Jornal Digital Regional
Nº 344: 16/22 Jun 07 (Semanal - Sábados)
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TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor


PERISCÓPIO SOCIAL

O fim do estado de graça!...

Na altura em que redigimos a nossa coluna fomos surpreendidos pelo triste anúncio da interrupção do mítico "Festival de Vilar de Mouros". Este evento que tem sido uma excelente montra do concelho de Caminha foi agora, mais uma vez e por que é referência nacional e internacional, notícia por falta de diálogo, segundo os organizadores, da Câmara Municipal de Caminha.

É certo que Júlia Paula e sua equipa se vêem hoje confrontados com um problema que não tinham no mandato passado: o dinheiro. O actual executivo camarário provou que sabe governar enquanto tem dinheiro para gastar mas quando a "fonte seca" o município aumenta as despesas e as receitas ficam aquém do pretendido. Aliás, a análise dos relatórios de execução financeira desta autarquia demonstram a efectiva dissonância entre a promessa de aumento de receitas e a realidade contabilística do ano seguinte.

Ao problema financeiro, acresce a falta de capacidade de resolução dos problemas do município tendo-se iniciado uma autêntica "caça às bruxas" levando tudo e todos ao banco dos réus (presidentes de Junta de Freguesia, vereadores, escolas, empresas...), às vezes até sem ter certezas. Vejamos o caso da Bandeira Azul de Vila Praia de Âncora, por que razão esta Câmara não consegue identificar e resolver esta questão? Dispensamos aquela resposta de mau pagador "a culpa não é nossa"... esta não é altura de culpas mas de soluções. Os ancorenses estão cansados de esperar e fartos de promessas! Não se confunda a afonia da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora com o sentimento dos ancorenses que, ao dizerem a alguém de onde são, ficam com a matrícula da "praia suja". Os executivos anteriores foram julgados pelo povo e sancionados e o actual seguirá o mesmo caminho se não se concentrar no essencial que é a saúde e o bem-estar dos munícipes e veraneantes.

Voltando ao Festival de Vilar de Mouros e, tendo em conta a informação de que dispomos ficamos com a sensação de que a câmara provavelmente quer "nacionalizar" este evento. "Se eu puder ditar as regras... jogo! Se assim não for... amuo e ninguém joga!"

É evidente que a Região de Turismo do Alto Minho e/ou o Governo Civil não se indignaram pelo acordo celebrado entre a Junta de Freguesia de Vilar de Mouros e a Portoeventos.

É claro que a Câmara não se reuniu com os organizadores do Festival. Porquê? Falta de tempo?!

É estranho que um município que se diz amigo da cultura entremeada de "comes e bebes" para ser populista (uma espécie de programação generalista com telenovelas e concursos de fraca prestação)... se tenha posto à margem deste processo.

Não lhe interessava a publicidade gratuita ao Concelho de Caminha? Não lhe interessava ter os canais televisivos a abrir com Vilar de Mouros? Não lhe interessava ter Caminha a passar várias noites por ano em canais de televisão que transmitiam o festival em diferido? E os jornais? E as revistas? E os milhares de portugueses e estrangeiros que vieram a Caminha, pela primeira vez, para ver o festival e regressam ano após ano?

Tudo isto pareceram não ser razões de peso para que a câmara recuperasse do amuo e pensasse no turismo.

Como dizia Abraham Lincoln " se se quiser pôr à prova o carácter de um homem (mulher), dê-se-lhe poder". A Junta de Vilar de Mouros e a Portoeventos que se cuidem pois, num futuro próximo, poderão acabar sentados num banco acusados de responsáveis pelo fim do festival de Vilar de Mouros.

Para os que aguardavam que a câmara oferecesse bilhetes para os concertos têm que esperar por melhores dias!... Para os amantes do festival fica a saudade das últimas edições e a ânsia para que 2008 seja o ano do regresso.

Pedro Ribeiro

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