Paisagem de Caminha
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Nº 5: 25 NOV a 1 DEZ 2000

DEPUTADOS DESCERAM À ESCOLA

JOGO DA CIDADANIA DEU 2º LUGAR
À EB 2,3/S DE CAMINHA

António Martins (PSD) Daniel Campelo (PP) José Carlos Tavares (PS)

Habituados a situá-los preferencialmente no hemiciclo de S. Bento, a presença de deputados representando as três forças políticas distritais com assento parlamentar na Escola EB 2,3/S de Caminha, no passado dia 20, só se ficaria a dever a um motivo deveras importante ou emblemático.

Sala do Hemiciclo

Tratava-se da entrega de cinco computadores e respectivas impressoras a este estabelecimento de ensino, por parte do Instituto Português da Juventude, correspondente ao 2º prémio Hemiciclo 2000 - Jogo da Cidadania, este ano direccionado para um "convite aos cidadãos à participação na vida política", motivado pelo "desinteresse dos jovens do 10º ao 12º ano pela discussão de temas políticos", como explicou Pedro Meireles, presidente do IPJ.

DEMOCRACIA PARTICIPATIVA
Prof. Rosa Pires recebe computador

Baseado no pressuposto de que "não há democracia sem participação cívica", alunos destes três graus de ensino da escola caminhense, orienta- dos pela professora Rosa Pires, con- correram com outros 250 estabele- cimentos do ensino secundário, clas- sificando-se entre os três primeiros lugares, sendo de referir que os vence-

dores apresentavam a particularidade de não se situarem em grandes centros urbanos.

Pedro Meireles não se cansou de sublinhar que esta luta contra a ideia feita de que a "política é uma coisa suja e que apenas diz respeito aos outros", foi a "finalidade última deste jogo" e que a "inversão de tendências se fazem com pequenos gestos como estes".

VOTAÇÃO PELA INTERNET

O responsável pela política governa- mental para a juventude justificou a opção por este tipo de prémios, como uma forma de "fomentar as tecnologias da informação entre os jovens", adiantando que o próximo concurso permitirá a escolha do tema mediante a votação dos alunos através da internet, entre cinco alternativas possíveis, e no

Presidente do IPJ
seguimento da pequena experiência já ensaiada em 2000, embora sem carácter decisivo, devido a algumas dificuldades de carácter técnico que tal comportava.

Como a escola estava em festa, os convidados foram presenteados com o que de melhor os alunos podiam oferecer: teatro, música, poesia e canto.
Apresentadores e Associação de Estudantes Poesia: Fernando Pessoa e José Régio Auto da barca do Inferno

"CIDADANIA DEMOCRÁTICA"
Mesa

Na hora dos discursos de ocasião, Maria Esteves, presidente do Conselho Executivo, evidenciou algum orgulho pela presença dos representantes do povo do distrito nesta "homenagem" aos jovens estudantes que se propuseram "elevar a participação cívica" e, de tal forma se superaram, que os prémios atestam por si.

"Contra os que falam da geração rasca, estes jovens souberam dar a resposta adequada", afirmou esta professora, para quem é fundamental "perspectivar os cidadãos futuros"(...)"combater o déficit democrá- tico"(...)"lutar pelos direitos e responsabilidades dos futuros jovens governantes".

Presidente do Conselho Executivo
Vereador da Cultura
Na óptica da câmara de Caminha, expressa por Augusto Sá, vereador com o pelouro do ensino, e após manifestar o "apreço" por iniciativas como estas encetadas pelo IPJ, reconheceu ter existido "muito trabalho de vastidores por parte de professores e alunos na obtenção deste prémio", pelo que os felicitou.

"AQUELA VOZ..."
Governador Civil

Coube a Oliveira e Silva, governador civil de Via- na do Castelo, encerrar a sessão "oficial", disser- tando ao redor do espe- ctáculo proporcionado

Diana

pelos jovens estudantes, não lhe tendo passado despercebido -nem aos deputados presentes- aquela "voz acabada, naquela idade" da pequena cantora Diana, a verdadeira coqueluche da tarde...e da Escola.

No final, uma visita à sala do "Hemiciclo", onde os computadores foram instalados e permanecerão ao dispor do corpo discente ,e um porto de honra de convívio.


ENSINO RECORRENTE ORGANIZOU
CURSOS SÓCIO-PROFISSIONAIS

Bainha aberta Presépio Artes decorativas

Dando cumprimento ao programa de inserção no projecto do Rendimento Mínimo e de Ocupação de Tempos Livres, o Ensino Recorrente e de Educação Extra-Escolar concelhio organizou três cursos sócio-profissionais e um sócio-educativo, em Vile (Bordados); Moledo (Arraiolos); Riba d'Âncora (Artes Decorativas) e Gestão Doméstica (Vilar de Mouros).

Estas acções de formação têm vindo a desenrolar-se anualmente, contando com o apoio da câmara municipal, agora consubstanciado no programa de luta contra a pobreza (Caminhar).

BOLSAS A FORMADORES
Rui Fernandes e Victor Barrocas responsáveis pela formação

Segundo explicou ao CAMINH@- 2000, Victor Barrocas, responsável por esta modalidade de ensino dirigida a adultos, todos os anos, as pessoas "apresentam um projecto, predispon- do-se a realizar determinado curso", aguardando que essa candidatura venha a ser contemplada com uma "bolsa", por parte do ministério da Educação.

Obtido esse apoio, compete aos formandos disponibilizar a matéria prima, ficando na sua posse os trabalhos finais.

Dado que muitos dos inscritos estão abrangidos pelos benefícios do rendimento mínimo, sentem naturais dificuldades na aquisição do material, sendo então apoiados pelo projecto "Caminhar", que inclui ainda a disponibilidade de transportes, como salientou o vereador Augusto Sá no final destes cursos, reafirmando "toda a colaboração, sempre que a necessitem".

Através destas acções, os inscritos tentam uma valorização profissional, uma ocupação temporária ou mesmo "fazer desta arte uma profissão", uma hipótese colocada por Maria Olímpia Esteves, participante no curso de bordados de Vile. Embora já tivesse frequentado outras formações, inscre- veu-se no de "arraiolos e bainhas aber- tas", pensando continuar a aprendi- zagem no caso de haver mais.

ÊXITO

Gracinda Maciel, outra formanda, sublinhou ter sido a primeira vez que alinhou nesta experiência, reconhecendo que "foi difícil", mas como o seu objectivo era "aprender", não regateou esforços.

Satisfeita com o comportamento das treze alunas do curso de Vile, fomos encontrar a formadora Julieta Domin- gues, não se furtando a evidenciar o seu êxito, face aos pedidos para que "volte", nem o interesse que esta sua primeira acção desencadeou na vizinha freguesia de Vila Praia de Âncora, on- de a procura pela arte das "bainhas

abertas" (tirar os fios e trabalhar à mão os rendilhados) parece ter inúmeros apreciadores. No final, os trabalhos estiveram patentes no Centro Cultural de Vile

Como corolário de todas estas acções respeitantes ao ano 2000 e apoiadas pelas respectivas autarquias locais e pelo CIRVilarmourense (logísitica e salas), todos os trabalhos foram reunidos numa exposição na galeria de arte caminhense, em Caminha.