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FESTIVAL DE VILAR DE MOUROS/07 EMUDECEU ACUSAÇÕES ENTRE PORTOEVENTOS E CÂMARA
No próximo mês de Julho, Vilar de Mouros não vai registar as habituais avalanches de jovens em busca de ritmos trepidantes e de momentos de convívio e relaxe que os festivais rock lhes proporcionam.
As tribos não confraternizarão, os acampamentos nas margens verdejantes do rio Coura não se repetirão, a aldeia prosseguirá ao seu ritmo habitual, apenas um pouco mais alterado porque o verão já está aí, o que sempre atrai visitantes até esta emblemática povoação, que muito deve em termos turísticos ao seu Festival iniciado em 1971 pelo entusiasta e persistente António Barge.
Apesar de agraciado postumamente pela câmara (concedeu-lhe medalha de mérito concelhio e pela junta que lhe atribuiu o seu nome e descerrou um monumento em sua memória no largo (Chousas) onde agora se desenrolam os festivais, a figura de António Barge não teve força suficiente para ultrapassar os problemas que se avolumavam desde finais de 2004. Em comunicado enviado aos órgãos de comunicação social na tarde do passado dia 13, a PortoEventos e a Junta de Freguesia anunciavam não haver condições para levar por diante o Festival de Vilar de Mouros aprazado para 20, 21 e 22 de Julho próximo, apesar de já existirem bandas pré-contratadas, tais como as actuações do ex-Beach Boys Brian Wilson, Marky Ramone e The Queers, os argentinos Super Ratones, os portugueses Blasted Mechanism e The Gift e grupos de heavy-metal, assacando responsabilidades à câmara pelo cancelamento. NOUTROS CONCELHOS HÁ APOIO
A Junta de Freguesia de Vilar de Mouros considerou "lamentável" que a câmara não se tivesse envolvido num festival desta importância, quando "deveria ter colocado os interesses do concelho à frente de tudo", conforme nos revelou Carlos Alves, presidente da autarquia vilarmourense. Referiu que nunca conseguiram reunir com a presidente da câmara para discutir a organização do evento deste ano, apesar dos vários ofícios enviados pela junta e PortoEventos, tendo apenas realizado um encontro com o vereador da cultura no início do ano, o qual se revelaria "inconclusivo", referiu. Carlos Alves considerou essencial o apoio camarário, a exemplo do que sucede noutros concelhos em que se organizam festivais similares. Refira-se que Paredes de Coura concede mais do dobro da verba que a Câmara de Caminha diz ter concedido no ano passado ao festival (60.000€). A existência de algumas divergências entre a Junta e PortoEventos, sobre o incumprimento de um protocolo celebrado entre ambas há cerca de três anos, por parte desta última, não terá pesado, contudo, na decisão anunciada agora, acrescentou o eleito pela CDU. Recorde-se que a autarquia vinha exigindo o pagamento de verbas especificadas no protocolo celebrado entre ambas em Novembro de 2004, depois de a PortoEventos e a Música no Coração terem entrado em rota de colisão no final do festival desse ano, vendo-se então forçada a escolher entre as duas empresas aquela que realizaria as edições dos próximos seis anos, recaindo a opção na PortoEventos. Desde então, os problemas com a Câmara de Caminha também se agudizaram, depois desta se ter sentido marginalizada do processo, coincidindo igualmente com a polémica gerada com a construção da ligação do IC1 por Vilar de Mouros, contestada pela junta e defendida pela câmara, além de o Executivo não ter feito qualquer obra na freguesia desde então, segundo denuncia a autarquia vilarmourense. "É UMA PENA"
Ouvido Francisco Sampaio, presidente da Região de Turismo do Alto Minho, colhido de surpresa com a notícia, destacou que "estamos sempre a perder" com estas situações, designadamente o concelho de Caminha, recordando que "desde a primeira hora, sempre estive com o Festival, desde 1971, 82 e 96 e seguintes", considerando "uma pena" tal desenlace. OPOSIÇÃO CRITICA CÂMARA
Quanto a Amílcar Lousa, vereador socialista, considerou ser "lamentável que a sr.a Presidente não se sente à mesa com a organização do evento e com o Sr. Presidente da Junta de Vilar de Mouros para, em conjunto, definirem estratégias que possam trazer mais desenvolvimento e maior visibilidade ao concelho". Criticou a “falta de envolvimento” camarário, mais parecendo “um benfeitor de ocasião do que um verdadeiro parceiro”, dando como exemplo o facto de “no ano passado, nem sequer ter incluído este festival na agenda cultural que é publicada mensalmente”. Concluiu, dizendo que “a população e o concelho de Caminha não merecem tudo isto que lhes está a acontecer”, perante o evento “mais mediático que temos”, o que representa “uma machadada no tecido económico” concelhio. JÚLIA PAULA NUNCA OS RECEBEU
Jorge Silva, da PortoEventos, disse ao C@2000 que depois dos sucessivos silêncios da Câmara de Caminha a fim de conseguirem uma base de entendimento, uma reunião em Janeiro deste ano mantida com a autarquia caminhense (representada pelo vereador Paulo Pereira) e em que participou a junta, em nada resultou, face à posição do edil ao insistir no afastamento do Executivo do processo inicial, apesar da oferta da junta para rever a situação. Jorge Silva lamentou a atitude do vereador, considerando-o mesmo arrogante perante o autarca vilarmourense e ficou a aguardar pelo agendamento de uma reunião com a presidente da Câmara até final de Maio a fim de clarificar definitivamente a situação. Atendendo a que a resposta não surgiu até essa data (a Câmara exibiu um ofício com data de 8 de Junho e que a PortoEventos nega ter recebido) e tinham de assumir compromissos financeiros com as bandas reservadas até final de Maio, de modo a garantir a sua contratação, em conjunto com a junta, decidiram cancelar o evento. Contudo, Jorge Silva mostrou-se esperançado em relançar o Festival em 2008, tal como o fez Carlos Alves, atendendo a que é um cartaz do concelho e da região "que só perdem com estas situações", não tanto como a própria freguesia de Vilar de Mouros -com um nome já reconhecido mundialmente devido à propaganda que o certame lhe granjeou -, mas que acabava por ser a própria população a suportar "toda a pressão e desgaste" que um festival destas características provoca, ao contrário das demais freguesias de Caminha, sublinhou. ORGANIZADORES ACUSADOS DE INÉPCIA
A Câmara de Caminha, por seu lado, "lamenta profundamente" que apenas tenha tido conhecimento do cancelamento pela comunicação social, reiterando críticas à junta por a ter afastado do processo de selecção da empresa e da própria organização do festival. Sublinhou num comunicado emitido no próprio dia em que foi divulgado o cancelamento, que vinha apoiando o evento com 60.000€, com realce para a higiene e salubridade a seu cargo, além de ter chamado a si outras atribuições no respeitante a licenças e suportes publicitários e logísticos. "A Junta de Freguesia tornou-se a única responsável pelo futuro sucesso ou insucesso do Festival, uma vez que foi também a única responsável pela escolha da empresa promotora do mesmo", refere no seu comunicado. Acusa ainda os organizadores de "inépcia" ou falta de patrocinadores, ou outros problemas "já do domínio público", numa alusão a compromissos não assumidos "entre os próprios ou terceiros", salientando que "os dinheiros públicos da autarquia não servem para cobrir prejuízos de terceiros", devolvendo as acusações dos organizadores do festival, os quais, segundo ela, "se escusam com desculpas infundadas e estéreis facilmente desmontáveis". Salienta que já na reunião de Janeiro tinham informado a organização que o apoio a conceder em 2007, seria idêntico aos anos anteriores. ACUSAÇÕES RECÍPROCAS À parte esta polémica, outra estalou relativamente a um ofício que a Câmara diz ter enviado a 8 de Junho - e que nós reproduzimos no avanço informativo do passado dia 13, tal como o fazemos agora -, em resposta às cartas remetidas pela PortoEventos, e que esta empresa nega ter recebido. A PortoEventos, além de afirmar nada ter recebido nos últimos dias, acusou ainda Júlia Paula de mentir sobre um alegado apoio da autarquia nos anos anteriores, reafirmando ainda que não responde às cartas registadas remetidas pela empresa. Foram citados como exemplos do desinvestimento realizado pela câmara, o não pagamento das despesas com a GNR e Cruz Vermelha, iluminação pública e caminhos de acesso e que a autarquia alegadamente teria assumido em 2005, depois de a junta ter aceite abdicar do recebimento de verbas provenientes da câmara, uma troca que favoreceria o Executivo camarário com um reforço de bilhetes. Recorde-se que neste ano de eleições autárquicas, se falou numa contrapartida de mil bilhetes. POLÉMICA SEGUE NOS TRIBUNAIS Uma catadupa de comunicados e declarações de ambas as partes centraram as notícias dos últimos três dias, levando a ameaças de processamento mútuo, depois de Júlia Paula ter referido à Agência Lusa que nada devia à PortoEventos, nem nunca ter assumido pagamentos com a GNR. A autarca acusou os responsáveis da PortoEventos de "má fé" ao atribuírem a causa do cancelamento do festival à falta de apoio camarário, retorquindo que a empresa, na reunião de Janeiro, pedira um subsídio de 200.000€, o qual fora negado na ocasião, revelou a autarca, apenas se comprometendo com uma verba de 60.000€ equivalente a acções de logística. Por seu lado, a PortoEventos pretende ressarcir-se em tribunal das dívidas que afirma existirem da parte do Município. Voltamos a reproduzir os comunicados de ambos, emitidos no início da polémica:
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