Paisagem de Caminha
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Nº 5: 25 NOV a 1 DEZ 2000

PESCADORES ANCORENSES RECEIAM
EXPLORAÇÃO DE MEXILHÃO
NA COSTA

INVESTIMENTO PRODUZIRÁ ESPÉCIES DE QUALIDADE

Um projecto de instalação de jangadas flutuantes para a cultura extensiva de mexilhão, orçamentado entre 300 a 400 mil contos, a duas milhas do Portinho de Vila Praia de Âncora e a cerca de "vinte braças de profundidade" (35 metros) está a causar algum receio junto da classe piscatória.

Tendo sido aberto um período de reclamação pela Capitania do porto de Caminha, os pescadores ancorenses já entregaram um abaixo-assinado con- tendo 125 assinaturas, manifestando o seu desagrado pelo local escolhido, uma zona de "pesqueiro onde nós, os caminhenses e os vianenses fainamos sempre", declarou-nos Manuel Franco,

um dos promotores da contestação à eventual colocação das plataformas no mar.

Neste local, são capturadas diversas espécies de pescado, como a sardinha, linguado, polvo, marisco, etc., daí o receio de verem afectado este sustentáculo da pesca artesanal.

Como alternativa, os pescadores propõem um afastamento da costa para além das quatro milhas, receando, contudo, que não aceitem tal sugestão, devido à "grande riqueza de viveiros de peixe existente na área pretendida", para além de ter ouvido dizer que esta arte "produz muito junto de costa e não em profundidade", acrescentou Manuel Franco.

As reservas adensam-se perante a possibilidade de redução da zona de pesca, atendendo a que as jangadas "ficarão presas ao fundo do mar por correntes grossas, impedindo-nos de lançar as redes nesses sítios", sublinhou este homem do mar.

Recordou ainda que já existe uma plataforma no mar de Montedor, e que a sinalização é fraca, apenas possuindo "um pisca-pisca de cinco em cinco minutos", o que considerou insuficiente para alertar a navegação.

"MELHOR QUALIDADE DO QUE A PRODUÇÃO GALEGA"

"Contactado um técnico especialista na cultura do mexilhão e outros bivalves e que acompanhou este processo, referiu-nos ter havido o cuidado de escolher uma zona que "menos afectasse a pesca artesanal", podendo os pescadores continuar a fainar entre as próprias bateiras -está previsto um número de trinta unidades-, já que vão deixar corredores, quer do lado do mar, quer de terra.

Referiu-nos mesmo que nas zonas onde existem estas jangadas, o número de pescadores desportivos é elevadíssimo, uma vez que as cordas onde se sustentam os mexilhões "funcionam como um recife artificial extremamente atractivo para todo o tipo de peixes".

Colocou fora de hipótese qualquer espécie de poluição, adiantando que não serão utilizadas rações ou outros produtos, e os bivalves se alimentarão de microorganismos e do próprio plâncton da água do mar.

Numa fase inicial, recorrerão a espécies selvagens, passando no futuro a existir cordas para juvenis e de engorda, pensando que ao fim de um ano e meio a produção já esteja em pleno, dada a rapidez de crescimento destes moluscos.

"O QUE É NOVO TRAZ RECEIOS"

Este especialista, que preferiu o anonimato, dado não ser ele o investidor, sustentou que só haverá vantagens para a região, a existência deste tipo de actividades, e que compreendia algumas reticências por parte dos pescadores, temerosos deste novidade que, a ser implementada, criará 20 postos de trabalho directos nas próprias plataformas, sem contabilizar outras funções por inerência do funcionamento desta indústria do mar.

Recordou que 95% da produção de mexilhão a nível mundial está concentrada na Galiza, uma das justificações por que a sociedade que se propõe levar por diante este projecto seja formada por cidadãos desse país.

Questionado sobre eventuais receios de que o mar possa causar danos nas estruturas reforçadas com estacas e formadas por bidões grossos semi-submersos, referiu que em caso de previsão de temporal poderiam colocar debaixo de água todas as plataformas. O único contratempo poderia verificar-se com os mexilhões alevins, caso não se segurem às cordas suspensas das bateiras, mas dada a tendência para eles se fixarem aos bivalves mais desenvolvidos, mercê de um sistema de auto-suficiência, isso até poderá nem constituir problema.

Sobre uma eventual deficiência de sinalização marítima das estruturas flutuantes, declarou não existir qualquer obstáculo, tudo estando previsto conforme o determina a legislação marítima.

Caberá à Secretaria de Estado das Pescas, a palavra final sobre este projecto.


MEIXÃO ESCASSO NO RIO MINHO

A lua nova deste Novembro ainda não resultou na fartura de meixões que os pescadores do rio Minho desejariam e se os mais afoitos, havia já alguns dias que tentavam a sua sorte nas águas revoltas do rio, as escassas gramas rape- tadas, faziam prever uma safra aquém das naturais expectativas.

Segundo alguns pescadores, a água que "vinha de cima era muita e o mar virou tarde", pelo que era de aguardar pelas noites mais próximas da lua nova.

A situação melhorou um pouco, e já houve quem apanhasse entre um quilo e quilo e meio, ainda longe da fartura de outros épocas.

Recorde-se que no ano passado, a míngua do meixão (enguia alevim) foi uma constante durante toda a safra, pelo que os receios voltam a apoderar-se dos pescadores.

Quanto a preços, aguardam pelos pagamentos dos compradores, o que só deverá ser feito após o fim da lua.