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IGREJA MATRIZ REABERTA SEIS ANOS DEPOIS
O bispo da Diocese de Viana Castelo, D. José Pedreira, presidiu à cerimónia de "dedicação" do novo altar instalado no altar-mor da Igreja Matriz, uma pedra granítica assente em suporte de aço, que veio substituir o antigo, retirado pelo IPPAR, dono da obra de recuperação do templo que se prolongou por seis longos anos e cujos pormenores finais só dentro de meio ano se concluirão.
O acto religioso concelebrado por diversos párocos da região, incluindo alguns de Caminha, teve lugar ao princípio da tarde do passado Domingo (dia 16), em que D. José Pedreira manifestou interesse em assinalar este dia todos os anos "neste grande templo", dedicando a Deus o novo altar e o ambão (espécie de púlpito), após o que benzeu, ungiu e incensou as duas peças.
Aludiu à história do templo e à "forma de colaboração indispensável" com o Estado para a recuperação do património religioso, frisando que a Igreja, por si só, não tem posses para o fazer, precisou, tendo ainda particularizado as devoções que a Matriz representa e alguns dos seus pormenores arquitectónicos, destacando, entre outros, "as gárgulas conhecidas, particularmente a que está à minha mão direita".
A recuperação de diferentes peças de arte deverão conceder mais pormenores ao templo que surgiu mais nú, sem os lustros do tecto, permitindo uma perspectiva total da nave, agora com madeiramentos recuperados e com as paredes graníticas expurgadas de fungos e humidades, esperando-se que as infiltrações existentes a sul tenham sido definitivamente debeladas.
Uma intervenção deste âmbito (importou em mais de três milhões de euros) não deixa a ninguém indiferente, sendo as opiniões divergentes. Ressalta que a proibição de estacionamento no adro e parte norte do templo gerou divisão de apreciações, tal como o destino dado a muito do material existente no interior da igreja, designadamente nas sacristias e imagens anteriormente existentes no interior do monumento. O que causou desagrado generalizado foi a substituição dos bancos adquiridos pela paróquia através de subscrição popular, no tempo do padre David Fernandes, por outros bem incómodos, existindo pressões para que sejam substituídos, esperando-se que ainda que o sistema de aquecimento venha mesmo a funcionar. ORQUESTRA DO NORTE REGRESSA A CAMINHA
No dia seguinte, assistiu-se a um concerto a cargo da Orquestra do Norte e do Orfeão de Vila Praia de Âncora.
Este regresso da Orquestra do Norte à Matriz foi considerado "excelente, mesmo seis anos depois", por parte de Ferreira Lobo, maestro desta orquestra, relançando "uma relação que se foi estruturando com o público", apenas lamentando este "hiato", enfatizando, contudo, o regresso, e logo para assinalar o início das comemorações do cinquentenário do Orfeão de Vila Praia de Âncora, que "teve uma prestação excelente, atendendo ao facto de ser um coro amador", perante uma obra difícil como era a Oratória Stabat Mater, de Gioachino Rossini.
Interpelado sobre o retomar das actuações da Orquestra do Norte em Caminha, Ferreira Lobo referiu que seriam "opções de política cultural que nos ultrapassam", embora considerasse importante fazer "um upgrade qualitativo ao nosso público", assegurando que esta orquestra "tinha um público em Caminha, bastando ver os concertos de verão que tinham muita gente".
"Se esta actuação corresponde ou não a um regresso da Orquestra do Norte a Caminha, só a senhora presidente da Câmara poderá responder", concluiu.
O elogio feito por Ferreira Lobo ao desempenho do Orfeão de Vila Praia de Âncora foi considerado por Francisco Presa, director-artístico do coral ancorense, "um grande orgulho, tal como é a aposta do maestro em nós, depois de alguns anos de trabalho em conjunto", estando já previsto mais concertos com a peça estreada em Caminha.
Questionado sobre a regresso da Orquestra do Norte ao concelho de Caminha, Francisco Presa não hesitou em classificá-lo de necessário, depois de "todo um trabalho feito ao longo de muitos anos, sendo sintomático que nos primeiros concertos as igrejas estavam vazias e, no final, onde quer que aparecessem estavam cheias", mostrando-se por isso convicto que a Câmara vai apostar novamente nesta filarmónica, porque "vale a pena, porque é um dos géneros de música que não podemos deixar perder, e isto também faz parte da cultura".
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