No decorrer do III Fórum do Vale do Minho que decorreu em Monção no passado dia 30 de Março, Rui Solheiro, presidente da Comunidade Intermunicipal do Vale do Minho, referiu ser necessário escolher entre dois modelos jurídicos disponíveis (Uniminho ou outro) de modo a poder estabelecer laços mais profundos de cooperação entre as duas margens do rio Minho.
"Nunca estivemos tão perto de lançar projectos comuns", frisou o presidente da Câmara de Melgaço, embora tivesse considerado "escassas" as verbas disponíveis no FEDER (cerca de 20 milhões de euros) para todo o norte do país o que reputou de "pouco para os nossos projectos", tendo aproveitado a presença de Carlos Lage, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte para pedir um reforço de verbas a nível do Plano Operacional do Norte de Portugal.
Carlos Lage admitiu a existência de "um grande futuro para a cooperação Norte de Portugal/Galiza, mas advertiu os agentes nortenhos que lhes compete "sair da menoridade da qual somos responsáveis".
Frisou igualmente que "a linguagem de cooperação entre as duas regiões mudou" mas foi parco nas promessas de reforço de verbas, sendo de referir que as autarquias da ribeira Minho (com excepção da de Caminha que se auto-excluiu da sua história e geografia naturais) apontavam para valores na ordem dos 500 milhões de euros.
Carlos Lage admitiu estar difícil encaminhar dinheiros públicos e comunitários para projectos transfronteiriços, apontando para outras formas de apoios financeiros, como forma de minorar o problema.
"HÁ UM MERCADO ÚNICO NATURAL"
Este político manifestou esperança de que a economia "vá à frente da política mesmo que esta se atrase", dando como exemplo o facto de a Galiza já ser uma "parceira preferencial" para a região norte, ultrapassando mesmo o volume de negócios com a Inglaterra, além de ser o importador mais importante.
Embora admitindo que a Galiza é uma economia "mais dinâmica", manifestou esperança de que dentro de 10 anos "sejamos nós a puxar", voltando a frisar que "todo o aprofundamento (incluindo o cultural, no qual existe um grande atraso, destacou) entre ambas é importante".
Esta cooperação com resultados já visíveis a nível da mobilidade transfronteiriça, da qual o "Eures" é exemplo, foi igualmente realçado por Juan Hermida, vice-presidente da Deputação de Pontevedra, no final do Fórum.
APONTADOS CAMINHOS
Durante o resumo das conclusões do encontro, Fernando Valdueza, do grupo Caixa Nova, uma das promotoras da "Uniminho", fez finca-pé na criação de pequenas empresas, tendo elogiado a aposta portuguesa de criação de sociedades na hora.
Reforço das plataformas logísticas no Vale do Minho, mobilidade transfronteiriça, qualificação do mundo laboral, aposta na sociedade do conhecimento (o Vale do Minho Digital é um paradigma), nas novas tecnologias (das quais Braga se destaca com o projecto de criação de um instituto de tecnologia), no turismo e nos bens imateriais (intangíveis), foram alguns dos pontos de referência a seguir por todas as entidades envolvidas nos projectos de cooperação transfronteiriça.