Os mais recentes desenvolvimentos relacionados com a construção da ligação da A28 à estrada nacional 13, e sobretudo os gravíssimos danos patrimoniais resultantes da sua implantação ao longo das vertentes meridional e poente do Monte de Góios, entre Vilar de Mouros e Gondarém, continuam a causar descontentamento a nível local e a suscitar apoios de muitos cidadãos de diferentes origens.
Ora, a razão mais notória deste crescendo de solidariedade tem que ver com os perigos de destruição e adulteração do santuário de arte rupestre do Monte de Góios, em Lanhelas. A grandiosidade e valia estética deste espaço arqueológico, assim como a sua enorme importância científica, têm sido reveladas por inteiro nos últimos anos e reconhecidas pelos melhores especialistas em arte pré-histórica. Diferentes missões de estudo, nacionais e internacionais, por parte de universitários e de outros arqueólogos, foram efectuadas a este sítio. Pelo que, especialistas em arqueologia pré-histórica portugueses, espanhóis, franceses, ingleses e de outros continentes tiveram já a oportunidade de apreciar as largas dezenas de rochas insculturadas, há mais de cinco mil anos, e as magnificas gravuras naturalistas e esquemáticas que nelas se inscrevem. Todos eles, por sua vez, receosos com impactes irreversíveis que as obras causarão nas gravuras e na paisagem que as contém.
No Congresso Internacional de Arqueologia realizado em Lisboa, no ano transacto, promovido pela União Internacional das Ciências Pré e Proto-Históricas, evento que congregou cerca de 2500 arqueólogos de todo o mundo, igualmente os especialistas em arte rupestre da Internacional Federation of Rock-Art Organisations (IFRAO) aí presentes manifestaram as mesmas preocupações e aprovaram uma moção onde expressavam a sua inquietação face às ameaças que pairam sobre o património arqueológico do Monte de Góios.
É neste contexto que um grupo de artistas plásticos de Portugal e da Galiza, e ainda alguns coleccionadores, empenhados na conservação do património natural e cultural do Alto Minho, têm identicamente demonstrado a sua solidariedade com as entidades e cidadãos envolvidos na defesa desses mesmos valores. Conhecedores dos custos das diferentes intervenções levadas a efeito para alertar a comunidade científica e restantes cidadãos, bem como os custos associados às acções judiciais empreendidas com o intuito de garantir uma prévia discussão pública do novo projecto de traçado - tal como a própria lei obriga! -, estes artistas, passando das palavras aos actos, decidiram doar uma série de obras da sua autoria, destinando-se a sua venda a cobrir parte das despesas em causa. Obras de arte cuja temática, em geral, evoca diversos espaços naturais e o património construído da nossa região, e cuja exposição/venda estará patente de 8 a 15 de Maio, na Galeria Municipal de Caminha.
Participar neste acto, constitui não somente uma oportunidade para adquirir uma ou várias obras de arte, como a ocasião para esboçar um gesto de solidariedade destinado a incentivar os autarcas e outros cidadãos nesta dura e prolongada luta. Contamos, pois, com a V. presença e solidariedade, em prol do património artístico português e do Nordeste da Península, mas igualmente em prol do próprio desenvolvimento sustentável da região, tendo em conta a função de âncora para as actividades turísticas que um património como o Monte de Góios poderá representar.