Jornal Digital Regional
Nº 437: 25 Abr/1 Mai 09 (Semanal - Sábados)
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TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor


QUE FAREI COM ESTA ESPERANÇA

Revivo os anos passados e tenho saudades.

Saudades dos meus caracóis à Marquês de Pombal…

Saudades dos óculos graduados que me atormentaram a adolescência…

Saudades da gabardina, três anos a tapar misérias, até que de coçada e curta, deu lugar ao casaco de "camotex" cinzento, sobras da minha tia Delfina.

Saudades do Liceu, das faltas a vermelho, dos testes negativos assinados por mim, imitadora exímia da assinatura do meu pai.

Saudades dos "Discos pedidos" no "Quando o telefone toca".

Saudades do romance da "Coxinha" que o Tide proporcionava às ouvintes fiéis da Ideal Rádio

Saudades das discussões da Questão Social com o grupo da JEC que ainda hoje não sei se queria dizer Jovens Estudantes Católicos ou Jovens Estudantes Comunistas…

Saudades do Luís Cília, do Fanhais, do Zeca que acompanharam os meus arroubos de Mulher - Lutadora.

Sabia lá eu se era de Esquerda ou de Direita!

Sabia é que os nossos "verdes anos" tinham que adoptar uma nova cor.

Soube depois que o verde da esperança afinal não era verde. Era VERMELHO!

E soube levantar o punho. E soube agitar bandeiras. E soube gritar "AVANTE" contra o marasmo, contra os chás de caridade, contra os cigarros de pacotilha que iam dourar a pílula dos jovens desterrados na Guerra. E soube olhar o "negro" das terras de lá com os olhos molhados de remorso . E soube acreditar num amanhã diferente num mundo mais justo.

Revivo tudo isto e pergunto-me o que falhou em mim. Onde estão as certezas da Mulher- Esperança, da Mulher-Coragem que fez face aos "não-sociais", aos "não-familiares"' Onde ficou a mulher que sonhava uma terra sem amos e internacional?

Morri e nem me dei conta'

Hoje ouço quase indiferente as notícias na TV.

Corrupção? Está praticamente legalizada…Discuti-la para quê?

Insegurança? Não é nada comigo! Eu até sou considerada boa pessoa…Quem me quereria fazer mal?

Desemprego? Não me afecta ! Até já estou reformada e bem…

Saúde? Os serviços da ADSE tratam de mim e o médico de família é meu amigo…Quem é que não tem médico? Não é problema meu…

O meu País continua governado por interesses económicos? Quero lá saber! Não me afecta grandemente…

E as fábricas fechadas? E as falências fraudulentas? E as mãos dos operários que já não pintam, não produzem, não tecem? Quero lá saber! Na hora de votar, votam nos outros…Que abram os olhos…

Que saudades eu tenho de gritar de raiva, de chorar de revolta, de dizer alto e bom som: BASTA! Dêem o poder ao Povo que o Povo é quem mais ordena!

Cantem as Catarinas, os pintores assassinados, os Aris deste País acomodado e triste!

Tenho a pele enrugada, o corpo gasto, a voz cansada já. Mas mesmo assim uma esperança rubra dá-me força para cantar:

Abre os olhos e vê, sê vigilante
A reacção não passará adiante
Do teu punho cerrado contra o medo
Levanta-te, meu Povo, não é tarde
Agora é que o sol canta, é que o sol arde
Pois quando o povo acorda é sempre cedo

Zita Leal

Melhores dias virão !

Entre turbulências e agitações,
Provocam-se golpes insanos,
E entre deslizes e furacões
Vivem-se descomandos desumanos.

A insânia das humanas libertinagens,
E os desiquilibrios nelas ja ancestrais,
São fonte de deformantes imagens,
De nuisivas doenças e desacertos mentais.

Tanto sofrimento poderia ser evitado,
Se o homem pensa-se humildemente,
Em poder viver alegre e de bom grado,
Voltado para o bem de toda a gente.

Mas que coisa estranha mantém a distância
De uma meta linda e que seria maravilhosa,
Mas no homem comanda a maldita ganância.

Rumando para mais acertadas disposições,
Até a época de nossa redenção auspiciosa,
Daremos, então, vida a melhores convicções.

Antonio R. Vasconcelos

A DEMOCRACIA AO SERVIÇO DA COMUNIDADE

REORGANIZAÇÃO DE SERVIÇOS AUTÁRQUICOS

Administrar uma instituição, seja com fins lucrativos em termos financeiros, seja com finalidades de natureza social, cultural, desportiva, religiosa, humanitária, filantrópica ou qualquer outra, envolve, com maior ou menor amplitude, pessoas humanas, que constituem o recurso mais valioso, acima de quaisquer outros, incluindo o próprio capital, maquinaria e tecnologia.

Gerir com sabedoria, compreensão, humanismo e motivação os recursos humanos, constitui, actualmente, importantes e verdadeiras ciência e arte, sendo insuficientes alguns conhecimentos, técnicas, teorias e grandes teses na área da administração, se não houver sensibilidade e formação interior para entender as atitudes e comportamentos humanos, até porque não há duas pessoas exactamente iguais, na medida em que e segundo WILLIAMS, (1978: 49): "Ainda não dispomos de meios para descrever, de forma completa, a personalidade de qualquer indivíduo em particular. No entanto, sabemos que não há duas personalidades absolutamente idênticas e sabemos também que a personalidade é causada pelas influências combinadas da hereditariedade e do meio-ambiente."

As instituições, nas quais se incluem os diversos e múltiplos departamentos oficiais: seja da função pública, em geral; seja das autarquias locais, em particular, funcionam tanto melhor quanto mais bem preparado e motivado estiver o seu pessoal. O velho princípio, embora sempre actual: "o homem certo no lugar certo", ainda terá aplicabilidade nos tempos actuais e nas organizações públicas e privadas, sem que isto signifique qualquer tipo de discriminação negativa, ou menos valorização do trabalhador, bem pelo contrário, representa dar-lhe a oportunidade de ele executar o que melhor sabe fazer, agora com entusiasmo e brio profissionais, abrindo-lhe perspectivas, inclusivamente, para progredir numa carreira profissional, no contexto de uma hierarquia vertical ou de um ordenamento horizontal, porém, sempre no sentido de melhor posição e estatuto mais motivante.

Será sempre digno de registo e de louvor todo o gestor e/ou executivo, que valorizam, reclassificam e retribuem, adequadamente, os trabalhadores que se destacam no exercício das respectivas funções, aliás, constitui, mesmo, um acto da mais moderna e eficaz gestão corrente, para além de significar uma atitude de profundo respeito e justiça. Nesse sentido CARNEGIE & ASSOCIADOS, (1978: 157) indicam que: "Todos os cargos devem ser reavaliados em intervalos regulares. É particularmente importante reexaminar um trabalho que foi desempenhado por uma mesma pessoa por um longo tempo. Os indivíduos, geralmente, deixam o seu cunho num trabalho ao preencher uma vaga de um ocupante de longo tempo, é prática comum procurar a sua imagem exata. Isto pode ser um sério erro do ponto de vista do cargo em si, e da possibilidade de encontrar o melhor substituto."

Sendo certo que os recursos humanos, portanto, as pessoas, com toda a sua dignidade, são a parte mais importante da instituição, objectivamente, a própria imagem da organização que servem, sempre numa dinâmica de novas competências, em todos os aspectos: profissionais, humanos, uma outra preocupação, essencial ao bom funcionamento dos serviços, prende-se com a sua estruturação orgânica, isto é: que departamentos, divisões, secções ou qualquer outra hierarquia funcional, são necessários para que o produto final seja da melhor qualidade e o atendimento público de excelência?

Haverá, porventura, quem defenda que quantos mais órgãos existirem na instituição, mais e melhores serviços podem produzir, com benefícios tripartidos para: executivos, trabalhadores em geral e clientes da instituição; outros, porém, entendem que quanto mais simples e leve for a estrutura organizacional, maior será: por um lado, o controle; por outro, a flexibilização e delegação de competências, responsabilidades e recursos. É bem provável que não exista uma fórmula ideal, exacta, que garanta resultados cientificamente previsíveis e verificáveis, dada, justamente, a imprevisibilidade do ser humano.

Em todo o caso, pode-se aceitar que novos desafios da gestão de pessoas se colocam, nomeadamente no que se refere a políticas internas, na própria instituição de: a) Agregação das pessoas, no sentido de comungarem dos ideias e cultura da organização; b) Aplicação das pessoas, de forma que elas se sintam bem utilizadas numa perspectiva de auto-satisfação; c) Manter as pessoas, quanto à estabilidade e segurança no emprego; d) Monitorando as pessoas segundo critérios de verificabilidade da sua evolução na execução das respectivas tarefas; e) Desenvolvendo as pessoas, no que concerne não só à sua valorização profissional como também dando-lhes as oportunidades para prosseguirem estudos a níveis cada vez mais elevados, formação contínua e outras habilidades técnico-profissionais; f) Recompensando as pessoas, pelo trabalho desenvolvido, pelos valores que vão revelando ao serviço da boa imagem da instituição e dos seus colegas dirigentes, pares e subordinados. Estes poderão ser alguns princípios da gestão de pessoas num futuro que já começou no passado.

Pensa-se que no contexto da organização do Estado e, na circunstância, das autarquias locais, ao nível das Câmaras Municipais, será possível estruturar a instituição em: departamentos, divisões, secções e gabinetes, integrados nos pelouros da vereação, que vierem a ser constituídos, em função da grandeza territorial e populacional que a Câmara Municipal tem sob sua jurisdição e, ainda, a especificidade dos sectores de actividades económicas mais predominantes, a que se devem adicionar os projectos de desenvolvimento pretendidos para o Concelho e colocar tais serviços, encabeçados pelo respectivo pelouro - órgão de decisões políticas -, sob responsabilidade de um vereador.

A título de exemplo, se uma das actividades económicas do concelho se relaciona com o turismo, então deve ser criada uma secção ou gabinete vocacionado para a área turística e relações públicas nacionais e internacionais, sob a responsabilidade técnica de um especialista neste domínio, cujas funções serão tipificadas pelo executivo, sob proposta do respectivo vereador. Esta metodologia, ou qualquer outra mais eficaz, poderá ser seguida relativamente a outros sectores de actividade e intervenção municipais.

A administração moderna, seja privada ou pública, trabalha em função dos objectivos que são estabelecidos pelos executivos responsáveis, os quais devem prestar contas aos accionistas e/ou eleitores bem como à população em geral, respectivamente. É evidente que os objectivos gerais da instituição têm o contributo dos objectivos específicos de cada departamento ou serviço, devendo ser espírito e cultura da organização, todos trabalharem para: primeiro, alcançarem objectivos específicos sectoriais; depois, atingirem os objectivos gerais finais. Com esta filosofia interiorizada por todos os trabalhadores, seguramente que o produto final será de excelência, a começar no atendimento dos utentes da organização.

Nesta perspectiva é fundamental que a instituição tenha uma orgânica leve, dinâmica e competente, onde cada elemento humano saiba, exactamente, quais as suas funções específicas e especializadas, conjugadas sempre com alguma polivalência e rotatividade que se deseja e se considera manifestamente essencial. Valorizar os recursos humanos, significa dignificar as pessoas e reconhecer-lhes a sua importância no progresso da organização a que pertencem.

A todo o momento pode ser alterada a configuração de um qualquer município, constituído por um determinado número de freguesias, nas quais residem algumas dezenas de milhar de habitantes, e que apresenta particularidades que podem implicar, ou não, num futuro próximo, uma reorganização territorial, administrativa e de serviços públicos, se nesse concelho existirem, por exemplo duas ou mais vilas, distintas na sua constituição, dimensão territorial, posição geográfica e actividades económicas e respectiva população e, obviamente, forem reunidas as condições legais e a vontade popular para se introduzirem alterações de fundo, incluindo a própria autonomia de uma ou mais daquelas.

Bibliografia
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BÁRTOLO, Diamantino Lourenço Rodrigues de, (2008). "Gestão Autárquica Solidária" site www.caminha2000.com in "Jornal Digital "Caminha2000 - link Tribuna", N. 384 Semana de 05/11 Abr.2008
BÁRTOLO, Diamantino Lourenço Rodrigues de, (2008). "O Autarca, a Família e o Trabalho", site www.caminha2000.com in "Jornal Digital "Caminha2000 - link Tribuna", N. 383 Semana de 29/ Mar. a 04/Abr. 2008
BÁRTOLO, Diamantino Lourenço Rodrigues de, (2008). "Promessas Eleitorais: Uma Questão Ético-Moral" site www.caminha2000.com in "Jornal Digital "Caminha2000 - link Tribuna", N. 386 Semana de 19/25 Abr. 2008
BÁRTOLO, Diamantino Lourenço Rodrigues de, (2008). "Respeito e Consideração pelo Voto Popular", site www.caminha2000.com in "Jornal Digital "Caminha2000 - link Tribuna", N. 387 Semana de 26.Abr. a 02 Mai. 2008
BÁRTOLO, Diamantino Lourenço Rodrigues de, (2008). Educação para a Cidadania Luso-Brasileira: Um Projecto de Formação ao Longo da Vida. Tese de Doutoramento, em fase final para apreciação por uma Universidade Portuguesa ou Brasileira. (Não publicada)
BARTON, Anthony, (1975). A Formação do Executivo. Trad. Roberto Cataldi. S. Paulo: Difel
CARNEGIE, Dale & ASSOCIADOS, (1978). Administrando Através das Pessoas. Trad. Ivan Zanoni Hausen. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército - Editora
DELLA TORRE, (1983). O Homem e a Sociedade. Uma Introdução à Sociologia. 11ª Edição. São Paulo: Companhia Editora Nacional
DIMOCK, Marshall E., (1967). Filosofia da Administração. Trad. Diógenes Machado e Arnaldo Carneiro da Rocha Netto. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura - Brasil-Portugal
MOITINHO, Álvaro Porto, (1965). Introdução à Administração. São Paulo: Editora Atlas, S.A.
RESENDE, Énio, (2000). O Livro das Competências. Desenvolvimento das Competências: A melhor Auto-Ajuda para Pessoas, Organizações e Sociedade. Rio de Janeiro: Qualitymark
WILLIAMS, Michael, (1978). Relações Humanas. Trad. Augusto Reis. São Paulo: Atlas

Venade - Caminha - Portugal, 2009
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
bartolo.profuniv@mail.pt

ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
Autor
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