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RESCALDO DO FORUM DO VALE DO MINHO :
"EXCELÊNCIA, SUSTENTABILIDADE E COESÃO"
A aposta na qualidade, no desenvolvimento que "aprenda com a inteligência do passado" e num processo evolutivo necessariamente a seguir pelas duas regiões (Norte de Portugal e Galiza), poderão ser as três grandes conclusões a retirar do I FORUM DO ALTO MINHO, que durante dois dias levou algumas dezenas de minhotos de ambos os lados da fronteira, a reflexionar sobre o "centro geográfico desta grande região situada entre os eixos Porto/Braga e Vigo/Corunha", como a apelidou Rui Solheiro, presidente da Associação de Municípios do Vale do Minho Português.
MERCADO IBÉRICO
Os dados estão lançados e a economia portuguesa encontra na Espanha o seu parceiro preferencial -em detrimento de todo o resto do mundo-, a colocar-se este país no terceiro lugar da nossa balança comercial, e verificando-se uma triplicação das suas exportações nos últimos sete anos.
Se o desenvolvimento português se está a "estruturar no mercado ibérico", como sublinhou o engº Braga da Cruz, presidente da CCRN, aquando do encerramento do Fórum, "há que explorar todas as suas complementaridades" e compreender que o "efeito de fronteira está a desaparecer".
E se este fenómeno se observa no sector económico, no das letras e artes, a Galiza e Portugal seguem idêntico percurso, existindo um interesse crescente no aprofundar de conheci- mentos e experiências no campo universitário. |
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A possibilidade de o TGV (combóio de alta velocidade) ligar o Porto à Corunha, com passagem por Vigo, persiste no imaginário político dos responsáveis da Xunta da Galiza e do governo de Lisboa, sinal evidente de que o noroeste peninsular reúne as "sinergias" necessárias, de modo a atrair o interesse da própria Comunidade Europeia.
Tal importância não deixou de ser evidenciada por Braga da Cruz, recordando como quando o presidente Fraga Iribarne convidou o comissário europeu para as regiões a visitar a Galiza, este lhe retorquiu desejar também fazê-lo relativamente ao norte de Portugal, uma realidade "conjunta" que pretendia avaliar.
"OPERAÇÃO DE CHARME"
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No final dos trabalhos deste Forum, Rui Solheiro declarou ao CAMINH@- 2000 ter atingido os objectivos propos- tos, em face da "qualidade" da partici- pação e da sua "capacidade de deci- são" em diversas áreas, permitindo atrair as atenções dos responsáveis po- líticos para uma "definição de prio- ridades e canalizar investimentos". |
Confirmou que a presença do próprio presidente da Xunta da Galiza e do ministro do Equipamento de Portugal só não se verificou, devido a uma coincidência de agenda de ambos, em que discutiram, em Santiago de Compostela, a hipótese de prolongar o já citado combóio de alta velocidade desde o Porto até à cidade herculina.
IDEIAS A RETER
De entre o vasto leque de ideias, estatísticas e conclusões a retirar deste forum de cooperação trans-fronteiriça, seleccionámos algumas que nos pareceram de particular significado :
JUSTO DE BENITO-Director-Geral de Fomento do Emprego da Xunta da Galiza:
| "A mobilidade laboral e empresarial facilitarão o crescimento do emprego e do desenvolvimento social"
"Em 1997, só 2% da população activa trabalhava num país da comunidade e residia noutro"
"Entre 2000 e 2006, serão definidos os grandes objectivos da Comunidade Territorial do Vale do Minho".
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CARLOS BORREGO-Delegado Regional do IEFP-Norte:
"É mais um habitat que pretendemos criar, a fim de consolidar esta euro-região"
"Somos uma região jovem. Há que apostar na formação, porque faltam recursos humanos"
"A cimeira de Lisboa apontou claramente: Formação nas tecnologias da informação e do conhecimento"
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TERESA VENTIN-Coordenadora do EUREST Norte de Portugal/Galiza:
"Criação de base de dados, em que cada país coloca as suas ofertas de emprego, salários, preços de apartamentos, carros, etc."
"Há 4000 trabalhadores transfronteiriços, vivendo num país e trabalhando noutro, desde A Guarda/Caminha até Chaves"
"Euroconselheiros prestam informações na raia, sobre diversos aspectos de ordem fiscal, segurança social, direitos dos trabalhadores e empresários"
JESUS PEREZ-Ordenamento dos Recursos Sanitários na Euro-Região Galiza/Norte de Portugal:
"Sistemas de saúde similares e fracos: 6,5 (Galiza) 7%(Portugal) do PIB, contra os 8% da Comunidade Europeia"
"Cooperação na assistência médica em certas especialidades para os utentes dos dois lados da fronteira, de acordo com as capacidades de cada unidade de saúde, quer na Galiza, quer no norte de Portugal"
"Definição de competências, de modo a evitar situações como a que ocorreu na ponte de Valença/Tuy, em que o levantamento de um cadáver demorou mais de duas horas a ser concretizado, devido a uma indefinição legal"
"JOSÉ MANUEL CASTRO-Director do Centro de Formação Profissional do Sector Terciário:
"Há 270 jovens portugueses a estudar em Ourense/Galiza"
"Devia haver percursos comuns na área da informática, porque as línguas também o são"
ELIZABETE CRAVO-Secção de Relações Internacionais do CRSS de Viana do Castelo:
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"Legislação comunitária define apenas o trabalhador fronteiriço e não o transfronteiriço"
"O trabalhador fronteiriço" trabalha num país e vive noutro. O trans-fronteiriço poderá ser aquela pessoa que, por exemplo, vai de compras ao pais vizinho e regressa a casa no mes- mo dia"
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Conheço poucos casos de espanhóis que vêm para cá. Geralmente é ao contrário e necessitam de informação sobre direitos, fisco e segurança social, o mesmo sucedendo com os empresários"
CÉSAR RODRIGUEZ-Alcaide de A Cañiza, presidente do Grupo Leader da comarca de Paradanta:
"Iniciámos um Programa de Desenvolvimento Rural, com apoios públicos e privados, candidatado ao Leader II, envolvendo cinco municípios, com 25 000 habitantes e uma área de 474 km2"
"Apostámos em pequenas iniciativas de empresas artesanais e serviços,(...) na formação profissional,(...)visitas temáticas,(...)participação em feiras turísticas, com apresentação de stands comercializando produtos da terra,(..)criação de um operador turístico"
FRANCISCO SAMPAIO-Presidente da RTAM
"Todo o turismo que passa por nós, itinerante (7/8 dias), tem um fundo cultural(...)56% procura a arquitectura da região e 47% a gastronomia"
"Em 99, o número de turistas diminuiu em Caminha"
"A importância dos gigantones nas festas de Viana do Castelo, da Coca em Monção e do Auto de Floripes nas Neves, na captação de turistas atraídos pelo imaginário popular"
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"O município de Lisboa entregou a gestão do pelouro do turismo a uma empresa privada(...)Todos os municípios da Grande Lisboa se aglutinaram para melhor gerir a oferta turística e obter apoios"
"As grandes vias de acesso actuais limitaram-se a seguir os itinerários dos antigos caminhos de Santiago"
MÁRIO FREITAS-Director do Parque Nacional-Peneda Gerês
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"Vou ser provocatório!" "Conciliação entre o património exis- tente e as intervenções a realizar(...)Desenvolvimento define-se à medida que se constrói(..)Há que inventar em cada situação, não seguindo modelos clássicos"
"A ocupação da montanha e do vale no passado, deverá ser um exemplo a seguir(...)No futuro, toda a paisagem deverá ter uma preocupação sustentá-
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vel, e não apenas criando algumas ilhas ecológicas(...)Ambiente é uma mais valia para o turismo e o desenvolvimento"
"Turismo de massas não tem interesse. Se o turista não pode vir cá num ano, que venha mais cedo para o próximo"
"Há que planear antes de fazer e o exemplo da freguesia da Peneda é uma catástrofe, enquanto que outras aldeias do Parque poderão ser recuperadas de uma forma turística sustentada"
"O acto da toalha todos os dias é uma idiotice, sob o argumento de que nós pagamos para isso"
"AURÉLIO PORTUGAL-Director-Geral do Turismo da Junta da Galiza:
"O turismo vai unir-nos!"
"1999, Ano Jacobeo-5,2 milhões de turistas na Galiza;2000-4,5 milhões;2,8 milhões são portugueses"
"A importância dos castros (mais de 4000 catalogados na Galiza) e do românico galaico-minhoto na atracção turística"
"As pessoas valorizam o património natural(...)Há que apostar no turismo religioso, náutico, no termalismo"
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