 |
LAMPREIA
DIVISÃO DE PREÇOS NÃO AGRADA AOS PESCADORES
REVENDEDORES QUEIXAM-SE DA FALTA DE PROCURA

A classificação das lampreias em duas categorias, estabelecida pelos compradores, não agrada aos pescadores do rio Minho.
Tal inovação introduzida este ano no circuito comercial (25 euros com mais de 1,250 kg e a 15 com peso inferior), prende-se com o facto de as lampreias mais pequenas terem vindo a ser pagas ao mesmo preço que as grandes, o que não convinha aos revendedores, face à dificuldade em colocá-las no mercado, como nos referiu Matilde Rosas, proprietária de um viveiro em Lanhelas.
"PERDEMOS DINHEIRO"
"A crise actual é grande e já ano passado perdemos muito dinheiro, porque não nos compravam as mais pequenas", assim justificou esta medida.
Acrescentou que "quanto mais tempo elas ficam no viveiro, mais abatem no peso e se as compramos a um preço mais elevado, somos obrigados a despachá-las baratas, dando-nos prejuízo acrescido", justificou.
Quanto a quantidades, assevera que tem sido um ano bom, apesar dos pescadores sempre se "queixarem", acrescentando que aqueles que fainam na foz e "arriscam mais um pouco, apanham muitas".
PESCADORES REJEITAM
 |
Os pescadores é que não estão pelos ajustes, no que a preços se refere, como nos referiu Manuel Alexandre Silva, de Caminha, assinalando que na safra anterior, por esta altura, "pagavam-nos as lampreias a seis e sete contos por unidade". |
Este pescador alertou para a perigosidade da faina na foz, devido aos imensos bancos de areia que se acumula neste ponto.
Por seu lado, António Pedrosa, também lamenta os preços tão baixos e a divisão de tamanhos, para uma pesca "dura e perigosa", recordando como a sua gamela se virou aqui há uns anos, na Ponta Grossa, na foz do Minho, e "ao fim de cinco minutos já estava gelado, valendo-me outros camaradas que me tiraram da água", embora tivesse perdido todo o |
 |
material, apenas se salvando o barco e as redes. O seu companheiro, por seu lado, tinha conseguido atingir terra a nado.
Ambos criticam ainda o facto de as autoridades portuguesas continuarem a obrigá-los a pescar dois homens por barco, na zona da foz, enquanto que os espanhóis o podem fazer sozinhos.
ESPANHÓIS GOZAM
Outro pescador português que habitualmente faina na zona proibida a um tripulante por embarcação, denunciou ao C@2000, enfurecido, o tom jocoso utilizado pelos seus homólogos galegos, sempre que ele passa perto deles: "Olha que vem aí a Marinha portuguesa!".
Quanto a capturas, apontam para uma média de 6/7 por barco, lamentando a grande concentração de embarcações na desembocadura do Minho, provenientes de diferentes pontos das duas margens.
"TENHO DE IR LEVAR O PESCADO AO VIVEIRO"
 |
Mais a montante, em Gondarém, Vila Nova de Cerveira, João Barroso, o "Barrigas" (antigo praticante de remo, também conhecido por João de Gondarém, várias vezes campeão nacional pelo Sporting Club Caminhense nos anos 60, e que fazia o percurso Gondarém-Caminha todas as manhãs, numa "pasteleira", a fim de treinar às sete horas, |
pegando ao trabalho numa fábrica dessa vila, três quarto de hora depois), um pescador com larga experiência, reconhece que a safra tem sido satisfatória, "só é pena os preços que nos fazem e, ainda por cima, tenho de ir levar o pescado ao viveiro, quando dantes, vinham cá buscá-lo".
Contudo, nem sempre pescaria é de feição: "Ainda hoje não apanhei nenhuma, porque as águas vão altas", numa referência às cheias que se fizeram sentir no mês passado.
AVIZINHA-SE BOM ANO DE SOLHAS
Mas, por outro lado, as águas volumosas irão permitir um "bom ano de solhas", profetizou João Barroso, assegurando ainda que elas serão bem grandes. Já a pesca do meixão foi bem fraca, o que não o importunou nada, atendendo a que defende a proibição da pesca com tela, atribuindo a esta arte uma das causas para a diminuição das espécies do rio. |
 |
Sublinhou os custos com a arte da lampreia, pois "ainda esta semana fui comprar uma lampreeira nova e paguei 450 euros" e o facto de estas espécies serem "mais pequenas, este ano".
Embora receando que eventuais importações de lampreias venham ainda a embaratece-las, assinala que até ao presente, não chegaram nenhumas de França: "Nós sabemos quando elas vêm, em camiões carregados, despejando-as através de tubos nos viveiros", explica.
LAMPREIAS DE FRANÇA DEITAM TUDO A PERDER
E estas lampreias de aviário deitam tudo a perder" acrescenta, porque o "povo tem medo de ir aos restaurantes e estes não compram tanto".
Em todo o rio, assiste-se a um incremento de actividade da pesca por parte de pescadores espanhóis, como nos confirmou João Barroso: "Aqui há uns anos, em Eiras, em frente a Gondarém, só havia um pescador mas agora são uns dez".
Para que este apreciado pescado não escasseie, sugere que a safra se inicie e acabe em todo o rio na mesma data (1 de Janeiro), porque se "matam os pais, não há filhos", num alusão à actividade das pesqueiras na parte alta do rio, que pescam até mais tarde (15/Maio), quando a espécie já está a desovar.
TABELA DE MARÉS - FOZ DO RIO MINHO
| Fevereiro |
1 |
3h46 |
3.5 |
10h04 |
.6 |
16h13 |
3.2 |
22h13 |
.7 |
| Fevereiro |
2 |
4h26 |
3.5 |
10h42 |
.6 |
16h51 |
3.2 |
22h50 |
.7 |
| Fevereiro |
3 |
5h03 |
3.5 |
11h18 |
.6 |
17h26 |
3.2 |
23h25 |
.7 |
| Fevereiro |
4 |
5h39 |
3.5 |
11h53 |
.7 |
18h00 |
3.1 |
23h59 |
.8 |
| Fevereiro |
5 |
6h13 |
3.3 |
12h26 |
.8 |
18h33 |
3.0 |
| Fevereiro |
6 |
0h33 |
.9 |
6h47 |
3.2 |
12h59 |
.9 |
19h07 |
2.9 |
| Fevereiro |
7 |
1h09 |
1.0 |
7h23 |
3.0 |
13h35 |
1.1 |
19h44 |
2.8 |
| Fevereiro |
8 |
1h49 |
1.2 |
8h03 |
2.8 |
14h15 |
1.2 |
20h28 |
2.7 |
| Fevereiro |
9 |
2h36 |
1.4 |
8h51 |
2.7 |
15h05 |
1.4 |
21h25 |
2.6 |
| Fevereiro |
10 |
3h40 |
1.5 |
9h57 |
2.5 |
16h12 |
1.5 |
22h41 |
2.5 |
| Fevereiro |
11 |
5h06 |
1.5 |
11h22 |
2.5 |
17h34 |
1.5 |
| Fevereiro |
12 |
0h04 |
2.6 |
6h30 |
1.5 |
12h41 |
2.5 |
18h48 |
1.4 |
| Fevereiro |
13 |
1h10 |
2.7 |
7h33 |
1.3 |
13h41 |
2.7 |
19h45 |
1.3 |
| Fevereiro |
14 |
2h01 |
2.9 |
8h21 |
1.1 |
14h28 |
2.9 |
20h30 |
1.1 |
| Fevereiro |
15 |
2h44 |
3.2 |
9h03 |
.8 |
15h10 |
3.1 |
21h11 |
.9 |
| Fevereiro |
16 |
3h24 |
3.4 |
9h42 |
.6 |
15h49 |
3.3 |
21h50 |
.7 |
| Fevereiro |
17 |
4h03 |
3.6 |
10h20 |
.4 |
16h28 |
3.4 |
22h29 |
.5 |
| Fevereiro |
18 |
4h43 |
3.7 |
10h59 |
.3 |
17h08 |
3.5 |
23h09 |
.4 |
| Fevereiro |
19 |
5h24 |
3.8 |
11h39 |
.3 |
17h49 |
3.5 |
23h51 |
.4 |
| Fevereiro |
20 |
5h06 |
3.7 |
12h21 |
.4 |
18h31 |
3.4 |
| Fevereiro |
21 |
0h34 |
.5 |
6h50 |
3.6 |
13h05 |
.6 |
19h16 |
3.3 |
| Fevereiro |
22 |
1h20 |
.7 |
7h39 |
3.3 |
13h53 |
.8 |
20h07 |
3.1 |
| Fevereiro |
23 |
2h13 |
.9 |
8h35 |
3.0 |
14h49 |
1.1 |
21h07 |
2.9 |
| Fevereiro |
24 |
3h20 |
1.1 |
9h46 |
2.8 |
16h02 |
1.3 |
22h25 |
2.8 |
| Fevereiro |
25 |
4h48 |
1.3 |
11h17 |
2.7 |
17h32 |
1.4 |
23h53 |
2.8 |
| Fevereiro |
26 |
6h23 |
1.2 |
12h45 |
2.7 |
18h54 |
1.3 |
| Fevereiro |
27 |
1h09 |
2.9 |
7h36 |
1.1 |
13h51 |
2.8 |
19h55 |
1.1 |
| Fevereiro |
28 |
2h06 |
3.1 |
8h29 |
.9 |
14h41 |
3.0 |
20h42 |
1.0 |
|
| |