Jornal Digital Regional
Nº 346: 30 Jun a 6 Jul 07 (Semanal - Sábados)
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ASSEMBLEIA MUNICIPAL

FESTIVAL DE VILAR DE MOUROS "ABRIU HOSTILIDADES"

JUNTA DE FREGUESIA APELA AO ENTENDIMENTO

PS DIZ QUE "É MAIS UM CONFLITO DENTRO DO CONFLITO"

PSD ACUSOU DEPUTADO DE "DEIXAR NO AR INSINUAÇÕES GRAVES"

JÚLIA PAULA AFIRMOU QUE
"NÃO DOU DINHEIRO PORQUE NÃO TENHO QUE DAR!"

Era previsível que a anulação do Festival de Vilar de Mouros deste ano tivesse eco na reunião da Assembleia Municipal de Caminha realizada alguns dias depois do seu anúncio.

Assim sucedeu, com Carlos Alves, presidente da Junta de Vilar de Mouros a evidenciar a sua "mágoa e desgosto" pelo seu cancelamento, realçando a "superior mais valia" que o festival representa na "promoção" e interesse económico do concelho e da região, evento este que a sua autarquia sempre acarinhou e promoveu "praticamente sozinha" desde o relançamento em 1996 e 1999.

EM NOME DO FUNDADOR E DOS INTERESSES DE CAMINHA

Evocou o papel do médico António Barge, criador do Festival, a quem a região muito lhe deve, ao retirar Caminha e o Minho do esquecimento a que eram votados nos anos 60 e 70, "região tradicionalmente esquecida pelos grandes decisores políticos", assinalou, precisamente no dia em que sua esposa, Amélia Barge, falecera em Lisboa e indo a enterrar no dia seguinte em Vilar de Mouros, pelo que pediu um minuto de silêncio em sua memória, o qual foi guardado por toda a assembleia.

Minuto de silêncio

Face ao impacto negativo que a "interrupção" provocou em "todos os bons caminhenses", incluindo não só os que apreciam este tipo de música, como os comerciantes, industriais e agentes turísticos, Carlos Alves entende que em nome "dos superiores interesses de Caminha" deverá prevalecer o "bom senso e entendimento" no que for essencial e terminar com "quezílias de ordem pessoal" para que o evento regresse no próximo ano.

Dirigindo-se ao Executivo camarário, lamentou que insista em atribuir "a erros de terceiros justificação para se divorciar de tão importante evento", ao contrário da junta que se mantém "aberta ao diálogo que nos tem sido recusado", frisou uma vez mais.

Por último, fez votos para que a interrupção registada a um mês das datas aprazadas para o evento "não passe de um triste mas passageiro episódio" e seja possível relançar definitivamente o decano dos festivais portugueses e que se arrisca a ver o seu lugar ocupado por outro evento no mês de Julho.(Comunicado emitido pela Junta de Freguesia de Vilar de Mouros)

"RESOLVAMOS ESTE PROBLEMA COLECTIVO"

Da parte do PS, Jorge Fão mostrou-se igualmente pesaroso com o desfecho da edição de 2007, fazendo notar que "estamos a promover a não realização do Festival" e a "perder tempo e dinheiro", ao invés de "em condições normais", precisou, estarem a valorizar a iniciativa.

"A história das histórias são conhecidas por cada um mas a conclusão é que é triste", lamentando "mais um conflito dentro do conflito do nosso concelho".

Chamou a atenção para a importância cada vez maior das parcerias público-privadas e recordou algumas passagens do processo, nomeadamente, o compromisso assumido pelo adjunto da presidente da Câmara em 2005, de pagamento da GNR e Cruz Vermelha, o que não viria a ser cumprido, assegurou, e o final "dramático" do Festival do último ano.

O facto de a presidente da Câmara se ter sempre recusado a reunir com a Porto-Eventos e Junta de Freguesia foi criticado pelo deputado municipal, entendendo que Júlia Paula é que acabava por ter capacidade de decisão.

Como nota da atitude negativa dada pela Câmara, destacou os 200.000€ pedidos pela empresa em Janeiro e apenas em Junho ser dada resposta à reunião solicitada. -"Era tarde!", disse.

Jorge Fão apelou, por último, a uma "convergência" entre todas as partes, na tentativa de reerguer o Festival e apagar a imagem negativa que foi dada.

"TERÁ QUE HAVER UM CONSENSO"

Três deputados do PSD intervieram na discussão, com Narciso Correia a elogiar a proposta "sensata" de Carlos Alves mas frisando que este autarca "é que tem um problema a resolver".

Teceu críticas à empresa por ser incapaz de melhorar o festival com as bandas que apresenta, ou dando como exemplo o alinhamento escolhido na edição em que actuou Joe Cocker, ao colocá-lo em palco demasiado cedo.

Embora tivesse nivelado muito por baixo as contas do Festival, ao dizer que os 200.000€ pedidos à Câmara, equivaliam "quase" ao seu orçamento (ele eleva-se a 1,2 milhões, segundo revelaram os responsáveis pela empresa), Narciso Correia realçou ainda que "todos os festivais funcionam por eles próprios".

"INSINUAÇÕES GRAVES"

A expressão utilizada por Jorge Fão ("o conflito dentro do conflito") não agradou a Manuel Marques, porta-voz do PSD, entendendo que "deixou no ar insinuações graves de um deputado da nação" e frisando que a "única história do Festival" fora a descrita pelo seu colega de bancada Narciso Correia.

Recordou ao deputado os conflitos nacionais no campo da educação, saúde e outros, provocando a reacção de Jorge Fão, mas, insistindo, Marques acusou-o de fazer política (partidária) e não pretender que os outros o façam.

"TUDO O MAIS É CORTINA DE FUMO"

Rematando as intervenções do PSD, Francisco Cunha recusou o tom "dramático" utilizado por Fão e, ironicamente, disse que como a Junta e PortoEventos se comprometeram a realizar a edição do próximo ano, "não precisam de mais ninguém", entendendo que "tudo o mais é cortina de fumo" e, baseando-se em declarações de Luís Montez, da Música no Coração, empresa preterida pela autarquia vilarmourense quando teve de escolher entre as duas, afirmou igualmente que "a culpa é da Junta de Freguesia".

"PS A REBOQUE DA PORTOEVENTOS"

O assunto rematou com a exposição de Júlia Paula insurgindo-se contra as declarações de Jorge Fão, acusando-o de ter feito "um mau exercício público das suas funções" ao apresentar-se, na sua óptica, "como um porta-voz do PortoEventos", ao ter-se esclarecido com eles e, "com um telefonema, eu esclarecia-o", anotou.

Recordou a Jorge Fão que em Julho de 2003, "quando o festival era um sucesso", este vereador "tinha dito mal" dele, designadamente do seu cartaz, reafirmando que concedeu o seu apoio a todas as edições desde que tomou posse em 2002.

Disse que se os anteriores executivos socialistas não quiseram envolver-se directamente na organização do Festival, tinha sido uma opção sua, com a qual não alinhava e pretendia ser interveniente no processo, razão pela qual contestou e decisão da junta de freguesia.

Júlia Paula insistiu em que "conseguiram acabar com o melhor negócio do concelho", descartando qualquer responsabilidade no sucedido e recusando que "ponha (Jorge Fão) em causa a legitimidade do vereador da cultura", quando este criticou a recusa da presidente em receber a organização do Festival, ao remeter o assunto para ele.

Sobre a história dos 1.000 bilhetes exigidos no ano das eleições autárquicas, Júlia Paula considerou um procedimento normal, dado que a Câmara sempre recebeu bilhetes, tal como sucedeu com o presidente da Junta, afirmou.

Acerca dos 200.000€ que a PortoEventos terá pedido à autarquia, Júlia Paula reafirmou que "não dou dinheiro porque não tenho que dar", além de classificar de "muito mais grave" o caso, se foi por causa dessa verba que o Festival não se realizou.

Apesar das tentativas de conciliação entre todas as partes e da abertura patenteada pela autarquia vilarmourense para viabilizar acordos futuros, Júlia Paula não se mostrou muito disposta a ceder, aproveitando a posição do PS para voltar a demarcar-se do passado recente ao afirmar: -"Com esta atitude fecha portas!".

RELATÓRIO SOBRE O RIO ÂNCORA DIVIDIU ASSEMBLEIA

"Temos a certeza que esta comissão espicaçou o próprio Executivo", afirmou Celestino Ribeiro, deputado eleito pela CDU, ao abordar o relatório elaborado por uma comissão tripartida de acompanhamento da poluição do rio Âncora, criada no âmbito da Assembleia Municipal, entregue no plenário de Abril e agora analisado.

Este deputado disse que o relatório "é claro" e se baseara em averiguações documentais em alguns pormenores que convinha esclarecer, apesar das dificuldades encontradas para obter muita da informação vertida nele, mostrando-se disponível para "esclarecer todas as dúvidas".

"CONHECEMOS A NOSSA TERRA"

Outro dos elementos da comissão, Álvaro Meira (PS), lamentou que houvesse quem dissesse que "não éramos competentes" mas, "conhecemos a nossa terra", dando como exemplo de ainda pequenos, "entrarmos nos aquedutos" que, agora, a Câmara anda a inspeccionar.

Louvou a abertura demonstrada pela delegada de Saúde na entrega de todas as informações disponíveis e evidenciou preocupação relativamente à recuperação da Bandeira Azul em 2008, uma vez que este ano, já há duas análises "aceitáveis".

Este deputado mostrou-se reticente quanto à possibilidade de a ETAR da Gelfa aguentar toda as descargas que recebe, voltando a exigir a instalação de um emissário submarino.

Perante a confusão geralmente gerada à volta da localização precisa da designada Praia das Crianças, este deputado ancorense, explicou que ela se situa a jusante da ponte pedonal, devido à existência de uma "piscina natural" sem perigo para os mais pequenos, sublinhou.

Terminou fazendo votos para que em 2007 não voltem a surgir os problemas da época balnear anterior e a criticar os comunicados da Câmara Municipal que "nos irritam", concluiu.

"CENTÍMETRO A CENTÍMETRO"

Este tema não deixou igualmente indiferente Manuel Marques, presidente da Junta de Vila Praia de Âncora e terceiro integrante da dita comissão que agora concluiu o seu trabalho.

Este autarca disse não ter concordado com o relatório prévio elaborado mas, a sua posição não vingou no seio da comissão, sublinhou, embora na generalidade do documento, estivesse de acordo.

Argumentou que discordava que o referido relatório prévio espelhasse a ideia de que a Câmara tinha sido demasiado lenta na detecção e resolução dos problemas, pois, segundo exemplificou, o Executivo tinha mandado inspeccionar condutas e linhas de água "centímetro a centímetro".

Lamentou que tivesse sido feito "política" e "juízos de valor" contra um empregado, no que se refere à ETAR.

JÚLIA PAULA ESCLARECE CANDIDATURAS CHUMBADAS

A apresentação de um requerimento da autoria de Jorge Fão, ao presidente da Assembleia Municipal, solicitando ao Executivo que esclarecesse quais as candidaturas não aprovadas pelo Governo, levou Júlia Paula a apresentar uma listagem.

Dela constam a continuação da instalação da rede de abastecimento de água e saneamento (5 milhões de euros) em diversos pontos do concelho; infra-estruturas básicas de importância económica (873.000€); requalificação do espaço público de V. P. Âncora (1,3 milhões de euos); relvado sintético no campo de jogos do Âncora-Praia (393.000€); levantamento das fachadas do centro histórico de Caminha(255.000€); infra-estrutura hidrográfica da zona norte em Caminha (342.000€); espaço Internet em V.P.Âncora (127.000€) e GTL nesta mesma vila; espaço de acolhimento a turistas (621.000€); recuperação de áreas degradadas (420.000€)

Embora inicialmente chumbadas, as candidaturas da requalificação e valorização da Torre do Relógio e a criação do Núcleo Museológico do Centro Histórico de Caminha, vieram a ser reconsideradas pela administração central.

ESCOLA DE VILARINHO (VPA) MUDA DE DOIS EM DOIS ANOS

Esta sessão permitiu ainda à CDU, pela voz de Celestino Ribeiro, explorar as contradições da presidente Júlia Paula, no que se refere ao destino a dar à Escola de Vilarinho.

Em 2003, no decorrer das celebrações dos 79 anos de elevação a vila de Vila Praia de Âncora, a autarca prometeu instalar a creche e jardim de infância na antiga escola de Vilarinho.

Dois anos mais tarde, durante o Festival de Primavera organizado pela Academia de Música Fernandes Fão, "surpreendeu a plateia", anunciando o referido edifício para sede desta escola.

Volvidos outros dois, nem uma coisa nem outra, continuando a assistir-se "ao avanço da degradação" do edifício, salientou Celestino Ribeiro.

Júlia Paula respondeu que o projecto para um novo edifício está em marcha, embora não dependendo directamente da autarquia , recordando que a carta educativa aponta para a concentração e, quanto à escola de Vilarinho, reiterou que está destinada à Academia, pensando elaborar "um projecto sério" e contando posteriormente com o apoio da DREN.

INSUPORTÁVEL ATRASO NO PASSEIO DAS CAMBOAS

O eleito da CDU aludiu ainda à situação dos passeios a norte da Av. Ramos Pereira (Camboas), lamentando que a ciclo-via seja utilizada pelos próprios peões, pedindo à presidente da Câmara que "termine o que inicia".

Tal situação foi igualmente abordada por Manuela Costa (PS) e Francisco Cunha (PSD), ambos lamentando a situação e pedindo uma regularização do piso.

"Se não cumprimos é porque não temos dinheiro", desculpou-se a presidente.

Apesar de afirmar que já tem projectos prontos, necessita de verbas, esperando que a instalação da eco-via desde o Forte do Cão até à Foz do Minho (com custos na ordem dos 2 milhões de euros) seja concretizada através de um programa de requalificação do litoral.

Sobre os passeios, referiu que a Minho e Lima foi obrigada a realizar mais do que uma intervenção nesta zona, devido a erros que decorreram da intervenção inicial e se tivessem instalado a eco-via, essa empresa seria obrigada a rebentar com ela, a fim de remendar o que estava mal.

Júlia Paula garantiu, contudo, que a eco-via iria para a frente, comprometendo-se com 2/3 da verba orçamentada.

POSTO DE VENDAGEM ENJEITADO

Ainda em Vila Praia de Âncora, Carlos Martins (PS) pediu explicações sobre o atraso na transferência da venda de peixe para o novo posto de vendagem, assim como no projecto do novo mercado.

Como é prática habitual, Júlia Paula respondeu em nome do Executivo, lamentando o atraso no desenvolvimento do projecto da zona envolvente do Portinho, referindo ainda que a Câmara não é a dona das novas bancas de peixe, as quais estão a ser contestadas pelos pescadores que consideram demasiado elevadas as taxas postas em prática pelo IPTM.

A Associação de Pescadores colocou-se ao lado dos profissionais de pesca ancorenses e a Câmara fez o mesmo, referiu a autarca social-democrata, destacando ainda o carácter precário do equipamento, aguardando pelo desenvolvimento do projecto da 2ª fase, o qual é da competência do Governo, precisou.

MERCADO COM PROJECTO PRONTO

Quanto ao mercado novo, referiu que o projecto ficara concluído dias antes da realização da assembleia, prometendo avançar com ele ainda neste mandato logo que tenha disponibilidade financeira, de modo a rectificar um erro do passado.

ELOGIOS AO EXECUTIVO…

A política seguida pelo Executivo a fim de resolver um leque diversificado de situações que vêm criando problemas de poluição no rio Âncora, foi louvada pelo social-demcrata Taxa Araújo, entendendo, além disso, que a autarquia está inclusivamente a adiantar-se ao que compete ao Ministério do Ambiente, pelo que pediu uma clarificação das competências de ambos, após acusar de "ineficaz" a actuação ministerial.

Este deputado congratulou-se também pelo fim da interdição da proibição de banhos que se mantinha no início da época balnear, decorrente dos problemas de 2006.

Esta intervenção serviu de pretexto à autarca para informar que os estudos às condutas e linhas de água correrão a cargo de técnicos exteriores à câmara, seguindo um critério rigoroso e selectivo de modo a conseguir debelar em definitivo a situações de contaminação existentes.

...E A MUITOS MAIS

Refira-se que o presidente da Junta de Venade (PSD) chamou a atenção para a perigosidade das valetas na Av. Manuel Xavier, em Caminha, no que aos ciclistas diz respeito e louvou quem participou nos arranjos florais do Corpo de Deus. António Quartéu (PS), seguiu-lhe as pisadas, destacando as vitórias do Caminhense no Nacional de Remo, a prestação dos infantis e juvenis do Clube de Andebol de Caminha, a organização do passeio pedonal a cargo da Junta de Vilarelho e a semana cultural da EB 2,3/S de Caminha, nomeadamente, o espectáculo proporcionado pelo empenho da Associação de Pais.

ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
Autor
Joaquim Vasconcelos
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