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Essências de Natal É Júlio Dinis quem declara in "A Morgadinha", as rabanadas como sendo, na quadra das Goluseimas a Essência da Ceia de Natal e o vinho tinto fervido com açúcar, canela ou simplesmente mel, esse punch nacional que aquece as almas assentadas nos velhos canapés da Família Minhota, esse fogo do lar, caseiro e íntimo que agasalha a confraternidade do passado, presente e futuro e traz para a Festa as lágrimas da saudade. Rabanadas que podem ser fatias de parida: fatias de pão (cacete), embebidas em leite, açúcar e casca de limão, passadas por ovos batidos e fritas em azeite polvilhadas em açúcar e canela podendo ser regadas com calda de açúcar ou vinho tinto com mel. Quando não fritas, dizem-se fatias douradas e são, também, fatias de pão (cacete) e cozem em calda de açúcar, canela e casca de limão. Vinho Quente A tradição do vinho quente, adoçado com mel da algariça e perfurmado de canela, não pode faltar na Ceia de Natal. É, também, uma das essências que Manuel Boaventura nos traz in "Noite de Consoada"."Estava muito frio em Belém, quando Jesus veio ao mundo, o frio regelava Maria de Nazaré, que tiritava no desconforto da mísera cabana. Então, um dos pastores tirou vinho da sua cabaça e aqueceu num "borréco"; outro juntou-lhe um favo de mel que tirou do surrão e deram-no a beber à mãe de Deus. Por isso o vinho quente, na noite da Ceia-Grande, se bebe sempre com religiosa unção e lhe atribuem virtudes e propriedades curativas, para os achaques. Há quem reserve uma poção para os dias de maleita, guardado, como sangue divino, no Oratório da Sala". Algumas casas (no Vale do Âncora) preparam o vinho quente assim: vinho verde, tinto, fervido com açúcar ou mel e canela, bebido em tigelas sobre "sopas" de pão ... Noutras, já se confeccionou o creme doce de vinho tinto: numa panela com um litro e meio de vinho tinto, a que se juntam côdeas de broa num alguidar e açúcar suficiente para adoçar. Vai ao lume, a ferver lentamente, de forma a dissolver o pão e evaporar todo o álcool do vinho, formando um creme macio. Serve-se em pratinhos pequenos. Viana a Terra dos Bacalhaus Falemos, agora, desse Gadus Callarius, da família dos Gadíneos a quem todos os portugueses, chamam, mesmo pela hora da morte, ainda de "Fiel Amigo". A Consoada do Minho não tem carnes porque se efectua antes da meia noite. Estamos no advento aguardando o "nascimento" do Menino. Daí tempos de jejuns e abstinência. Idêntico preceito se passa na Quaresma. Mesmo assim, o cabaz da Ceia da Consoada obriga, também, a três essências de Natal: Bacalhau de lasca, "racheado", grosso, do alto, do norueguês, melhor ainda, da cura amarela da seca do Mendes do Cais Novo que dava ao Bacalhau de Viana, por motivo da secagem artesanal ao sol um tique qualitativo que o tornava melhor que o Inglês com demolhaduras obrigatórias em águas correntes, frias, muito frias como acontecia na Pensão Miquelina, em Paredes de Coura, refere Aquilino Ribeiro (as águas mais frias e delgadas do Mundo). Batatas que se querem grandes (não devem esfarelar), e que se cozem com a pele (estona). "Hortalices" bem temperadas da geada... tronchuda, pencas, couve galega, couve – coivão, uma mão de tronchos (à escolha). Deitam-se num pote com água em quantidade a preceito, 4/5 cebolas e umas pitadas de pimenta branca; depois, as "hortalices", os célebres troços com um fio de azeite. Noutro pote, as batatas e as cenouras (os ovos à parte). A meio da cozedura das "hortalices", é altura de lhes "chimpar" a bacalhauzada, tendo sempre presente que as postas de bacalhau não deverão cozer fervendo em água (a fervura derrete a gordura que envolve as fibras do bacalhau – Olleboma – in Culinária Portuguesa – 1926). Obrigatório sair tudo bem quente em travessas separadas para a mesa. E é um "ver se t’avias" (diria Amadeu Costa), ao arrastarem tudo isto para os seus pratos no qual se lançam colheradas do "cheiroso molho rojado" (num pequeno tacho põe-se azeite a ferver e nele é estalada cebola às rodelas com pitadas de pimentão galego). Terras há no Alto Minho, onde ao bacalhau se segue, ainda, o polvo vitela apresentado em arroz de polvo, filetes panados, ou simplesmente cozido; os bolinhos de bacalhau, as ervas de grelos picados. É, sem dúvida, a Ceia de Natal "o mais solene banquete da família minhota", di-lo já Ramalho Ortigão, nas Farpas. É a altura de chegar o vinho quente com açúcar e mel e, atrás, num ritual de gestos e incensos surgem as rabanadas de leite e de vinho, os bolinhos de jerimu e de chila, os mexidos, as migas, as aletrias, o arroz doce, as fatias douradas, os sonhos, as orelhas de abade. Não se levanta a mesa – para as "alminhas" e os "anjinhos" comerem de noite, se quiserem (e que lhes faça bom proveito) – assim rezam algumas das tradições mais familiares do Alto Minho. A petizada, essa "com a devida licença dos mais velhos", já se esgueirara da mesa e, entretida, junto ao presépio, na lareira ou noutros cantos da casa, jogava o rapa ou o "par ou nunes", apostando pinhões. A meia noite aproxima-se. Cada miúdo tira do pé o seu sapato – alguns mais espertotes foram logo escolher a bota mais larga – e coloca-o na lareira, sob a chaminé, tudo num chinfrim de alegria e contentamento esperando, manhã cedo, mal acordassem, correrem pressurosos a "ver" as prendinhas do Menino! Depois, com os avós, vão para a cama sonhar com mil e uma coisas lindas que a imaginação não tem fim. O restante pessoal, bem agasalhado, que o frio enregela os ossos, vai pelos caminhos da missa, até à Igreja! É a Missa do Galo! Ardia já o madeiro no adro. Cantavam rapazes e raparigas à sua volta. O garotio atiçava o lume e as labaredas erguiam-se na noite escura iluminando todo o adro de fogo. O Senhor Prior já estava no altar e o coro não tardou a entoar: Do varão nasceu a vara / da vara nasceu a flor / e da flor nasceu Maria / De Maria o Redentor / Gloria in excelsis / Gloria in excelsis! No final, entre cânticos, o bom Prior foi ao presépio e retirando a imagem do Deus Menino da lapinha de Belém, deu-a a beijar. Cá fora, as pessoas agupam-se, outra vez em volta do madeiro! Canta-se! Desejam-se Boas Festas. Era o regresso a casa. As mulheres, embiocadas, puxam os xailes. As lanternas desenham pela encosta abaixo círculos de luz, no negrume da noite santa. E, novamente, se reúne a família pela madrugada lenta, desta feita na distribuição dos presentes (que os mais velhos também não dispensam). E lá ficava a chaminé, a lareira toda enfeitada, junto com sonhos de meninos na quentura do braseiro. Noite de Natal, que esperança és! Dia de Natal Onde não há "Missa do Galo", no dia 25, de manhã cedo, com o fato "de ver a Deus" vai-se à Missa do Nascimento para regressar a tempo de forma a preparar o almoço que, também, é de substância. Ainda há bem poucos anos havia, na igreja de S. Lourenço da Montaria um desafio de cânticos ao Menino, enquanto o Sacerdote o dava a beijar. A disputa era entre os cantores dos lugares de S. Lourenço e Espantar. Depois, no adro havia comentários e discussão aguerrida entre os adeptos de cada grupo... Nas Argas, o prato tradicional é o "cozido à minhota". A matança do porco já decorreu, tempos atrás, as carnes e enchidos já estão rijos e curados com o frio da época (é perigoso matar o porco no Verão porque pode "avarejar"...) Toucinho entremeado, chouriça de carne, de sangue e de cebola, o chouriço dobrado, especial para este dia, ossos de "assuã", o chourição grande, a costela baixa, a orelheira (uma para o Natal, a outra para o Entrudo), e outras peças, são retiradas cuidadosamente da salgadeira, indo juntar-se o melhor galarós da capoeira, ao presunto, à carne de vaca (nas casas mais abastadas, porque nas restantes era um luxo), às hortaliças, ao feijão, batatas, etc. Noutras casas, prefere-se o peru assado e recheado. Em Arga de Cima, preparam-se os dois pratos, porque os familiares que vivem nas cidades, nesta Quadra, vêm todos matar as saudades à Terra Natal e daí (... ) À noite, ou no dia seguinte, prepara-se a "roupa velha", com os restos da Ceia de Natal. Mas o Tempo de Natal perdura. Até ao Ano Novo, onde agora com os "Reveillons" se perde, em parte, a tradição, sobretudo, a ceia em tudo semelhante ao Natal. Como também, o Dia de Reis! Saibamos conservar estas costumeiras tão ricas, tão salutares, dadivosas, solidárias. Em época de globalização saibamos ser diferentes. Saibamos viajar até ao paraíso perdido da nossa infância. Abarcar a quadra que vai do Natal aos Reis: a novena do Menino, o presépio, a consoada, os sapatinhos na chaminé, a missa do Galo, a distribuição de presentes, as janeiras, as reisadas. Só assim seremos merecedores deste Turismo de Saudade, deste Turismo Étnico dirigido às famílias, casais, jovens namorados, incapazes de resistir ao chamamento das suas terras de origem, pesem já terem passado mais de quatro, cinco gerações! Como vamos justificar a sua vinda até nós? Este regresso à Terra Nai? Esta vinda ao Alto Minho? Aqui onde nasceram seus pais, seus avós, seus antepassados, onde todos se sentam à mesma mesa, vivos e mortos, (não há ainda, a tradição do lugar vazio à mesa? E as alminhas?) O Turista do Séc. XXI é curioso, gosta de aventura, emoções fortes, de afectos, de novas experiências. Em suma, um Turismo... da diferença. 800 anos de História, de raízes, de identidade, de povo em movimento, merecem esse esforço, essa luta, este querer. Hotelaria do Alto Minho a 100% no Fim de Ano A sugestão dos programas para o Fim de Ano de 2007/2008, as Ceias de Natal e Almoço Rico do Dia de Natal foram algumas das acções que a RTAM em colaboração com os Empresários (Hoteleiros, TER, Restaurantes e Empresas de Animação Turística) e Autarquias pôs em movimento desde o passado mês de Novembro. O mesmo direi da nossa presença no dia 11 do corrente mês em Vigo na Casa Airines, Instituto Camões, onde foi possível apresentar um autêntico leque da melhor doçaria do Tempo de Natal, concretamente, rabanadas de leite e de vinho, os bolinhos de jerimú e de chila, os mexidos, as migas, as aletrias, o arroz doce, as fatias douradas, os sonhos e as orelhas de abade, sem esquecer os bolinhos de bacalhau, as pataniscas, a orelheira, enchidos e fumados, com a presença de bom presunto, chouriças caseiras e a tradicional broa, assim como o vinho verde tinto e branco das nossas adegas cooperativas e dos produtores-engarrafadores. Fernando Franco, no Faro de Vigo de 18 do corrente mês dizia o seguinte: Saúde, Amigos Lusos - Região de Turismo do Alto Minho com o seu Presidente à frente ofereceram no Instituto Camões uma deliciosa degustacion de postres de Navidade Portugueses que muitos Vigueses poderam "gozar". Como já é sabido este aperitivo preparado por Restaurantes que connosco colaboraram destinava-se, essencialmente, a carrilar para o Alto Minho e Norte de Portugal muitos dos Vigueses que já marcaram presença, quer nas Ceias de Natal, quer nos Revellons’2007/2008. Assim e a 100% estão já (Com Alojamento e Jantar de Fim de Ano), as seguintes unidades hoteleiras: Hotel Monte Prado / Melgaço;
UNIDADES AINDA COM ALGUMA POSSIBILIDADE DE RESERVA Taxa de Ocupação actual / Reservas confirmadas até 18.12.2007
Câmaras Municipais também colaboram Segundo informes colhidos, também, para esta Nota de Imprensa, há Animação na Passagem de Ano 2007/2008 nos seguintes Municípios: Arcos de Valdevez – Música ao Vivo / DG / Fogo de Artíficio – Parque de Exposições
Trata-se de Rebecca Davis, pintora de origem Inglesa e que reside há quatro anos no Concelho de Paredes de Coura. O seu trabalho é um hino de amor a toda a etnografia do Alto Minho. Diz mesmo "Uma paixão recente pelas cores e motivos tradicionais do Folclore do Minho". Diz mais: "da convivência diária com este vocabulário de imagens tão característico da região com o qual convivo diariamente resultou no desenvolvimento de trabalhos que exploram toda esta temática visual. PARABÉNS! A exposição está presente no Castelo Santiago da Barra – Sala Filipe I e está aberta diariamente das 9,00 às 12,30 e das 14,00 às 17,30 horas; Sábado e Domingo das 9,30 às 12,30 horas (Nota: 24 e 25 de Dezembro está encerrada). Informação RTAM
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