"Hoje transformamos Caminha numa vila e num concelho Serralves", afirmou Miguel Alves, presidente do município caminhense, na passada Terça-feira, a abrir a cerimónia inaugural da 1ª Exposição Itinerante de Arte Contemporânea promovida pelo Museu de Serralves, da cidade do Porto, que teve lugar nos Paços do Concelho.
Estava prevista a deslocação a Caminha de Castro Mendes, Ministro da Cultura, mas foi forçado a cancelar a presença nesta inauguração, por motivos de saúde.
"Parte inteira"
Perante a presidente da comissão de administração da Fundação Serralves, Ana Pinho, e Braga da Cruz, presidente da Comissão de Fundadores da Fundação Serralves (da qual o município de Caminha faz parte), o autarca caminhense assegurou que "tudo faremos para sermos parte inteira" deste projecto em que a vila de Caminha se destaca entre as demais localidades de diversos pontos do país.
Miguel Alves teve palavras duras para aqueles que se posicionaram contra a adesão do município caminhense à Fundação Serralves, os mesmos que "deixaram a cultura em segundo palco", acentuou, optando simplesmente pelo "vitupério e maledicência", ou por distribuir suínos, e que "agora criticam a cultura".
O autarca frisou na sua intervenção que Caminha "é um concelho que pinta", além de promover muitas outras actividades educativas e culturais, apontando como exemplo a recém-inaugurada Biblioteca Municipal, em relação à qual, "quem por aqui andou, não quis fazer".
Dirigindo-se directamente a Braga da Cruz (durante muitos, presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte), sublinhou "o carinho que sempre demonstrou pela nossa terra" e a sua vontade para que Caminha fosse fundadora da Fundação Serralves ("também uma concretização sua", recordou a propósito da criação desta fundação), como veio a suceder.
Perante diversos agentes locais do associativismo cultural, Miguel Alves, após elogiar o seu contributo neste campo e a possibilidade de chegarem futuramente até Serralves, desafiou-os a "não se deixarem intimidar por aqueles que não apostam na cultura no concelho".
"É a primeira vila a aderir a Serralves"
Ana Pinho, ao usar da palavra neste acto, acentuou que "é com enorme gosto que estou aqui, na companhia de Ana Pires de Lima, vice-presidente do Conselho de Administração de Serralves" (com residência em Arga de Cima, uma munícipe, como destacou Miguel Alves), a que não era alheio o facto de Caminha ter sido a primeira vila a aderir ao projecto de Serralves.
Recorde-se que o Município caminhense se comprometeu com a Fundação Serralves para os próximos quatro anos, contribuindo com 25 mil euros anuais, tendo como contrapartidas a presença em Caminha de exposições itinerantes de Arte Contemporânea desta instituição portuense - como a que se inaugurou nesse dia em quatro polos da vila: Museu Municipal, antigo posto do Turismo, Torre do Relógio e Galeria Caminhense.
A exemplo do que Miguel Alves também referira (a proximidade à Galiza), Ana Pinho felicitou a Câmara Municipal de Caminha e apontou este intercâmbio com o país vizinho como um exemplo a seguir, porque "Serralves", para além das mais de 500 actividades desenvolvidas anualmente, "também quer levar a cultura para fora dos seus muros", expondo em todo o mundo, apontando para os próximos tempos a presença de exposições itinerantes no Brasil, Espanha, EUA e Suíça.
Definiu as actividades de Serralves como de "serviço público" na arte e educação, estabelecendo parcerias na cidade do Porto, de modo a que a "produção local" chegue a todos os espaços, em que incluiu as que se criarem fora deste município, gerando desta forma "um grande dinamismo".
"Cultura e desenvolvimento estão ligados"
A presença em Caminha de Braga da Cruz, levou a presidente de Serralves a saudá-lo pelo seu "entusiasmo" nas diligências encetadas para que o município da foz do Minho concretizasse esta parceria, considerando "ser uma honra ter Caminha no seu corpo de fundadores", insistiu.
Após a assinatura do protocolo que vincula o Município caminhense à Fundação Serralves, Braga da Cruz proferiu algumas palavras, confirmando o desafio lançado ao presidente da Câmara de Caminha, quando ambos coincidiram num seminário realizado na Tunísia dirigido aos orçamentos participativos, no sentido de aderir à ideia de Serralves, porque, justificou: "cultura e desenvolvimento estão ligados".
Em tom algo filosófico, Braga da Cruz admitiu que nos possamos interrogar sobre o que é a cultura, definindo-a como "tudo o que contribui para compreender a evolução humana".
Classificou o projecto de Serralves uma referência mundial, fruto do "desenvolvimento de novas gerações", no campo da "tolerância, valorizando a criatividade e a inovação".
Como tal, louvou a decisão do município caminhense por "estar a pensar nos jovens e no futuro", a par do incremento da cooperação transfronteiriça, da qual foi mais um exemplo a presença de António Lomba, alcaide de A Guarda, concelho com quem Caminha tem em preparação uma candidatura para a classificação do Estuário do Rio Minho como Património Mundial da UNESCO.
A terminar, Braga da Cruz, frisou que "felicidade, é nós estarmos em equilíbrio com nós próprios, os outros e o que nos rodeia".
Terminado este acto, foi proporcionada uma vista guiada por técnicas do Museu de Serralves, aos quatro pontos desta Exposição Itinerante que se manterá na sede do concelho até 17 de Abril.
No final desta parceria o PS emitiu um comunicado.



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