Jornal Digital Regional
Nº 338: 5/11 Mai 07 (Semanal - Sábados)
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TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor


PERISCÓPIO SOCIAL

"Traz um amigo também..."

Celebrou-se mais um aniversário do 25 de Abril e, à parte o cerimonial político, pouco ou nada aconteceu. Foi um dia como os outros em que não se trabalha! Aliás as televisões, pela manhã, mantiveram os seus alinhamentos com aqueles programas onde se assiste à leitura dos horóscopos ou às conversas sobre a vida dos outros (entendam-se "outros" por "famosos").

Passados trinta e três anos do histórico dia em que a liberdade saiu à rua, pondo fim à mais longa ditadura da Europa dos quinze, é altura de reflectir sobre aquilo que o povo (que somos nós) conquistou.

Assim, o país desenvolveu-se e decidiu privatizar tudo aquilo que o Estado tinha e que era apetecível ao sector privado. Por isso mesmo, todos ouvimos falar em produtividade em vez de qualidade, a responsabilidade foi substituida pela verificação do número de vezes que um trabalhador vai à casa de banho ou se falta ao trabalho (por doença, apoio familiar, por desporto - tudo na mesma categoria).

Os nossos políticos, desde cedo se habituaram ao poder, ao dinheiro e à influência constituindo um novo modelo político: a "ditadura" legitimada pelo voto! Dentro deste modelo temos Alberto João Jardim que, se o deixarem, estará à frente da Madeira mais tempo que Salazar. Mas não é o único! Existem ainda muitos autarcas e deputados na Assembleia da República que o seu primeiro emprego foi a política! Não é só Alberto João Jardim que tem o controlo da comunicação social na Madeira! Em muitos concelhos, existem autarcas que também têm! E, ao que parece, os governantes também têm laivos de controlo sobre a comunicação social (entenda-se "controlo" no sentido de "pressão" é menos abrasivo porque os democratas são polidos).

Os salários dos políticos, nos últimos trinta e três anos, subiram mais que os do povo. Os políticos que no pós-25 de Abril se vestiam como o povo deram lugar ao fato e gravata, ao carro da moda, às festas elitistas onde só quem tem poder, prestígio, influência ou dinheiro pode entrar.

Os portugueses têm hoje mais do que tinham no passado (estradas, hospitais, segurança social, escolas...) devido à ajuda da União Europeia mas continuam a ser pobres. O povo português tem os maiores níveis de iliteracia da U.E., produz menos, ganha menos, passa menos férias, tem menos tempo de lazer, tem menos apoios do Estado e tem a maior diferença entre pobres e ricos da UE.

É verdade que podemos dizer o que pensamos, somos livres de falar mas não temos a liberdade de ser ouvidos ou porque "o Sr. Ministro não está!" ou"O Sr. Presidente não pode atendê-lo!"... e a melhor resposta que um político democrata dá a esta reflexão será "isto é pura demagogia". Também no passado se dizia que os resistentes ao Estado Novo eram demagogos e tudo deu no que deu.

A maioria dos nossos jovens pouco sabem de Abril pois a escola de hoje é mais exigente nas ciências naturais que nas ciências sociais e aproveitam o dia como uma folga para saír até tarde e dormir mais tempo.

Diz-se que "falta cumprir Abril" e eu diria que, a maior mensagem do 25 de Abril ainda está viva no coração da maior parte dos portugueses, pobres e trabalhadores: a concretização de um Portugal mais fraterno, democrático e livre.

Que um novo Abril nos traga Abril e como Zeca Afonso cantava "traz um amigo também!"

Pedro Ribeiro

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