A figura de Francisco Sampaio mereceu um "testemunho de gratidão" por parte do Orfeão de Vila Praia de Âncora, no decorrer de uma cerimónia integrada no programa de comemorações do seu 59º Aniversário, que decorreu no passado Sábado, no Cineteatro dos Bombeiros Voluntários.
Francisco Presa, director artístico e presidente da direcção do Orfeão, a abrir a cerimónia, fundamentou a homenagem a Francisco Sampaio por ter sido "um dos mais destacados colaboradores" desta colectividade, cujo "contributo" não poderia ficar esquecido, atendendo a que foi coralista, director artístico, encenador, compositor e autor de alguns poemas que vieram a ser utilizados em diversas músicas.
Após a actuação do Orfeão - a abrir o programa que levou muita gente ao cineteatro recém-recuperado pela Câmara Municipal de Caminha, com o empenho da direcção da Associação Humanitária e apoio da Junta de Freguesia -, que apresentou oito peças do seu variado reportório, Francisco Presa entregou a Francisco Sampaio uma placa alusiva à homenagem e um objecto simbólico da autoria do artesão ancorense João Carvalho.
Concluída a primeira parte do sarau cultural, foram lidos uma série de poemas, quer dedicados ao homenageado, quer da sua própria autoria.
Emocionado, Antero Sampaio, irmão do homenageado, após proferir algumas palavras sobre a sua vida intensa - nomeadamente a ligação ao Turismo, e a sua passagem pela RTAM, da qual foi presidente durante mais de 25 anos -, leu um poema dedicado ao seu irmão, após o que se cumprimentaram comovidamente e foram aplaudidos pelo público.
Um soneto dedicado ao homenageado dessa noite, da lavra de Ruy Monte (pseudónimo de Laurentino Monteiro, também ex-director artístico do Orfeão), do ano de 1981, data em que juntamente com Francisco Sampaio, integraram a comissão organizadora das comemorações dos 100 de Jornalismo no Concelho de Caminha, iniciativa do Jornal o Caminhense, foi declamado pelo actor afifense António Neiva.
Uma peça apenas cantada uma vez - segundo julgou recordar Francisco Presa -, intitulada "Mimosas", com letra e música popular de Francisco Sampaio, dedicada a Viana do Castelo (cujo presidente, José Maria Costa, marcou presença nesta homenagem, juntando-se ao seu colega de Caminha Miguel Alves), foi interpretada pelo coral do Orfeão.
Ainda da autoria de Francisco Sampaio, o coral ancorense viria também a cantar a letra e música da peça de teatro "Maria Emília", do escritor Alves Redol, adaptada pelo Grupo de Teatro do Orfeão e estreada em 1983, precisamente neste cineteatro ancorense.
Mais três poemas de Francisco Sampaio foram interpretados por Fernanda Neves ("Homens do Mar") e, de cor e com muita alma, as poesias "O Portinho" e "Saudação", a cargo de Artur Gigante.
Esta parte mais íntima do espectáculo e essencialmente ligada a produções literárias de Francisco Sampaio, terminaria com os jograis Fernanda Neves, Adriano Fernandes, António Neiva e Artur Gigante a lerem a "Lenda de Vila Praia de Âncora", em que amores, desamores e vinganças entre cristãos e árabes e que culminaram no fundo do rio Âncora, ocorridos em épocas medievas anteriores à formação da nacionalidade, seguindo-se o momento mais apoteótico, com antigos coralistas a subirem ao palco e a juntarem-se aos orfeonista actuais, a fim de entoarem o hino "Vila Praia de Âncora".
O espectáculo terminaria com a actuação do Grupo de Danças e Cantares Regionais do Orfeão de Vila Praia de Âncora, apresentando cinco peças do seu repertório, após o que Francisco Sampaio foi deveras felicitado pelas muitas pessoas que associaram a esta festa de homenagem.
Francisco Sampaio manifestou ao C@2000 a sua satisfação pela lembrança do Orfeão, considerando "extraordinária" aquela noite, em que foi envolvido por inúmeros amigos.
Revelou-nos que sentiu imensa satisfação em procurar as partituras e outros documentos pedidos pelo Orfeão para este espectáculo, muitos deles já esquecidos no seu volumoso espólio.