sempre até à última remada", dando como exemplo a sua medalha de bronze conquistada no último suspiro, no Campeonato do Mundo de Indianápolis, ou uma prova de oito ganha na Régua numa disputa empolgante com o Infante. EVOLUÇÃO Pedindo-lhe uma análise ao remo actual, destacou que ainda se vêem as mesmas caras a remar. Isto no que diz respeito aos seniores, porque nas femininas, apesar de não existir ainda muita qualidade, "já se vê mais gente a remar", e quanto à selecção, não augura nada de bom.
Os juniores vão agora fazer testes, mas se não há dinheiro para os seniores, como é que vai haver para esses?", interroga-se. Como já foi referido, Henrique Baixinho pensa retirar-se (será mesmo desta?) da alta competição, pois, para estar ao nível de poder integrar uma tripulação como a que ganhou o Shell/4, tem de treinar duas vezes por dia, apesar de ainda se sentir com forças para fazer mais uma ou duas épocas. "ACIMA DE TUDO O CAMINHENSE" "Se eu visse que não tinha lugar numa equipa, como sucedeu no quatro, não ficaria à espera de milagres e daria o lugar a outro que estivesse em melhor forma e colocava-o a proa", frisou este atleta prestes a cumprir os 43 anos, porque entende que "não é por ter um nome" que teria lugar cativo, concluindo que o que "interessa acima de tudo é o Caminhense". A par da competição, desenvolveu trabalho técnico no clube, o que se tornou demasiado absorvente, pelo que não espera compaginar as duas actividades daqui em diante. Acerca da sua continuidade com técnico do clube, nada adiantou, até porque haverá eleições para os seus corpos sociais em Setembro. "DESAIRE" NO OITO JÚNIOR E OBJECTIVO ATINGIDO NO 4+ SÉNIOR
Por seu lado, João Paulo Garrido, presidente do Sporting Club Caminhense, comentando a presença verde e branca nos Nacionais/04, dividiu a sua análise em duas partes: Femininos e Masculinos.
Manifestou o seu desagrado pela escassez de representantes femininas, em que o Caminhense somente participou com dois skiffs, obtendo a atleta júnior o sétimo lugar e a sénior a quarta posição, mas foi a presença e os resultados possíveis, atendendo a que ambas estudam fora de Caminha e têm dificuldades em treinar. Quanto à prestação masculina, admitiu o desaire nos objectivos centrados no oito júnior, embora o segundo lugar ("o primeiro dos últimos", salientou) tivesse sido razoável e destacou a vitória no 4+ e o 2º no 2+ e 1X juniores. O presidente do SCC esclareceu que não sobrecarregaram os juniores com mais desdobramentos, porque três deles participaram no oito sénior. CLASSIFICAÇÕES VALORIZADAS A despeito de apenas terem obtido três primeiros lugares nos masculinos, foi valorizado o facto de todos os outros barcos se terem classificado na segunda posição "o que deverá merecer uma análise cuidada, porque revela que não houve descuido nem abandono de ninguém", enfatizando ainda o "empenho dos próprios remadores".
Este dirigente não deixou de sublinhar como o feito mais marcante destes campeonatos, a conquista da Taça Lisboa, um objectivo definido aquando da entrega das faixas de campeão da época transacta.
No entanto, com o desenrolar da época, "pareceu-nos a nós, Direcção, que esse objectivo foi esquecido frequentemente, ou, pelo menos, não devidamente acautelado". Quanto à prova "Rainha do Remo" - o oito, "apesar de este ano não ser a mais importante para nós" asseverou João Paulo Garrido, o segundo lugar nunca agrada, mas não deixou de destacar que a tripulação era composta pelos quatro remadores que já tinham conquistado o quatro com timoneiro e por três juniores. Assinalou a aposta que o Ginásio Figueirense fez neste barco, apresentando-se na pista com oito atletas sem qualquer participação anterior, recolhendo daí a vantagem inerente. Sem deixar de destacar o desastre desportivo do Infante nestes Campeonatos (não venceu uma única regata de seniores e duas remadoras bisaram em duas provas - 2XPL e 2X), chamou a atenção para um pormenor registado na classificação do 8+: "O 8+ do Infante superou o Caminhense em 9 segundos no Nacional de Fundo e agora ficou em quarto lugar, demonstrando-se que tivemos uma progressão muito grande entre as duas provas, apesar de não termos vencido". FUTURO: "MANTER LINHA DE CONDUTA E DE RELAÇÕES HUMANAS"
Quanto ao futuro, depois de arrebatar para Caminha a Taça Lisboa e "conseguida uma certa pacificação do Clube em termos de organização, orientação e relação dos técnicos com os atletas, creio que esta nossa linha de conduta irá ser seguida", embora descarte a sua continuidade à frente do SCC.
Entende que "pretendem manter esta linha e os métodos de relações humanas estabelecidos nos últimos dois meses", que poderão ser atingidos com elementos que eventualmente compõem a actual Direcção, uma hipótese que deixou em aberto. O QUE OS ATLETAS DISSERAM: No final das provas, ouvimos alguns dos protagonistas do clube verde e branco:
Carlos Júlio Seixo (2+) - "Já estávamos à espera que não fosse muito difícil, até porque corremos na pista mais favorável. Viemos sempre a apoiar com as costas e a controlar, apesar de a largada ter sido má porque não houve indicação das equipas, tendo sido dada a largada rapidamente e não saímos muito bem. Contudo, mantivemos sempre a liderança e controlando o inimigo. Estive parado quatro anos, pelo que este é o meu segundo título, depois de ter conquistado um em Iniciados. Não sei se poderei continuar a remar para o ano porque vou concorrer às Forças Militares, embora goste do remo que também foi a paixão do meu pai e ainda é o da minha mãe. Mas vou tentar fazer tudo por tudo para continuar.
Rui Seixo (8+ Júnior) - Foi um dia mau em que nada saiu bem. A equipa não funcionou. O desfasamento do lote de atletas que nos obrigou a desdobrar no oito júnior e sénior, tornou complicado treinar no primeiro barco.
Paulo Cerquido (4+ Júnior e 1Xjúnior) - Foi fácil (4+). Foi ir para a frente e controlar. No skiff foi mais complicado, porque o meu adversário era júnior de segundo ano e era ano dele. Algumas coisas não correram muito bem durante esta época, mas quanto ao resto, foi tudo bom. Espero agora ir ao Campeonato do Mundo.
Hugo Correia (2-) - O segundo lugar era certo para nós, tentámos fazer melhor mas não foi possível, porque os que ganharam têm muitos anos de remo juntos. Tentaremos para o ano. Nuno Braga (2-) - Foi o primeiro ano em que remei em Caminha. Gostei e todos me apoiaram. Esperávamos ganhar mas o adversário era muito difícil porque estão na selecção. Conto ficar em Caminha para o ano e entrar no oito o que é o objectivo de qualquer atleta.
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