Os rumores confirmaram-se e tudo se precipitou durante esta semana.
A vereadora Ana São João pediu ontem a renúncia do mandato ao presidente da Assembleia Municipal de Caminha.
Contactamos a edil que possuía pelouros importantes como o ensino e acção social, a fim de confirmarmos a sua saída do elenco camarário e saber as razões que a levaram a abandonar o cargo para o qual fora eleito em terceiro lugar na lista do PS nas eleições autárquicas de 29 de Setembro de 2013.
Ana São João alegou "motivos pessoais e outros" para deixar este cargo político a meio do mandato, e mais não quis comentar.
Refira-se que na reunião camarária desta semana, a vereadora não compareceu, quando os eleitos tinham na ordem do dia documentos tão importantes para apreciação, como o Orçamento e Plano de Actividades para 2016.
Acção social desce de 216 mil euros para 86 mil
Curiosamente (ou não), a oposição social-democrata focou uma das suas críticas ao Orçamento, na descida acentuada das verbas destinadas ao apoio às famílias, que passaram de 216 mil euros em 2015, para 86 mil em 2016, e no aumento das rendas sociais em mil por cento, enquanto que se mantinham praticamente inalteradas as rubricas para a cultura e desporto. Ainda no período prévio da reunião, Flamiano Martins perguntou para quando a convocação do Conselho Municipal da Educação, quando já o tinham feito em sessão anterior. Miguel Alves respondeu que não sabia e não poderia responder porque a vereadora não estava presente.
As demissões anteriores
Perante esta baixa no Executivo de Miguel Alves (recorde-se que parece ser sina dos executivos caminhenses dos últimos anos, a saída de vereadores a meio dos exercícios, sendo exemplo disso os abandonos de Humberto Domingos e Bento Chão, nos primeiro e segundo mandatos de Júlia Paula), tentamos obter uma reacção do autarca.
Miguel Alves confirmou que recebera ontem mesmo Luís Mourão, presidente da Assembleia Municipal, e que este lhe comunicara a recepção de uma carta da vereadora demissionária, em que apresentava a renúncia ao mandato, do qual "já conhecia informalmente, porque tivemos oportunidade de conversar sobre esta matéria, aprofundadamente".
Questionado sobre as razões do abandono, Miguel Alves respondeu que nessa carta "não são apresentadas os motivos, embora pessoalmente, me tenha apresentado a mim motivos pessoais e privados para renunciar ao mandato".
Miguel Alves agradeceu "estes dois anos"
Apesar da saída da edil, o presidente do Município agradeceu "estes dois anos de trabalho conjunto" e elogiou esta "profissional de grande gabarito, conforme o provou também no trabalho desenvolvido em várias instituições de solidariedade social".
Acentuou ainda o seu contributo "fundamental como membro de uma candidatura de um projecto que quis a mudança no concelho de Caminha" que se confirmou nestes dois anos, segundo opinou.
Miguel Alves disse compreender que "algumas razões pessoais obriguem a inverter os caminhos que vamos seguindo".
Enaltecido trabalho desenvolvido
Num momento sempre conturbado como o que o PS vai viver nestes próximos dias, Miguel Alves enalteceu o desempenho da antiga vereadora, nomeadamente na "extensão da gratuitidade dos transportes escolares a todos os alunos do ensino obrigatório no concelho de Caminha até ao 12º ano"; o modo como se empenhou na defesa da escola pública, sendo exemplo disso a manutenção da escola básica e o jardim-de-infância de Venade, "quando o Governo queria transferi-los para Moledo"; "o trabalho em prol da coesão social durante este período de austeridade fortíssima", a despeito dos "condicionalismos económicos" da câmara municipal, designadamente "o acompanhamento quase individual em todas as situações de dificuldade da nossa comunidade".
Sublinhou ainda a ligação da vereadora Ana São João ao recente lançamento da reabilitação do mercado municipal, levando-o a enaltecer a sua prestação durante dois anos e, "sei", acentuou, "que nos vamos ainda encontrar muitas vezes no trabalho que vamos desenvolver pelo concelho de Caminha".
Pelouro da acção social com verbas reduzidas
Questionado sobre a descida da verba inscrita em orçamento para 2016, para a rubrica de apoio às famílias, como uma das razões para a saída da vereadora, Miguel Alves disse não acreditar nesse motivo, porque "não foi apontada nenhuma razão nesse sentido, apenas invocando razões pessoais", insistindo na amizade pessoal que o une à vereadora, gerada durante estes dois e na "admiração por aquilo que fez e continuará a fazer pela comunidade".
Existindo informações de que até ao presente (final de Outubro), o vereador com o pelouro das finanças apenas disponibilizara 14.000€ ao pelouro da acção social, dos 216 mil inscritos em Orçamento para 2015, Miguel Alves contornou a resposta, dizendo simplesmente "que já disse o que tinha a dizer", insistindo nos elogios ao desempenho "exemplar" da ex-colega de vereação.
Miguel Alves assegura que "o projecto segue cada vez com mais empenhamento e a vereadora poderá contribuir para o desenvolvimento do concelho de Caminha".
O autarca comentou ainda que a saída de vereadores acontece em muitas câmaras municipais "pelas mais variadas razões", tal como já sucedeu no passado recente em Caminha, embora referisse que as razões desses abandonos no tempo do PSD "estivessem nas antípodas" das actuais.
Como substituto de Ana São João na vereação, perfila-se Rui Fernandes, o qual já tem vindo a marcar presença em algumas reuniões, substituindo vereadores em férias ou impedidos de comparecer.
Rui Fernandes confirmou-nos o convite mas, "estou a pensar no assunto", para dar uma resposta definitiva, frisou.
PSD desconhecia
Contactamos Liliana Silva, vereadora do PSD na Câmara de Caminha e presidente da Comissão Política, pedindo-lhe que nos desse uma opinião sobre este abandono mas, revelou desconhecer o que se passava, levando-a por isso a dizer-nos simplesmente que "não comento o que não conheço".
Entretanto, uma hora após termos contactado Liliana Silva, o PSD já estava a emitir um comunicado.