![]() Jornal Digital Regional Nº 588: 19/25 Mai 12
(Semanal - Sábados) |
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Contas camarárias/11 com interpretações díspares
Oposição e câmara divergem quanto ao exercício camarário de 2011 aprovado pela maioria social-democrata e presidentes de junta, em assembleia municipal. A oposição teve palavras duras na apreciação às contas camarárias de 2011. A CDU definiu-as como "retórica de números", o BE considerou existir uma "distorção" entre o previsto e o realizado e o PS falou em "situação de ruptura". Para Júlia Paula, o exercício do último ano "foi uma boa execução". Os partidos da oposição leram textos previamente elaborados e Júlia Paula, presidente do executivo camarário, ripostou.
A presidente do executivo camarário, respondendo às apreciações de Paulo Bento (BE), Carlos Alves (CDU) e Fernando Lima (PS), considerou inadmissível que tivessem criticado um investimento de capital de 65%, comparando-o com os dos anos anteriores, pelo que considerou "demagógicas" as palavras da oposição, nomeadamente as do BE. Aludiu à impossibilidade de acesso a candidaturas que seriam comparticipadas pelo FEDER, em que corresponderia à câmara pagar 25%, o que teria inviabilizado algumas obras, mas referiu que a execução financeira de outras (dando como exemplo a instalação de saneamento a sul de V.P.Âncora) só terão repercussão nas contas de 2012, apesar de iniciadas no ano passado. Júlia Paula valorizou a execução de 65% num contexto de crise com reflexos na construção e na consequente diminuição das taxas a receber pelo município, e ainda pelo facto de o Governo "ter mudado as regras do jogo" quando o Plano de Actividades e Orçamento para 2011 tinham sido concebidos noutra perspectiva. Aludiu ainda a uma redução de 13% nas despesas correntes, rejeitando por isso a catalogação de "despesismo" com que tinham sido mimoseados. A autarca rejeitou um eventual recurso a auditorias às contas a cargo de um Revisor Oficial de Contas sugeridas pelo BE, pelo facto de custar dinheiro e, prosseguiu, "não há ninguém tão controlado como as câmaras municipais", como sucede com a DGAL, Tribunal de Contas e inclusivamente o Governo por causa das exigências da "Troika". Como vem sendo habitual, Júlia Paula foi buscar as contas da câmara do BE em Salvaterra de Magos, para tentar contrariar as argumentações dos bloquistas, dizendo que "a Câmara de Caminha não é diferente dos outros concelhos". Após jogar (brincando, como assinalou) com as palavras defraudada e desfraldada, com que o PS utilizou uma delas na sua intervenção, Júlia Paula aproveitou o caso do desacerto das contas do ferry-boat para criticar a gestão socialista desde a criação deste serviço em 95 até ao ano de 2006, para recordar a Fernando Lima que se tivesse existido POCAL nessa altura, não haveria confusão com as contas e seriam contabilizadas anualmente. E, atirando-se ao PS, recordou que fora devido à falta de controle que tinham celebrado um acordo em 2000 com a "Minho e Lima sem preverem o desastre financeiro que isso iria provocar", razão da existência da dívida constante nas contas de 2011, assegurou o autarca social-democrata, atacando a governação de Sócrates pelas ilusões criadas com esse protocolo. Júlia Paula, após diversas considerações pessoais de índole política sobre a gestão socialista em termos locais e nacionais, garantiu que a dívida de 1,6 milhões de euros apresentada na gestão de 2011, se resumia aos dinheiros do ferry e Minho e Lima. Referiu que se conseguir reaver os dinheiros em atraso do ferry (incluindo com recurso a uma acção judicial, porque o alcaide de A Guarda diz que o passivo anterior à sua gestão estaria já prescrito, segundo a lei espanhola) e vencer a acção que interpôs contra a Minho e Lima, gostará de "ver a cara de V. Exªs (deputados da oposição)".
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