Jornal Digital Regional
Nº 346: 30 Jun a 6 Jul 07 (Semanal - Sábados)
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"Rota Marítima do Caminho de Santiago"

Peregrinação única por mares já dantes navegados…

"Rota Marítima do Caminho de Santiago" pronta para largar

A Associação Intercéltica, em colaboração com a Região de Turismo do Alto Minho e a Associação Galega de Actividades Náuticas, vai levar a cabo o Raid "Rota Marítima do Caminho de Santiago", entre os próximos dias 18 e 25 de Julho. Trata-se de um itinerário único de peregrinação, que pretende, em oito dias, ligar Montemor-o-Velho a Santiago de Compostela. Com um total de 334 quilómetros, esta Rota Marítima, que se baseia em relatos históricos, está pronta para partir.

A peregrinação terá início a 18 de Julho, em Montemor-o-Velho, com uma cerimónia de abertura que inclui, entre outras actividades, uma missa na Igreja de Santa Maria da Alcáçova e um almoço no Castelo de Montemor-o-Velho.

A largada, a bordo dos veleiros Nauja e Zorba, está prevista para 19 de Julho, na Figueira da Foz. Com escalas em Ílhavo/Aveiro, Matosinhos, Póvoa de Varzim, Viana do Castelo, Baiona e Vilagarcia de Arousa. A chegada a Compostela terá lugar a 25 de Julho, o "dia do Apóstolo" que transformou esta cidade galega num dos principais centros de peregrinação cristã do mundo.

Esta ideia, teve por berço a Região de Turismo do Alto Minho, que já em 2004, "Ano Xacobeo", havia tentado instituir uma rota marítima de peregrinação a Santiago de Compostela, com o objectivo principal de dinamizar um novo itinerário sustentável como via de peregrinação e de intercâmbio cultural.

Este Raid alicerça-se em vários testemunhos que fazem alusão a uma tradição histórica de peregrinações marítimas à Galécia, desde a ascensão do Império Romano. Estas peregrinações ter-se-ão intensificado a partir da Idade Média.

Segundo Francisco Sampaio, Presidente da Região de Turismo do Alto Minho, "o percurso definido para este ano zero do Raid baseia-se, sobretudo, no itinerário de peregrinação por mar a Santiago de Compostela descrito por Eldrici, geógrafo árabe do século XII, apesar de esta, nove séculos depois, ter sido adaptada na sua totalidade aos desafios levantados por um produto turístico emergente: o Turismo Náutico".

A organização, que contou com o apoio de um vasto leque de entidades portuguesas e galegas, espera com esta iniciativa sensibilizar e mobilizar a população em geral, a classe piscatória e em particular a comunidade náutica para uma participação activa nas próximas edições da Rota.

À descoberta da tradição marítima

O Raid "Rota Marítima do Caminho de Santiago" encontra sustentação em relatos históricos, apesar de alguns deles poderem roçar o mundo da lenda e da tradição.

"Existem vários relatos relacionados com o itinerário de Antonino (século III); a Per Loca Marítima, chamada também via XX, que ligava Braga a Lugo e que tinha percursos realizados por terra, mar e rio. Existe também quem defenda que a Per Loca Marítima se baseava no itinerário realizado pelos discípulos Atanásio e Teodósio no transporte do corpo do Apóstolo, na barca da Pedra, desde Jafa (Palestina) até Padron (Galiza)", conta Francisco Sampaio.

Estes percursos marítimos eram feitos por portos de cabotagem. Entre estes estava o de Viana da Foz do Lima, o que torna esta região, obrigatoriamente, ligada aos itinerários marítimos rumo a Compostela e que se completavam segundo a tradição Jacobeia com a visita a Fisterra e Padron.

O mar como opção surge, sobretudo, devido ao trajecto por terra ser para os peregrinos sinónimo de muitas dificuldades (guerrilhas, roubos, más estradas, poucos abastecimentos, etc).

Esta tradição de passagem de peregrinos por diversos portos portugueses deverá também ter contribuído para a emergência da necessidade de defesa desses espaços portuários.

Turismo Náutico é turismo de futuro

Esta Rota Marítima insere-se nas grandes linhas de acção da RTAM no âmbito do turismo religioso e cultural, que traçou como objectivo base dinamizar e valorizar as estruturas de apoio existentes ao longo do Caminho Português de Santiago.

"O grande objectivo é oferecer um mínimo de infraestruturas a quem calcorreia os "tramos portugueses", quer o façam por devoção, por turismo ou por simples aventura, ou por todos estes motivos. Veja-se o exemplo do Caminho Francês de Paris a Santiago, considerado já em 1987 pelo Conselho da Europa como "primeiro itinerário cultural europeu" e em 1993 a Unesco classifica-o já como Património da Humanidade. A campanha da RTAM para que os Caminhos Portugueses para Santiago sejam devidamente sinalizados, que existam albergues ou refúgios (de 25 a 25 kms.) é vital para a classificação oficial dos Caminhos pela Oficina do Jacobeo. Temos de aprender com a História e também não esquecer que o número de peregrinos está a aumentar de ano para ano, fazendo deste turismo cultural, religioso, ambiental e económico um turismo de futuro", afirma Francisco Sampaio.

A Intercéltica - Associação cultural, desportiva e turística é a principal dinamizadora do ano zero da Rota Marítima do Caminho de Santiago. Partindo da experiência adquirida com a organização dos Jogos Náuticos Intercélticos e dos desafios por estes levantados, esta associação assina o projecto de colaboração inter-regional NEA - "Nautisme Espace Atlantique", que visa o desenvolvimento sustentável do sector náutico nas regiões envolvidas, entre as quais se encontra a região Norte de Portugal.

O NEA considera "as actividades náuticas um bem turístico da maior importância". A qualidade ambiental do litoral, o conhecimento acumulado e a constatação do crescente interesse pela prática dos desportos náuticos são encarados como factores decisivos para o desenvolvimento duma economia turística.

Esta Rota Marítima assume primordial importância para a Associação Intercéltica como produto associado à etiqueta "Experiência Atlântica" e à marca "Náutica no Espaço Atlântico".

Após, a Região de Turismo do Alto Minho ter mantido, por vários anos, o sonho de realizar uma peregrinação por mar a Santiago, agora, a organização deste primeiro Raid acalenta o desejo de ver serem-lhe reconhecidos os critérios base da atribuição do "Certificado Compostela: a quem, de forma cristã, peregrina até ao túmulo do Apóstolo, mais de 100 km do caminho a pé ou 200 quilómetros em bicicleta ou cavalo". De facto, Francisco Sampaio considera este raid como o ano zero, já que em 2008 e em 2009 será melhorado, até pelo número de peregrinos, de modo que em 2010 (Ano Santo) seja considerado oficialmente como um "Caminho de Peregrinação".

A Organização do Raid "Rota Marítima do Caminho de Santiago", agradece todo o apoio prestado pelo Xacobeo e Xunta de Galicia, pelas Câmaras Municipais de Montemor-o-Velho, Figueira da Foz, Ílhavo, Aveiro, Matosinhos, Póvoa de Varzim e Viana do Castelo, pelos Ayuntamientos de Baiona e Vilagarcia de Arousa, pela Área Metropolitana do Porto, Valimar ComUrb e Diputación de Pontevedra, pelo Instituto de Turismo de Portugal, pela Marinha Portuguesa e Armada de Espanha, pela Federação Portuguesa de Vela, pelas Regiões de Turismo do Centro, Rota da Luz e Alto Minho.

Informação RTAM




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