Jornal Digital Regional
Nº 334: 7/13 Abr 07 (Semanal - Sábados)
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MAIS DE DOIS MIL PALMITOS DE RIBA D'ÂNCORA E ORBACÉM PARA BENZER NO DOMINGO DE RAMOS

DEM CUMPRIU TRADIÇÃO

Das mãos dos artesãos de Riba d'Âncora e Orbacém saíram mais dois mil palmitos nesta quadra pascal, correspondendo às inúmeras encomendas de freguesias vizinhas, de pessoas que pretenderam benzê-los no Domingo de Ramos ou enfeitar as suas casas na recepção do Compasso.

DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO

"Viram-nos a decorar os andores, gostaram e começaram a pedir-nos" explicou Julieta Sales, uma artesã de Riba d'Âncora, pertencente a uma família cujos avós se iniciaram no fabrico artesanal destas flores artificiais, aprendendo com uma senhora de Santa Marta de Portuzelo que, aliás, "não gostava de nos ensinar e tivemos de aprender a fazer e a desfazer até que o conseguimos", acrescentou sua mãe, Maria da Conceição, uma especialista nestes trabalhos, a despeito dos seus 80 anos.

O colorido do Minho está bem expresso nestas flores de papel metalizado, dourado, prateado ou "regional" (com muita cores), trabalhadas à mão e em que as flores maiores podem atingir um metro, sendo necessário recortar 42 flores, embora as que mais procura têm não ultrapassem os 60 centímetros, precisando Julieta Sales que consegue fazer três por dia, "trabalhando 10 e 12 horas".

"Mas há palmitos maiores, com cerca de um metro", composto por 42 flores, destacou Maria da Conceição, a mãe desta família de artesãos (seu filho Jorge Sales também colabora na decoração de andores, como é o caso do da Nª Sª da Bonança, de Vila Praia de Âncora, aquele que "eu mais gosto de fazer", reconheceu esta artesã). Ela tem ainda o privilégio de arranjar o palmito que é oferecido aos padres no início da missa de Ramos, como sucedeu uma vez mais este ano em Dem.

DOURADOS TÊM PREFERÊNCIA

Pequenos espelhos completam o centro das flores e arames servem para fazer os punhos destes palmitos. "A maior procura recai nos dourados", esclareceu Julieta Sales que conta com algum apoio de um filha "quando o trabalho aperta".

As velas votivas dos noivos e os ramos brancos dos ranchos folclóricos também saem das mãos destas mulheres que durante o resto do ano colocam os seus trabalhos à venda nas lojas regionais de Viana do Castelo.

DEM CUMPRIU TRADIÇÃO

O trabalho aperta nesta quadra festiva e suas irmãs (oito) ajudam a dar resposta aos pedidos que chovem de todos os lados, sendo que só para Dem, os mordomos da Páscoa pediram 173 palmitos médios para distribuir pelos fogos da freguesia e mais 50 maiores para oferecer aos seus "familiares, autoridades e licenciados", conforme nos elucidou Paula Cunha, a mordoma que conjuntamente com seu marido António Gonçalves, realizaram a distribuição dos palmitos junto ao cruzeiro.

Foram benzidos na missa de Domingo de Ramos, junto ao cruzeiro da Chão do Porto, até onde se deslocou o pároco e aí iniciou a missa dominical. Diziam os antigos que as palmas da Páscoa serviam para deitar ao lume para aplacar as trovoadas, conforme recordou Domingos Cerejeira, no seu livro "Memórias da Serra d'Arga". De Freixieiro de Soutelo, foram requisitados 250 flores e 300 para Âncora e mais umas centenas para Vilar de Murteda, outra povoação onde a bênção das palmas e palmitos se reveste de grande significado.

ORBACÉM INICIOU-SE NA ARTE HÁ 40 ANOS

Em Orbacém, a família Fonseca também consegue atingir o número de mil palmitos nestes dias, apesar de apostar preferencialmente em tecido de seda ou tafetá, porque o papel metalizado está mais "fraco", comparativamente ao que utilizavam há 40 anos, quando se iniciaram neste trabalho artesanal, assim justifica a opção.

Silvério Fonseca adverte que este trabalho não representa um meio de ganhar a vida, mas antes "um gosto e uma tradição que poder acabar", se os seus descendentes não o continuarem.

"Tivéssemos nós tempo para fazer mais…"lamentou este artesão, sem mãos a medir para atender aos inúmeros pedidos provenientes de Gondar, Montaria, Vila Mou, Perre, Outeiro, Amonde e muitas mais aldeias minhotas.

ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
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