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GOLPE DE TEATRO NA ELEIÇÃO DA MESA DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE CAMINHA
CDU APRESENTA LISTA MONOCOLOR E VENCE (21-20)
JÚLIA PAULA AFIRMOU QUE "AS DIFICULDADES SERVEM DE MOTIVAÇÃO PARA ENFRENTAR OS DESAFIOS"
Bem se pode dizer que a eleição da Mesa da Assembleia Municipal de Caminha superou a expectativa gerada pelo discurso de investidura de Júlia Paula no "primeiro dia de um novo ciclo para o concelho de Caminha", como a recém-empossada definiu este período de quatro anos, em que se manifestou aberta "ao diálogo e ao debate de ideias".
Efectivamente, a igualdade registada pelo PSD e PS no número de deputados municipais (18 cada) concedia protagonismo à CDU (3 eleitos) e aos dois presidentes de Junta de Arga de Cima e de S. João, eleitos em plenário.
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Quando Abílio Silva escolheu dois deputados do seu partido (Flamiano Martins e Severino Sousa) para secretariarem provisoriamente o escrutínio resultante da eleição da Mesa da Assembleia Municipal e pediu aos partidos para que apresentassem propostas por listas (assim o aprovou a Assembleia, em detrimento da votação nominal), a tensão |
aumentou na sala (exígua para albergar tão elevado número de assistentes) perante a incerteza do resultado que se adivinhava.
O PSD apresentou uma lista composta por Abílio Silva, Flamiano Martins e Severino Sousa e a CDU adiantou os nomes de Carlos Alves (presidente da Junta de Vilar de Mouros), Mário Molinos e Domingos Vasconcelos, os três representantes da coligação neste orgão municipal.
O PS optou por não entregar qualquer proposta.
Contados os votos, registou-se a vitória tangencial da lista da CDU (21-20), constatando-se que o PS votou em bloco nesta coligação, o mesmo fazendo o PSD relativamente à sua aposta, recolhendo ainda os votos dos autarcas de Arga de Cima e de S. João, insuficientes, contudo para obter a vitória. |
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Tal votação inédita, em que um partido minoritário passa a dominar a Mesa de uma Assembleia Municipal, sem necessitar de se coligar (formalmente) com ninguém, foi alvo de comentários para todos os gostos por parte da assistência que abarrotava os Paços do Concelho até à entrada. |
ABÍLIO SILVA VÊ NEGADA TERCEIRA TENTATIVA PRESIDENCIAL
Abílio Silva que, mais uma vez, se vê impossibilitado de presidir a um orgão autárquico caminhense, depois de duas tentativas goradas em mandatos anteriores, nesses casos, para a presidência da Câmara Municipal, não se mostrou agastado com o resultado da votação. |
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Usando uma terminologia popular, explicou ao CAMINH@2000 que o "povão elegeu-me a 16 de Dezembro e o povinho, ou seja, os que representam a Assembleia não o entenderam", acrescentando que se "isto satisfaz o Partido Socialista, também me congratulo com isto, e se é a vitória deles e assim estão satisfeitos, tudo bem".
Abílio Silva concluiu as suas declarações, "agradecendo às pessoas que ainda acreditaram e votaram em mim e que foram mais de 800 relativamente ao meu adversário mais próximo, mas o sistema eleitoral é assim, a democracia é isto, há que saber perder e quando para aqui vim foi para perder ou ganhar. Perdi por um. Encantado. Desejo felicidades à nova Mesa da Assembleia", rematou.
A VINGANÇA SERVIDA A FRIO
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Da parte do PS, Jorge Fão, presidente da Comissão Política Concelhia e agora vereador da oposição, referiu à imprensa que o seu partido optou por não apresentar qualquer lista, pelo facto de nas eleições de 16 de Dezembro, o eleitorado não lhes ter manifestado confiança. |
Negou qualquer entendimento com a CDU, e o facto de os votos do PS terem caído por inteiro na lista desta coligação, se teria ficado a dever a opções individuais dos deputados municipais e dos presidentes de Junta socialistas.
Exemplificou com o que se registou na votação seguinte, para eleição do representante das juntas de freguesia do concelho, em que a lista apresentada pelo PS (Diamantino Bártolo, presidente da Junta de Freguesia de Venade) perdeu pela mesma diferença, relativamente à apoiada pelo PSD (Manuel Marques, presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora).
Jorge Fão também não quis associar esta conjugação de votos a possíveis coligações futuras alargadas com a CDU, designadamente nas próximas eleições autárquicas.
CARLOS ALVES NÃO TEME REPRESÁLIAS
Da parte da CDU, Carlos Alves, reconheceu ao CAMINH@2000 que ainda não se tinha "vestido bem na pele de presidente da Assembleia Municipal". |
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Pedindo-lhe um comentário a este "milagre", em que um partido com três deputados municipais no seio de 41, consegue eleger todos os seus representantes para a Mesa da Assembleia Municipal, atribuiu-o às "regras democráticas, situações que a lei prevê, e atendendo ao facto de na Assembleia Municipal não existir qualquer força que disponha de maioria para, só por si, evitar estes casos".
Questionado sobre o posicionamento do presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Mouros perante o executivo municipal social-democrata, quando vai liderar a Mesa da Assembleia Municipal com os votos do PS, Carlos Alves não antevê nenhum problema, antes pelo contrário, "julgo que terão de existir relações de bom e saudável entendimento institucional, trabalhando em prol do concelho, sem bloquear coisa nenhuma".
Acrescentou estar convicto de que nem a Junta de Freguesia de Vilar de Mouros "será bloqueada, nem nós, na Mesa, iremos contrariar o progresso e o desenvolvimento do concelho".
Quanto à confiança em gerir da melhor maneira as reuniões da Assembleia Municipal, reconheceu que a experiência não é "nenhuma, mas tentaremos fazer o melhor, pelo que conto com a Assembleia e com os meus colegas da Mesa, para que esse trabalho se possa desenvolver e prestigiar a Assembleia Municipal de Caminha".
NEGADO ACORDO CDU/PS
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Este vilarmourense negou a existência de qualquer acordo com o PS -embora admitisse a existência de contactos, tal como com todos os partidos, quando não existem maiorias- e confirmou a recusa, desde a primeira hora, em fazer coligações com quem quer que fosse, optando por apresentar uma lista própria e "deu o que deu, quem nos quis seguir, seguiu e quem não quis, não quis, mas ganhámos". |
Sobre o facto de a CDU não ter apresentado Mário Molinos à presidência da Assembleia Municipal, atendendo a que tinha sido o primeiro da lista, declarou tratar-se de uma "decisão colectiva" tomada pelo facto de este candidato "ter sido perdedor à liderança que assumiu a este orgão autárquico", nas eleições de Dezembro último.
A eventualidade de este passo ser indiciador de uma eventual coligação PS/CDU às próximas eleições autárquicas, dentro de quatro anos, afirmou não ter qualquer ideia sobre tal possibilidade, porque durante esse período "muitas coisas acontecerão e, de momento, o nosso espírito é simplesmente trabalhar em prol do concelho e depois se verá".
"SE NÃO VOTAREM CONVENIENTEMENTE QUEM SERÁ PENALIZADO É O POVO"
Da parte de Júlia Paula, que não assistiu ao desenrolar da reunião após ter sido investida, optando por preparar no seu gabinete a sua acção como nova presidente de Câmara, comentou-nos que a legislação existente "é esta", havendo que dar "cumprimento à legalidade", mas que não fora "respeitada a vontade popular que maciçamente tinha votado PSD". |
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Júlia Paula não considerou "problemática esta distribuição", entendendo que as pessoas deverão retirar as suas próprias conclusões políticas", destacando o facto de para os representantes das freguesias ter ganho o PSD e para a Mesa da Assembleia a escolha ter recaído na CDU.
Perguntando-lhe se não receava que este tipo de votação se voltasse a repetir ao longo do mandato, retirando-lhe algum espaço de manobra, a autarca recordou o seu discurso de tomada de posse, contando com o "rigor e disciplina em termos de as pessoas perceberem aquilo que é importante para a melhoria do concelho, acabando por ter arcaboiço político e votarem convenientemente, porque se não votarem, quem será penalizado, não serei eu, mas o povo", adiantou.
REGIMENTO ADIADO
Constando da ordem de trabalhos a aprovação do Regimento pelo qual a Assembleia se deverá reger, após as intervenções convergentes de Francisco Cunha (PSD) e António Bernardo (PS), alegando a impossibilidade de analisar um documento que a maioria dos novos delegados não possuíam e o facto de ele ter sido objecto de revisão recente, foi deliberado criar uma comissão composta por Francisco Cunha, Domingos Vasconcelos (CDU) e António Quartéu (PS) para proceder à sua análise e eventual revisão.
Mas se a eleição da Mesa da Assembleia Municipal acabou por atrair as atenções dos presentes (Abílio Silva não se cansou de verberar as condições em que a reunião decorreu, enquanto dirigiu interinamente os trabalhos, pelas quais pediu desculpas mas não assumindo qualquer culpa), o discurso de investidura de Júlia Paula era aguardado com expectativa.

A nova presidente -a primeira e única do Alto Minho- destacou algumas linhas de orientação pelas quais vai pautar a sua actuação, de acordo com o que foi dizendo durante a campanha.
"FAZER MAIS E MELHOR POR CAMINHA"
A reorganização dos serviços municipais -pediu a colaboração dos seus funcionários- e o combate ao "desperdício" e a definição de uma gestão "rigorosa e transparente", foram destacadas pela autarca, que prevê uma fase inicial para "avaliar as condições, para pensar", passando posteriormente a uma fase de planeamento e acção.
Mostrando-se convicta de que projectos para Caminha "não faltarão", só espera que não escasseiem os "meios financeiros necessários para os concretizar", passando então a enumerá-los, tendo em vista um desenvolvimento "harmonioso e sustentável", sem discriminação de pessoas ou freguesias;
- Potenciar os atributos naturais do Concelho para o tornar mais atractivo, quer para os investidores, quer para os turistas e visitantes;
- Criação de infra-estruturas que permitam a fixação de empresas
- Pugnar para que o Rio Minho seja não só uma atracção, mas uma mais valia, prometendo lutar até ao limite das forças para que os seus problemas sejam minimizados urgentemente e o Portinho de Vila Praia de Âncora avance;
- Defesa acérrima do meio ambiente (Rios Minho, Coura e Âncora) apelidados de "jóias da coroa"
- Asseio dos parques e jardins dos centros cívicos das vilas e freguesias;
- Preservação do Centro Histórico de Caminha
- Elevação de Caminha a cidade (uma ideia nova e que não será pacífica)
-Planos de recuperação e reabilitação das zonas urbanas mais problemáticas;
- Declaração de "guerra" ao caos urbanístico, revisão do PDM, pôr em andamento planos de urbanização e de pormenor, pelo que conta chamar a Caminha grandes nomes da arquitectura. É a chamada inovação e excelência.
Afirmando estar imbuída de um espírito de missão para atingir estes e outros objectivos, voltou a reafirmar que Caminha está em boas mãos -o slogan da sua campanha, prometendo não "gastar energias em querelas políticas estéreis, nem alimentaremos fogueiras de vaidade".
Júlia Paula foi interrompida com aplausos, por diversas vezes.
A primeira reunião do novo executivo terá lugar dentro dos primeiros cinco dias regulamentares.
"PODER NÃO SE DEVE ENQUISTAR"
De entre as diversas individualidades convidadas, Oliveira e Silva, governador civil do distrito, não deixou de estar presente, referindo ao CAMINH@2000 que a "candidata vencedora obteve uma vitória convincente, havendo que a saudar por isso e representa, realmente, uma inovação, mas é um acto democrático, nós vivemos das alternativas e o poder não se deve enquistar". |
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Apesar de o seu partido (PS) ser responsável por esta Câmara havia já mais de duas décadas, considerou "perfeitamente natural que as pessoas queiram experimentar outros caminhos, pelo que devemos colaborar com quem venceu, a fim de que tenhamos um concelho ainda mais próspero e mais belo -que já o é muito- do que aquilo que já temos".
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