Jornal Digital Regional
Nº 334: 7/13 Abr 07 (Semanal - Sábados)
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MISERICÓRDIA DE CAMINHA
COM ASSEMBLEIA "PREENCHIDA"

As repercussões das desavenças existentes entre o actual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Caminha e o ex-tesoureiro ma Mesa Administrativa ficaram plasmadas na reunião da última assembleia geral da irmandade.

O ex-tesoureiro compareceu e elencou uma série de dados sobre o diferendo que estalou entre ele e o provedor, alguns já conhecidos, outros novos, espelhando o diferendo que parece já vir de trás mas cujo epicentro teve lugar na reunião de direcção de 6 de Fevereiro último, quando após acesa discussão entre ambos, o provedor o terá tentado atingir com um agrafador na sua parte "psico-somática", valendo a intervenção de outro dos mesários para que tal não se consumasse, referiu Amílcar Azevedo.

Amílcar Azevedo admitiu que a Misericórdia se encontra bem financeiramente mas "é deficiente em termos sociais".

Negou que tivesse usado indevidamente o telefone da instituição e quanto à polémica utilização da carrinha e que originou a chamada de atenção da parte do provedor António Afonso na reunião de Fevereiro, disse que apenas o fez ao serviço do Lar de Stª Rita de Cássia de Vila Praia de Âncora e da Misericórdia, reafirmando ainda ter presenciado a tentativa de agressão a um dos utentes desse lar por parte do provedor.

"E muito mais poderia dizer mas não quero denegrir ninguém" afirmou a determinado passo o antigo tesoureiro, tendo ainda entregue dois documentos ao presidente da mesa da assembleia geral, relacionados com a sua visão do conflito entre ambos em que refere não pretender "pactuar com certos modos de actuação", pedindo que fossem lidos e transcritos para a acta.

A intervenção de Amílcar Azevedo não mereceu comentários da parte de António Afonso, referindo apenas que "nem sequer devo responder" -antes preferindo fazê-lo noutro local, advertiu-, atendendo "à consideração que me merece o senhor Bispo", dando conta que tinha reunido com o Definitório (Conselho Fiscal) e Mesa da Assembleia Geral.

Esta situação levou o irmão Amílcar Costa a considerar "lamentável que isto se passe, pela primeira vez, numa Casa com 500 anos", levando-o a concluir que quem vem para estes cargos deverá possuir "um espírito de solidariedade" mas, nem sempre tal sucede, dado existirem pessoas que "não estão fadadas para estas situações".

Sobre a pretensa agressão a um utente do lar, disse que o mesmo apresentara queixa na GNR mas não indicara testemunhas, daí resultando o arquivamento.

PROIBIÇÃO DE VELÓRIOS NA CAPELA CAUSA CONTESTAÇÃO

"A anterior Junta de Freguesia de Caminha não fez a capela mortuária e comprou um autocarro", disse o irmão António Cavalheiro, sendo esta a principal razão para a existência de conflitualidade na sede do concelho, devido à proibição de utilização da Capela da Misericórdia para depósito de cadáveres, incluindo os dos irmãos, com excepção da missa de corpo presente que aí se realiza.

Como é sabido, o capelão levou a Mesa Administrativa a suspender a realização dos velórios neste templo, devido à utilização de telemóveis durante os serviços religiosos por parte dos familiares dos falecidos, o que importunaria esses actos, segundo alegou.

Refira-se que desde que a Igreja Matriz entrou em obras de reabilitação há cinco anos, todos os serviços religiosos passaram a celebrar-se em alternativa na Capela da Misericórdia, aumentando exponencialmente os actos de culto.

Contudo, António Cavalheiro denunciou já ter sucedido que alguns corpos tivessem sido transladados de outras capelas onde se realizavam os velórios para a da Misericórdia, algumas horas antes na realização da missa de corpo presente, o que reputou de incorrecto, porque "o que é para um é para todos", além de reprovar a decisão tomada pela Mesa e comunicada perante escassos irmãos, em assembleia anterior.

Decisão esta que levou outro irmão, Amílcar Costa, a reputá-la de "incumprimento dos Estatutos da Misericórdia" e prometendo levar a efeito um abaixo-assinado a enviar Bispo da Diocese e a apresentar queixa no Tribunal Administrativo.

Esta questão do impedimento de depósito de cadáveres neste templo já levantara reservas aquando do seu anúncio, tendo levado um irmão a recordar que esse era "o último direito dos irmãos".

Acerca da antecedência (algumas horas) com que dois irmãos falecidos teriam sido transferidos para a dita capela, contrariando o disposto pela própria Mesa Administrativa, António Afonso disse ser aceitável, pois desde que "não prejudique a missa, pode lá estar o tempo que quiserem".

Perante estes protestos, Joaquim Amorim, presidente da assembleia, sugeriu que trouxessem o assunto à consideração deste órgão, e que o número de irmãos seja em número suficiente a fim de ser tomada uma posição, coisa que não sucedeu quando a decisão foi anunciada.

Numa assembleia repleta de interpelações à Mesa Administrativa, Amílcar Costa apresentou quatro assuntos, um dos quais já referido e que se prendia com a situação do tesoureiro demissionário.

Outras duas reportaram-se a uma inspecção efectuada pela Segurança Social e ao loteamento da Sobreira, em Vila Praia de Âncora.

INSPECÇÃO E ESTATUTOS NA BERLINDA

Quanto ao primeiro, após a leitura de alguns dos quesitos da mesma, AntónioAfonso reconheceu a existência de algumas lacunas que pretende sanar a curto prazo, sendo que a fecho da capela sugerida pela inspecção não merece concordância da parte da Santa Casa.

O facto de o relatório da inspecção incluir um ponto que fazia alusão à admissão de 20 irmãos "amigos do provedor" antes das últimas eleições para os corpos gerentes da Irmandade, levou Pedro Giestal a recordar que tal assunto apenas dizia respeito à Mesa, de acordo com o compromisso, e não da competência da inspecção.

Contudo, tal argumento levou Amílcar Costa a questionar o atraso com que os novos estatutos teriam chegado às mãos do Bispo, o que, segundo referiu, apenas sucedeu oito meses depois da sua aprovação em assembleia geral e após ter apresentado uma moção nesse sentido, em reunião posterior.

O irmão Amílcar disse saber o porquê de tal atraso no envio do compromisso a fim de ser sancionado pela Diocese e fez notar que houve irmãos admitidos para candidatos com menos de seis meses de inscrição -perguntando a um dos membros dos corpos gerentes se tal não teria sucedido no seu caso-, coisa que os novos estatutos não permitiriam.

Embora António Afonso tivesse dito que a acusação de retenção do envio dos estatutos "era uma afirmação muito grave" e não admitir que houvera má fé da Mesa Administrativa, Amílcar Costa reiterou o que dissera, dizendo que os mesmos não entraram em vigor na altura por causa das eleições.

MURO "AVANÇOU" NA SOBREIRA

No caso da Quinta da Sobreira, teria havido apropriação indevida de parte de um lote por um particular que terá avançado com um muro divisório, embora utilizando as mesmas pedras existentes nessa delimitação, respondendo o provedor que a Mesa não procedera a qualquer loteamento.

O caso derivou para uma eventual dívida de 15.000 contos à Câmara por parte da Misericórdia, ainda devido a um empréstimo ou subsídio reembolsável que a Misericórdia contesta e a Câmara mantém, embora o caso já remonte a mandatos anteriores.

Segundo revelou António Afonso, um jurista está a analisar a situação de modo a clarificá-la, voltando a ser aflorada a questão dos terrenos onde agora estão instalados diversos equipamentos públicos em terrenos da designada Quinta da Sobreira mas ainda registados em nome da Misericórdia, a qual paga o respectivo imposto, sendo depois reembolsada pela Câmara.

CONTRA VENDA DE IMÓVEL

Um último tema abordado pelo irmão Amílcar Costa, prendeu-se com a compra dos antigos quartéis, aproveitando para dizer que não concordaria que o edifício viesse a ser posto agora à venda pela Misericórdia, mas António Afonso referiu que "ainda não há destino para ele" e assegurando que o mesmo fora adquirido ao Estado porque, efectivamente, nunca pertencera à instituição a que preside, tendo provas documentais do que dizia, assegurou.

PINHAL COM CONTRATO DE EXPLORAÇÃO

A existência de um pinhal com 10 hectares em France, Sopo, do qual há um contrato de exploração com a Portucel desde 1989 até 2017, foi objecto de uma pergunta por parte do irmão Alberto Fão, no intuito de saber se a Mesa Administrativa tinha conhecimento dele, obtendo uma resposta afirmativa.

SANTA CASA BEM FINANCEIRAMENTE

O ponto que à priori deveria ter merecido mais atenção por parte dos escassos irmãos que compareceram à reunião realizada no auditório da Santa Casa, a aprovação do relatório e contas do exercício de 2006, acabou por ser relegado para segundo plano, face aos outros assuntos mais conflituosos.

Realça-se neste ano a aquisição de uma carrinha de nove lugares e a continuação da inventariação do espólio existente.

A apresentação de candidaturas por parte da Misericórdia vêm merecendo apreciação das diversas entidades financiadoras, como é o caso do programa "Presença", visando o apoio a idosos no domicílio e o programa "Pares", com o propósito de ampliar a capacidade do Lar de Stª Rita com mais13 vagas, mas que foi inviabilizada devido aos cortes de financiamento que se registam no Ministério da Segurança Social.

Em termos das valências da Santa Casa, continua a verificar-se uma diminuição do número de utentes no ATL, ao invés do que sucede com a creche e lar de iodos de V. P. Âncora, onde a procura aumenta, embora sem "capacidade de resposta" por parte da instituição.

Quanto a contas, a Misericórdia apresenta uma situação estável, revelando um movimento de 700.000€, equivalendo a um aumento de 4,5% relativamente ao ano anterior.

ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
Autor
Joaquim Vasconcelos
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