Esta semana, a vila de Caminha, acordou com uma obra de arte urbana plasmada nas paredes do edifício principal da Câmara Municipal de Caminha. A dita obra, suscitou nos observadores e curiosos, vários tipos de interpretação. Afinal a arte é assim mesmo… subjectiva.
Os comentários que se foram ouvindo na rua, aos populares, dividiram-se: uns viram naquela obra uma crítica mordaz à governação municipal de maioria PSD; outros, quiseram ver nela um exemplo do mau gosto e da falta de civismo de jovens arruaceiros; também ouvimos alguém dizer que aquela foi uma forma dos caminhenses demonstrarem o seu descontentamento para com a gestão da Câmara de Caminha; ainda houve quem visse naquele esquiço a atitude pouco democrática da esquerda municipal a tentar denegrir a imagem do partido no poder… Como nós, todos ouvimos os mais diversos comentários sobre as ditas gravuras.
Há uns anos atrás, a Assembleia Municipal de Caminha, aprovou um documento que impunha o reordenamento da sinalética do trânsito em Caminha e Vila Praia de Âncora. Essa nova postura do tráfego nas duas vilas do município caminhense mereceu, na altura, a aprovação praticamente unânime deste órgão autárquico. No entanto, depois de colocados os novos sinais e modificadas algumas posturas de trânsito foi, com espanto, que em V. P. Âncora se verificou a vandalização destes equipamentos (alguns deles ainda hoje visíveis): sinais pintados, sacos pretos a envolverem as sinaléticas, carros a transgredirem propositadamente os sentidos de circulação…
Na altura, em sede própria condenámos tais actos de vandalismo, de falta de educação cívica e democrática que atentavam não só contra os valores da República como também contribuíam para o delapidar do capital do município porque todos nós temos que pagar a reposição dos equipamentos.
Por aquele tempo convidámos também alguns responsáveis políticos a juntarem-se a nós na condenação de tais actos, mas eles escusaram-se. Julgo que as suas razões eram políticas… estavam na oposição e viam o vandalismo como uma demonstração do mal-estar dos ancorenses para com a Câmara Municipal gerida pelos socialistas. Hoje, estão de acordo comigo e, provavelmente por razões políticas… já não são oposição!
Nós mantemos a mesma postura de há quase uma década: independentemente de muitas vezes não concordarmos com a gestão desta autarquia por parte dos actuais líderes, não achamos civilizado nem democrático tal comportamento.
Em democracia as pessoas devem dizer bem alto o que pensam com urbanidade e educação. Os democratas sabem criticar e encaixar as críticas desde que feitas com respeito pelas pessoas e pelas suas ideias. Se estamos descontentes com os nossos governantes devemos guardar a tinta para o boletim de voto e não para pintar as paredes públicas.
A terminar gostaríamos de recordar algo que já aqui escrevemos: em Portugal tem-se desinvestido na educação, em particular, na formação cívica e nas ciências sociais o que poderá vir a ter consequências nefastas para a sã convivência democrática. Este episódio é apenas mais um exemplo da degradação da cultura democrática que vai imperando nos dias que correm.