A empresa Afluente vai deixar a gestão do Pavilhão Municipal de Caminha já a partir do próximo dia 2 de Maio, passando a ser gerido directamente pela Câmara Municipal, conforme nos referiu o vereador Paulo Pereira, responsável pela área do desporto.
O autarca salientou que este desquite foi "totalmente pacífico e por mútuo acordo", atendendo a que ambos entenderam que o protocolo já não se adequava aos objectivos da câmara e da própria Afluente, embora a decisão tivesse partido da própria autarquia.
Este protocolo datava do ano 2000, e a Afluente pagava uma determinada importância ao município pelo aluguer do equipamento desportivo, assumindo no entanto todas as despesas inerentes ao seu funcionamento, embora cobrasse pela sua utilização.
 |
Paulo Pereira explicou que o município chegou à conclusão de que "sentia mais necessidade em gerir directamente o pavilhão, o que poderia não ter sucedido na altura da celebração do protocolo", por a câmara de então, "provavelmente não saber dar resposta ao espaço". |
Atendendo a que na actualidade, "tem sido dado outro tipo de utilidade ao pavilhão", acrescentou o edil, os próprios interesses da câmara serão diferentes, pelo que este equipamento "deveria ficar sob a responsabilidade da câmara", concluiu.
NOVO EXECUTIVO ALHEADO
Luís André, sócio-gerente da Afluente, reconfirmou que partiu da câmara a decisão de romper o protocolo que vinha a ser renovado anual e automaticamente se nenhuma das partes o denunciasse com três meses de antecedência. |
 |
Este professor referiu ao C@2000 que esta situação poderia suceder, atendendo a que algum alheamento verificado desde que entrou em funções o novo Executivo camarário, fazia antever tal desfecho.
Nos últimos dois anos, "fomos fazendo uma gestão sem feed-back nenhum e ignorando de que forma é que as coisas estavam a andar da parte da autarquia" explicou, dando como exemplo o pedido de uma reunião há dois anos, sem que tal se concretizasse.
EM DEFESA DO DESPORTO
Embora houvesse comunicação entre ambos, da parte da Afluente notava-se que "existia alguma insatisfação da parte da câmara, nomeadamente quando havia actividades culturais e nós actuámos sempre em defesa de quem praticava desporto", reconheceu.
Luís André crê que a autarquia, ao tomar esta decisão, "deverá ter uma ideia muito clara do que quer fazer da instalação desportiva ou então não tinha tido esta atitude", esperando que "se mantenha ou melhore a prática desportiva".
EQUIPA "COESA"
Sobre a sua experiência à frente da gestão do pavilhão, crê que quando "a equipa é boa, as coisas vão andando muito bem", o que na sua óptica terá acontecido ao longo destes quatro anos
No entanto, reconhece que a gestão de um pavilhão "quando é aberta a porta ao público" é complicada, atendendo aos problemas de praticantes, clubes e assistentes que "nós temos de resolver num curto espaço de tempo", sublinhou.
BALANÇO POSITIVO
Classificou de "absorvente" as suas funções de administrador e director-técnico -"um trabalho desgastante", contudo-, que ao fim de quatro anos, "com alguma falta de comunicação e desmotivação no meio de todo este processo que já vinha a crescer, as coisas começam a ser contabilizadas em termos emocionais", admitiu.
Não deixou, no entanto, de se sentir "realizado" por se ter envolvido -com êxito- no Campeonato do Mundo de Andebol, no Eixo Atlântico, no Torneio das Quatro Nações e nos saraus, além de ter assistido ao "renascer do deporto de pavilhão no concelho de Caminha".