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MOVIDA NOCTURNA CAMINHENSE OPÕE MORADORES A PROPRIETÁRIOS DE BARES
Mais de uma centena de moradores de seis artérias do centro histórico de Caminha entregaram um abaixo-assinado à câmara municipal e governo civil de Viana do Castelo, pedindo uma regulamentação eficaz durante todo o ano, do funcionamento dos 14 bares existentes nesta área central da vila, bem como um policiamento reforçado durante a noite.
Desde que a movida nocturna caminhense se tornou cativante para os milhares de jovens que a frequentam nos períodos da maior lazer (férias e fins de semana), há já mais de uma dezena de anos que os conflitos de interesses entre residentes e proprietários de bares, longe de se atenuarem, se vêm agravando, como o denunciam os primeiros, relativamente a este Verão.
ACUSAÇÕES VÁRIAS
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Música alta de madrugada, barulho e zaragatas provocados pela concentração de jovens nas ruas exíguas e consumindo bebidas, incumprimento de horários, toques de campainhas a altas horas da noite, pancadas nas portas, vidros quebrados, cheiros nauseabundos a urina e álcool associados ao lixo composto por copos, garrafas (muitas partidas) e papéis, |
são alguns dos argumentos invocados pelos moradores -na sua maioria, pessoas de idade avançada- para exigirem medidas às autoridades e autarquias.
DIREITO AO DESCANSO
Carlos Fernandes, o primeiro subscritor do documento, declarou ao C@2000 que "não pretendemos fechar os bares, apenas queremos descansar de noite, porque nós já vivíamos cá quando começaram a lincenciá-los", insurgindo-se ainda pelo facto de a "câmara anterior nos ter prometido que não daria pareceres favoráveis à abertura de mais e, foi o que se viu... ". |
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O presidente da comissão de moradores, Luís Costa, quase com 88 anos, opta por ir passar as noites a casa de uma filha, na Meadela, sempre que prevê noites animadas na Rua Direita, onde mora, e a que concentra mais estabelecimentos do ramo. Mas, não é o único que abandona a sua casa.
CONCENTRAÇÕES FORA DE HORAS
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Da parte dos donos dos bares nocturnos, há um reconhecimento de que o barulho existente, principalmente em Agosto, é provocado pelas "pessoas que se concentram na rua, posteriormente ao fecho dos bares, após as três da madrugada", como referiu José Carlos, a explorar o Carga d'Água. |
Advoga como medida para paliar o caso, a presença de autoridades policiais, "tentando dissuadi-las a retirarem-se" e, quanto à música excessivamente alta proveniente do interior dos bares, afirma que só se poderia provar tal facto, através da "medição por intermédio de máquinas apropriadas".
FECHO PREJUDICARIA CAMINHA
Defende ainda o funcionamento dos bares nocturnos até às 4 horas da manhã, "como acontece em concelhos limítrofes", de modo a ir ao encontro dos que pretendem divertir-se até mais tarde e tentar contrariar a crise que atravessa o sector, "assistindo-se a um decréscimo de movimento na ordem dos 30/40%, provavelmente devido à tão propalada crise nacional".
Acrescenta que Caminha "morreria, em termos turísticos, se fechassem os bares, porque se as pessoas vêm para cá, é porque há vida nocturna", destacando que o restante comércio (restaurantes, hotéis, residenciais) também "sairia prejudicado".
MÚSICA NORMAL PARA UM BAR
Por seu lado, Ricardo Sousa, do bar Garboyl, crê que a altura da música "está como deve ser num bar nocturno", atribuindo o barulho na rua aos carros e motas que por lá passam e às pessoas que aí permanecem.
Também aposta no prolongamento do horário dos bares, justificado pela dificuldade em convencer os clientes a abandoná-los às duas horas, razão pela qual se mantêm no local até altas horas da noite, provocando o desassossego dos moradores.
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Um horário sem limite, permitiria a saída espaçada dos clientes dos bares, evitando-se dessa forma as concentrações simultâneas na rua, sempre que fecham as portas.
Quanto aos desmandos que estes dizem existir, diz ser uma questão de "falta de civismo das pessoas", julgando conveniente mais policiamento.
"Se os bares fecharem, as pessoas que escolhem Caminha para se divertirem e dão movimento ao comércio passarão a optar por outras terras" teme Ricardo Sousa, aludindo aos prejuízos comerciais que daí adviriam.
"GUERRILHA É MÁ"
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Octávio Costa, outro proprietário (Burro Velho), reconhece a existência de um "confronto" com os moradores, porque "isto incomoda" mas, a elaboração do abaixo-assinado, "é uma maneira incorrecta de tentar resolver o problema", afirma. |
Seria preferível "falar directamente connosco, com o governador civil e com a câmara, porque se eles arranjarem umas mil assinaturas, nós, num sábado, conseguimos duas ou três mil..."
SITUAÇÃO "ALEGAL"
Este industrial de restauração lamenta ainda a "falta de legislação" definidora das medidas a tomar para minorar os roídos provenientes destes estabelecimentos comerciais.
Refere igualmente a inexistência de meios de medição dos decibeis, dando o exemplo da GNR ordenando-lhe para pôr a música baixa, ameaçando autuá-lo, sem que se possa comprovar se ela está alta ou não. "Tenho uma multa para pagar mas vou deixá-la seguir para o contencioso, porque como é que vão provar isso?".
Acrescenta como essencial para resolver o conflito, "mais policiamemto e segurança, como acontece em Espanha" embora recuse a possibilidade de "sermos nós a pagar a polícia, como já ouvi sugerir por aí, porque nós somos comerciantes como quaisquer outros".
RETRACÇÃO DAS PESSOAS
De imediato, "dever-se-ia dialogar sob o patrocínio de uma instituição que se ache no direito de tutelar uma coisa destas", propõe ainda como solução, numa época de fraco negócio, em que a "facturação baixou 30%, talvez por falta de dinheiro das pessoas, porque clientes houve na mesma", concluiu.
CÂMARA PREOCUPADA
Ouvida a Câmara Municipal sobre esta questão dos bares, Júlia Paula, presidente do município, salientou que ainda enquanto deputada municipal, levantara o problema da "falta de segurança", quando se legislou sobre os horários, verificando-se agora que "há um horário que não é cumprido, porque, entretanto, as pessoas saem dos bares e ficam na rua". |
Foto de Arquivo  |
Fez questão de salientar ser fundamental "preservar o direito das pessoas ao descanso", tal como outros "têm direito ao divertimento mas, a nossa liberdade acaba quando começa a dos outros", dando como exemplo as queixas feitas chegar à Câmara, ou mesmo às reuniões públicas do Executivo.
MEDIDAS
Júlia Paula diz ter faltado "conta, peso e medida", pelo que já reuniu com o governador civil, estando a ser ponderadas algumas acções -"eu sei que já houve uma acção de fiscalização e levantados alguns autos", acrescentou-, atendendo a que "nem as regras estipuladas estão a ser cumpridas, não se podendo entrar numa arbitrariedade total em que vale tudo", avisou.
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A autarca recorda que "as pessoas já lá viviam quando os bares foram abertos, pelo que a situação não se ajusta à forma como estão a funcionar". |
Prometeu fazer tudo para que as coisas voltem à "normalidade e haja respeito", incluindo uma reapreciação deste horário em Assembleia Municipal.
HORÁRIO LIVRE NÃO AGRADA
A possibilidade de criar um horário livre como forma de resolver o problema, não foi partilhado "à priori", pela presidente, optando por "analisar melhor essa questão", entendendo que os "clientes da noite" não trazem uma mais valia ao restante comércio, como destacam os donos dos bares, não temendo, por conseguinte, que Caminha venha a ser afectada com a sua eventual diminuição.
É bonita, a noite em Caminha, desde que haja respeito pelos outros", concluiu Júlia Paula, a braços com mais um problema para resolver.
RESPEITAR A LEI
Foto de Arquivo  |
Da parte da Junta de Freguesia de Caminha, existe a mesma preocupação, conforme nos referiu Carlos Mouteira.
Este autarca referiu ser necessário "cumprir os horários e respeitar o silêncio", de modo a manter uma "tradição nocturna que tem o seu lado positivo e outro negativo para a vila".
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Defende ainda que a lei deve ser respeitada e os bares deverão "manter a música baixinha", acrescentando que se também morasse nesta zona, estaria sempre a telefonar para a GNR, como fazem os moradores.
Após uma reunião mantida entre a comissão de moradores e a presidente da Câmara de Caminha, em que foi discutido o assunto, seguir-se-á uma outra com o governador civil.
O padre Manuel de Almeida e Sousa, recentemente nomeado pároco de Caminha e Vilarelho pelo Bispo da Diocese, conforme informámos na edição anterior, será investido em meados do próximo mês de Outubro, após a realização de uma redistribuição de competências pelos sacerdotes a exercer funções no concelho de Caminha.
A degradação do actual quartel da GNR de Caminha é visível o olhos nus do exterior, agravada pela existência de buracos no tecto na sala do comandante do posto e na camarata dos praças.
As condições em que este posto funciona deixam muito a desejar, não constituindo, portanto, o melhor aliciante para quem lá exerce as funções que lhe são cometidas.
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De há muito que a construção de um novo edifício está perfilado mas, os anos passam sem que o projecto não deixe de constituir simplesmente um mero conjunto de intenções. |
A Câmara incluiu em plano de actividades algumas verbas para esse fim, embora ainda não tenha decidido se optará pela recuperação do actual edifício ou pela construção de raíz.
Entretanto, aguarda que a administração central se defina quanto aos apoios a conceder a esta obra.
CAMPANHA A FAVOR DOS BOMBEIROS DE CAMINHA
Prossegue a campanha de recolha de fundos encetada no ano passado pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Caminha, tendo em vista a aquisição de duas viaturas (uma carrinha de transporte de utentes em cadeira de rodas e um carro de combate aos fogos florestais).
Até ao presente, a campanha já rendeu 17184,16 € e prosseguirá este Domingo em Vilarelho.
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JUNTA DE FREGUESIA DE CAMINHA
Horário de Atendimento ao Público
2ª,4º e 6ª Feiras - 21H000/ 22H00
3ª e 5ª Feiras - 18H00 /19H00
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