Pelas dez horas da manhã do passado dia 2 quando uma barco de pesca profissional de caixa aberta, o "Steven", registado em Vila Praia de Âncora mas tripulado por três pescadores vianenses, foi colhido por um golpe de mar junto ao Forte do Cão, em Âncora.
O acidente verificou-se num "baixo", ao pé da designada pedra da Quintina, a poucos metros da costa, quando pescavam robalo utilizando anzóis iscados com patelo.
E foram precisamente os anzóis engachados na roupa do pescador José Manuel Martins Gonçalves, residente na R. Daniel Machado, em Viana do Castelo, de 32 anos, casado, pai de uma filha menor, que terão impedido que aguentasse o tempo suficiente à tona de água até que chegasse socorro de terra.
Logo que dado o alerta por um pescador desportivo que se encontrava na paia e ouviu os pedidos de auxílio dos pescadores naufragados, quatro elementos da Polícia Marítima que procediam ao controle do assoreamento no Portinho de abrigo de Vila Praia de Âncora dirigiram-se para o local na companhia de dois bombeiros voluntários da corporação ancorense.
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Dois minutos depois do aviso já estavam a prestar socorro aos homens do mar, conseguindo resgatá-los da água mas, um deles, viria a falecer apesar de ter sido alvo de tentativas de reanimação durante o transporte para terra, onde o aguardava uma ambulância dos bombeiros que o conduziu para o Hospital de Viana do Castelo, onde chegou já sem vida. |
Os outros dois colegas do pescador falecido, Jorge Souto, de 32 anos, arrais e proprietário do "Steven" e um jovem, Amadeu Forte, de 19 anos, observador de pesca, regressaram a Viana do Castelo em viaturas particulares, recebendo assistência no hospital dessa cidade.
Outros dois barcos de pesca de Vila Praia de Âncora, o "Jovem Sereia" e "Mãe de Deus" também colaboraram na operação de resgate e no transporte do barco afundado até ao porto de abrigo de Vila Praia de Âncora. |
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Os coletes dos pescadores foram encontrados no interior do barco, evidenciando que não os traziam vestidos quando pescavam neste local perigoso mas abundante em peixe, motivo pelo qual arriscavam diariamente a vida na pesca do robalo, utilizando os aparelhos de pesca munidos de mais de mil anzóis.
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"O mar nem era mau e nem sequer virava muito", referiu-nos Manuel Rei, actual comandante provisório dos Bombeiros Ancorenses e um dos socorristas mas esse pescador "já tinha o destino traçado", lamentou. |
Segundo nos relataram pessoas que vivem na parte alta da vila de onde apreciam toda a costa, já no Sábado passado tinham constatado que o mesmo barco se arriscava demasiado junto ao penedio ancorense, pelo que na comunidade local se temia pelo pior há bastante tempo devido à ousadia dos ocupantes do "Steven".
Manuel Fernandes, patrão do "Mão de Deus" e que retirou imediatamente o barco que se encontrava na rampa varadouro do cais para se fazer ao mar a fim de colaborar no auxílio aos sinistrados e que rebocou posteriormente a embarcação semi-submersa até terra, embora não tenha presenciado o acidente, acredita nas versões que apontam para uma volta de mar junto a um baixo e que virou o barco que se encontrava há três dias a pescar robalo, como fazia inúmeras vezes ao ano. |
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Jorge do "Nacho", outro pescador ancorense que comentava o sucedido, disse que "os gritos deles na água se ouviam na praia do Forte do Cão" e António Ferreira, patrão do "Jovem Sereia", um dos primeiros a chegar junto do barco virado, assinalou que "nem de propósito estava no portinho um barco da Polícia Marítima que imediatamente prestou auxílio", caso contrário, a tragédia poderia ser bem maior, assegurou.