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Vilar de Mouros

Segunda reunião camarária descentralizada

Câmara prometeu promover classificação das antigas oficinas dos Fontes e Torres

Livro sobre a faiança vilarmourense deverá ser apresentado a 13 de Dezembro

Saneamento em carteira

Há três motivos para voltar a pedir a classificação das oficinas Fontes e Torres, como sucedeu há um ano e cinco meses atrás, disse Plácido Souto, membro do Grupo de Estudo e Preservação do Património Vilarmourense, no decorrer da intervenção realizada durante a reunião camarária descentralizada do passado dia 28: os edifícios poderão ser comprados por alguém; a degradação deste património acentua-se; pode desaparecer de vez.

Plácido Souto, ex-ferreiro, dirigiu-se directamente ao presidente da Câmara, perguntando-lhe em que fase se encontrava o pedido de classificação. Este, confrontado com a interpelação, após admitir "o valor cultural e histórico" das oficinas dos afamados ferreiros e serralheiros vilarmourenses, assegurou que na próxima reunião camarária ordinária seria incluída na ordem do dia uma proposta de classificação dos imóveis localizados no largo José Porto, como de "interesse municipal", no que se tornariam os primeiros edifícios do concelho de Caminha a receber tal protecção, assinale-se.

Sobre a sua reabilitação e adaptação a Museu dos Ferreiros, Miguel Alves divulgou que esse projecto fazia parte do mapeamento de candidaturas a apresentar no âmbito da Comunidade Intermunicipal do Alto Minho ao programa comunitário 2020. Aguarda pela evolução deste processo negocial com as demais câmaras e futuro Governo.

Álbum da cerâmica vilarmourense

O GEPPAV aproveitou ainda esta reunião descentralizada para anunciar o lançamento de um álbum sobre a faiança vilarmourense, cuja fábrica já desaparecida chegou a ser a única no distrito durante quase um século, frisou Plácido Souto.

Ultimam-se os trabalhos para que a obra seja apresentada no próximo dia 13 de Dezembro (Domingo de manhã), avançou o representante do GEPPAV, para cujo acto convidou desde logo todos os presentes, incluindo os autarcas.

Obra esta que contou com a colaboração da Câmara de Caminha, Junta de Freguesia de Vilar de Mouros e Direcção Regional de Cultura do Norte.

"Diálogo com a Junta"

Como é habitual nestas reuniões descentralizadas, é concedida a oportunidade aos presidentes de junta para exprimirem a sua opinião sobre elas, bem como elencarem as obras realizadas e os projectos que gostariam de ver concretizados com o apoio camarário.

Carlos Alves aproveitou a oportunidade para felicitar a Câmara pelo "diálogo" mantido com a Junta, citou obras apoiadas com materiais e equipamentos municipais e referindo-se ao próximo Festival, garantiu que "temos trabalhado em conjunto".

A despeito da obra realizada em sintonia com o Município, Carlos Alves sublinhou que "ainda não estamos satisfeitos", porque, justificou: "há muitas coisas que já deveriam estar resolvidas há muito tempo", dando como exemplos a instalação da rede de saneamento, apoios à rede viária, uma carrinha para transportes escolares, um parque infantil (Vilar de Mouros é a única freguesia que ainda não possui este equipamento), o passeio pedonal entre o CIRV e a escola primária, a recuperação da Casa do Barrocas, criação do Museu do Ferreiro, mais melhoramentos nos largos do Casal e António Barge, a limpeza do rio Coura e a classificação da Praia das Azenhas, entre outras reivindicações.

"Beleza natural"

A questão da classificação da praia das Azenhas mereceu igualmente um comentário da parte de Amélia Guerreiro, chamando a atenção para uma das "belezas naturais" de Vilar de Mouros, agora mais visitada desde que foi inaugurado o empreendimento turístico construído no antigo parque de campismo, a par do novo projecto em curso nos edifícios das Azenhas, que concentrará mais turistas no local. Sem esquecer as enchentes que se registam no verão, sempre que a nortada sopra em Moledo, disse, virando-se para o presidente da Câmara, natural desta freguesia.

Esta moradora pediu também acessos condignos à praia, para as pessoas com mobilidade reduzida.

"Problema de segurança"

A resposta a estes pedidos surgiu pela voz de Guilherme Lagido, vereador responsável pelo Ambiente.

O edil referiu haver um problema de segurança que deve ser controlado, para que se justifique a apresentação de uma candidatura. Divulgou a realização de 2/3 recolhas de amostras de água por semana, durante o último verão, dando como resultado que todas elas foram classificadas de excelentes, com excepção da de 16 de Setembro que revelou valores muito maus, pensando-se que tenham resultado das fortes chuvadas registadas nesses dias.

Perante o pedido de classificação da praia, Lagido referiu que pretende defini-la como "praia balnear", e, quanto aos acessos, recordou que o apoios de praia devem "garantir segurança", mas, "as acessibilidades são complexas", a par das rampas a colocar não serem do agrado do Ministério do Ambiente, atendendo à sensibilidade ambiental da área.

"Saneamento é questão recorrente"

O outro pedido relacionado com o saneamento - igualmente abordado por outra moradora, Julieta Pires, que já na primeira reunião descentralizada de 2014 tinha falado sobre o assunto -, mereceu algumas considerações por parte de Miguel Alves.

Frisou que se trata de um projecto "caro", cujos trabalhos se tornam "chatos" para os residentes enquanto eles decorrem, mas que "ninguém valoriza despois de concluídos". A despeito destes pormenores, o autarca recordou que os projectos de execução do saneamento para Vilar de Mouros, Argela e Âncora já se encontravam concluídos e aprovados pela Câmara, faltando apenas a chancela da Assembleia Municipal, o que não sucedeu ainda porque o PSD a inviabilizou. Referiu que estas obras nas três freguesias dependerão da aprovação das respectivas candidaturas, atendendo a que estão estimadas em mais de três milhões de euros, em que o Município deverá garantir a sua quota parte do financiamento. Começar a obra em 2017 é uma meta a atingir, prevendo a sua conclusão no prazo de três anos.

Piso da N301 complica vida dos automobilistas

Um piso "degradado" e com "remendos mal feitos", mereceu um protesto da parte de Julieta Alves, contudo, a reparação desta estrada não está para breve.

A Refer e a Estradas de Portugal foram fundidas numa única estrutura pelo Governo PPD/CDS e, no seu plano de intervenções, apenas prevêem melhorar o pavimento desta estrada de ligação de Caminha à A/28 em 2017.

"Ventos não sopram de feição"

O CIRV está sem dinheiro para obter a licença de utilização do seu edifício-sede, coisa que nunca existiu desde a sua inauguração, frisou Basílio Barrocas, presidente do antigo "clube" vilarmourense - como era conhecido.

O plano contra incêndios é muito caro, denunciou, levando-o a pedir à Câmara "o melhor apoio possível", pelo menos para esta exigência, alertou.

Este dirigente associativo aproveitou esta oportunidade concedida aos moradores de "falar olhos nos olhos" com a Câmara, para dissertar sobre as dificuldades com que as colectividades se deparam na renovação dos quadros directivos, dando como exemplo o próprio Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense.

Os jovens emigram, os trabalhos são precários, apontando o sucedido com um dos elementos da sua direcção, obrigado a emigrar dois meses após ter sido investido em funções. Recordou que os ensaios para a tradicional peça de teatro de Natal estão em curso, apesar das inúmeras dificuldades em recuperar um hábito muito caro aos vilarmourenses, assinalou. No entanto, um dos actores fá-lo com muito sacrifício porque tem de se levantar às 4H30 da madrugada para ir trabalhar.

Com a conta bancária a bater no fundo, o CIRV debate-se também com dificuldades na manutenção da escola de música, com custos na ordem dos 200€/mês.

Magusto e transportes públicos

Após anunciar a realização de um magusto no dia 15 de Novembro a cargo do CIRV, Basílio Barrocas, já na qualidade de morador, pediu um estudo que permita criar transportes público nesta freguesia (nem táxi há, lamentou) e em outras do interior do concelho, tendo em consideração as dificuldades com que se deparam as pessoas idosas, porque, justificou: "temos de ser nós a lembrarmo-nos delas".

Miguel Alves não se comprometeu com o pagamento dos custos das exigências da protecção civil, apenas prometendo "ver o que se poderá fazer" tendo em vista o próprio orçamento camarário, apenas garantindo apoiar a escola de música "dentro de semanas". Considerou "muito triste" o que se passa com os transportes públicos, mas, "avaliaremos" a situação para que se possa eventualmente fazer alguma coisa.

Vespas asiáticas - tema transversal

Amélia Guerreiro foi mais uma das habitantes deste concelho a manifestar preocupação com a proliferação da vespa asiática, igual ao que muitos outros munícipes têm feito no decorrer das descentralizadas.

"É um problema de futuro", asseverou esta vilarmourense, após sugerir aos municípios que se juntassem e estudassem uma forma mais eficaz de combater esta praga que destrói as abelhas autóctones e, consequentemente, a produção de mel e a polinização.

"Temos feito um trabalho razoável"

Guilherme Lagido tem sido o porta-voz camarário neste tema, respondendo que o combate a "esta espécie exótica e invasora" deveria competir aos diferentes departamentos do Estado, designadamente a prossecução de estudos sobre este insecto e qual a melhor forma de a eliminar. No entanto, os municípios vão tentando fazer o possível. No caso de Caminha, foi estabelecida uma parceria com os Bombeiros que procedem às incinerações, mediante uma contrapartida financeira.

A propósito, contou um caso anedótico ocorrido em Argela, quando o proprietário de um terreno proibiu os bombeiros de eliminar um ninho de vespas velutinas.

PSD esclareceu "questão formal"

No final da reunião, Flamiano Martins, vereador da oposição, chamou a atenção para o facto de os mesmos assuntos trazidos à colação há 14 meses atrás, voltarem a ser repetidos nesta sessão. Referiu ainda, em relação ao adiamento da votação do projecto de execução do saneamento, que a posição do PSD na AM se ficara a dever ao facto de não estar aprovada a acta da Câmara em que essa proposta fora apresentada e viabilizada, tratando-se, portanto, de uma "questão formal".

Miguel Alves falou numa "zona sombra"

Retorquindo, a rematar a reunião, Miguel Alves, após citar algumas iniciativas e obras desenvolvidas nesta freguesia (apontou a nova aposta na organização do Festival e a colocação da cobertura no palco do Casal, como algumas delas), disse que Vilar de Mouros "esteve numa zona de sombra, de esquecimento, durante 12 Anos".


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