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Nº 98: 14 a 20 Set 02
Semanal - Sábados
1ª Pág. JORNAL DIGITAL REGIONAL


DECISÃO SURPREENDENTE DO TRIBUNAL DE LISBOA

JORNALISTA MANSO PRETO DETIDO
POR RECUSAR REVELAR FONTES

O jornalista vianense José Luís Manso Preto foi detido à ordem do Tribunal da Boa Hora, de Lisboa e apresentado ao Departamento de Investigação e Acção Penal, por se ter recusado a revelar uma fonte confidencial com que elaborou uma notícia no jornal Expresso, relativa a um processo tráfico de droga, em que estariam envolvidos os irmãos Pinto, célebres por encabeçarem os buzinões na Ponte 25 de Abril.

Arrolado como testemunha de defesa desses arguidos, Manso Preto não revelou a referida fonte, pelo que o Tribunal da Relação de Lisboa determinou o levantamento do sigilo profissional, na tentativa de o obrigar a divulgar o autor das informações que recolhera, apesar de se encontrar na posse de um parecer emitido pelo Sindicato dos Jornalistas -a pedido do próprio Tribunal da Relação- que dava razão ao jornalista "no seu silêncio", conforme posição já tomada por esta estrutura de classe dos homens e mulheres da comunicação social.

O sindicato acompanhou de perto esta situação inusitada criada pelo referido tribunal e aponta três razões para o silêncio de Manso Preto, para além dos direitos constitucionais consagrados para os jornalistas:

- O dever de lealdade dos jornalistas perante a sua fonte confidencial, que apenas forneceu informação na condição de não ser identificada;

- O risco de, em caso de revelação de identidade da fonte, esta vir a contradizer a informação e accionar o jornalista por denúncia caluniosa, ainda para mais instigada pelo Tribunal;

- A inexistência de garantias de protecção quer do jornalista e dos seus familiares, quer da fonte e seus próximos, em caso de retaliação ou vingança.

A Federação Europeia de Jornalistas e a Federação Latino-Americana de Jornalistas já se solidarizaram com Manso Preto, registando-se o mesmo movimento por parte das associações de Luta Anti-Droga da Galiza.

Algumas horas depois de ser detido e prestado declarações, Manso Preto foi constituído arguído e aguardará julgamento em liberdade, confiante, contudo, na justeza das suas convicções, no que é secundado pelos colegas da comunicação social.

O Jornal Digital CAMINH@2000 igualmente repudia a tentativa de forçar este jornalista a quebrar os compromissos com a suas fontes e se solidariza com a verticalidade demonstrada por este colega.

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