A prática totalidade dos médicos do Centro de Saúde de Caminha tomaram uma posição pública de "satisfação" perante a reabertura das "urgências" nesta unidade mas, denunciaram aquilo que classificam como uma "tentativa de destruição" dos Centros de Saúde perpetrada pelo Governo.
O funcionamento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) durante as 24 horas, desde o passado dia 27, foi recebido com regozijo pelos clínicos gerais "depois de anos de luta contra o encerramento do período nocturno", apesar da sua disponibilidade de assistência diurna.
CONTRA A VIRTUALIDADE
Esta reabertura durante todo o dia, é encarada, contudo, com alguns receios pelos médicos subscritores de um comunicado à população, razão pela qual "esperam que a Sub-Região de Saúde de Viana do Castelo e a Direcção do Centro de Saúde de Caminha criem todas as condições para que o funcionamento de 24 horas não seja uma virtualidade, mas que tenha a continuidade que a população do concelho de Caminha necessita", pode ler-se nesse documento.
Por outro lado, os clínicos gerais -para os quais também existe uma formação específica, tal como acontece com os especialistas- justificam a greve de três dias que paralisou este Centro de Saúde e a generalidade das unidades similares do país, entre 29 e 30 de Janeiro, como forma de "denunciar a tentativa de destruição dos Centros de Saúde preparada pelo Governo".
Esta greve -secundada por outros sectores da saúde, a partir do segundo dia- pretendeu manifestar o "descontentamento daqueles que elevaram os níveis de saúde em Portugal a patamares que não nos envergonham e que agora vêem o início da sua destruição", lamentam.
De entre a medidas que o Ministério da Saúde pretende implementar, os médicos receiam que se registe um recuo na prestação dos cuidados de saúde, remetendo-os a níveis de outros tempos, podendo pôr em causa a "manutenção dos Centros de Saúde e Médicos de Família e a assistência médica", voltando a criar desigualdades entre "ricos e pobres".
RAZÕES PARA A GREVE
E citam três áreas em que a política do actual Governo se tornará reprovável:
- "Destruição do Médico de Família, deixando de se fazer prevenção de saúde (acompanhamento das crianças, grávidas, adolescentes, diabéticos, hipertensos, etc..), a favor da medicina curativa - a que dá dinheiro!
- Privatização dos Centros de Saúde, o que implica que no futuro, só quem tiver dinheiro, é que terá direito à saúde.
- Possibilidade de se ser assistido por um Médico sem formação em Medicina Familiar".
Por tudo isto, os médicos encetaram uma greve de três dias, "sacrificando os nossos vencimentos", assinalam, e "não em defesa de melhores salários".