A gerência da empresa Regency, especializada na confecção de fatos (calça e casaco), a laborar em Vilarelho há cerca de 20 anos, reuniu ao princípio da tarde de ontem, Sexta-feira, com os 160 trabalhadores, comunicando-lhes que a partir de 1 de Junho vai entrar em lay-off por um período de seis meses, passando a trabalhar apenas de Quarta a Sexta.
Após duas suspensões anteriores de uma semana cada devido à falta de trabalho, a diminuição de encomendas para os clientes habituais de Inglaterra e França ditou esta medida, a qual não se baseia em dívidas a fornecedores ou à segurança social ou fisco, mas tão só à crise internacional.
Embora não tivesse sido possível contactar com os gerentes, apurámos que as importações desses países tinham sido canceladas, ao optarem por aguardar pela evolução dos mercados mundiais do sector.
Os trabalhadores disseram-nos que a diminuição de trabalho nos últimos tempos já vinha causando temores, mas receberam a notícia com alguma expectativa quanto ao seu futuro, face à promessa de que poderiam vir a retomar a laboração total antes do prazo de interrupção anunciado de seis meses, caso surjam encomendas.
Esta fábrica chegou a produzir entre 4.000 a 5.000 peças semanalmente e os seus trabalhadores deverão passar a receber os seus salários a partir de 1 de Junho, pagos a 70% através da Segurança Social e 30% pela própria firma, tudo dependendo, todavia, da aceitação do lay-off por parte do Ministério do Trabalho.
No caso dos que já recebiam o salário mínimo - e que eram a maioria - continuarão a auferir esta quantia, mas os que tinham ordenados superiores, vê-los-ão reduzidos para 2/3, embora nunca abaixo do ordenado mínimo.
Embora os trabalhadores tenham sido aconselhados a não contactarem com a comunicação social após a reunião mantida na fábrica, sabemos que eles pretendem informar-se devidamente de toda esta situação do ponto de vista laboral e legal.
Serafim Cubal, presidente da Junta, lamentou que a crise "tenha chegado cá", embora nada "transparecesse que chegariam a esta situação" que irá criar problemas a muitas famílias, havendo casos de casais a trabalhar nesta fábrica, o que torna ainda mais dramática esta medida, caso resulte no encerramento da fábrica.
O autarca vilarelhense deseja que a Regency volte a funcionar brevemente, com cujos administradores sempre mantiveram bom relacionamento.
Da parte da Câmara existe igualmente preocupação, embora já fosse conhecedora das dificuldades sentidas, através de uma reunião mantida há tempos com os gerentes, assegurando contudo não ser um problema de má gestão, referiu Júlia Paula, presidente do município.
A autarca já em tempos tinha alertado o governador civil para as dificuldades que se avizinhavam e tinha solicitado uma reunião com o ministro da Economia, juntamente com o presidente da Câmara de Vila Nova de Cerveira, face às dificuldades que várias empresas dos pólos industriais deste concelho estavam a atravessar.
Júlia Paula salientou que a conjuntura internacional proporciona estas situações de gravidade social e manifestou solidariedade para com os trabalhadores da Regency.