Jornal Digital Regional
Nº 300: 29 Jul a 4 Ago 06 (Semanal - Sábados)
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Festival Vilar de Mouros 2006
Sucesso na edição comemorativa dos 35 anos

A pacata aldeia de Vilar de Mouros recebeu mais uma edição do festival de música com maior tradição em Portugal. Porém, esta edição não foi apenas mais uma. Artistas em cartaz, campistas presentes no festival e jornalistas afirmaram de forma unânime: Vilar de Mouros está de volta.

De facto, ao contrário do que tem acontecido nas últimas edições, o festival deste ano recuperou os banhos de multidão (verificou-se uma afluência média de 22 mil pessoas por dia), bem como a qualidade das actuações. Talvez pelo facto de o bilhete custar apenas 35 euros, talvez pelo facto de o cartaz incluir nomes sonantes do panorama musical, a edição deste ano foi um verdadeiro sucesso. Porém, e face a uma tendência de declínio sentida nos últimos anos, este foi apenas o primeiro passo para reavivar Vilar de Mouros. Tal como afirmou Zé Pedro, guitarrista dos Xutos e Pontapés, em entrevista ao C@2000: "Eu acho que o slogan deste ano está óptimo (35 anos, 35 Bandas, 35 Euros), mas acho que o festival tem de ganhar personalidade."

Ao longo de três dias, passaram por Vilar de Mouros representantes de diferentes tribos urbanas, de diferentes grupos etários, de diferentes estilos músicas, tornando este festival um autêntico mosaico. Ao contrário do que seria de esperar, a convivência entre grupos tão diferentes não gerou qualquer espécie de problemas.

Em termos de actuações, vale a pena destacar a importante aposta da organização em bandas jovens, em início de carreira, tais como os Vicious Five, os M.A.U. ou mesmo os Mosh. Nas palavras do vocalista dos M.A.U, Luís Fonseca: "É uma honra imensa estar aqui. Já não me sentia nervoso assim há muito tempo". Apesar de serem estreantes no palco de Vilar de Mouros, estas bandas não desapontaram os espectadores, mostrando que ainda se faz boa música em Portugal.

Quanto aos cabeças de cartaz, nem todos corresponderam às expectativas do público. Xutos e Pontapés, Iggy & The Stooges, Moonspell e Soulfly proporcionaram aos presentes os melhores concertos do festival, ao contrário de Sepultura, Tricky e Craddle Of Filth, que desiludiram as legiões de fãs. Iggy Pop assumiu-se, sem dúvida alguma, como a maior surpresa. Num estilo pouco ortodoxo e com movimentos em tudo semelhantes aos do veterano Mick Jagger, esta lenda viva fez jus à reputação que a precedia.

Pelo palco secundário (o palco Original), bem como pela tenda alternativa, passaram várias bandas, nem todas merecedoras de especial destaque. Entre aquelas que souberam dar bons espectáculos, conseguindo chamar a atenção geral, convém referir os Kussondulola, os Cinemuerte, Led On, Phill Case, bem como The Temple. Foi também no palco secundário que a Banda da Guarda Nacional Republicana iniciou esta edição do festival. De acordo com Jacinto Monteso, maestro da banda: "Não esperava uma receptividade tão grande à banda, mas julgo que o ambiente propiciou tudo isso". A sua actuação revestiu-se de especial simbolismo, uma vez que há 35 anos atrás foi também esta banda a primeira a actuar no festival Vilar de Mouros.

Embora fosse evidente um esforço por parte da organização (a cargo da Porto Eventos), no sentido de evitar os erros do passado, a verdade é que somente esta merece uma nota negativa. Várias foram as críticas recolhidas junto dos campistas: os acessos não estavam devidamente indicados, as zonas de campismo não se encontravam devidamente organizadas, entre outras queixas. Também algumas bandas não ficaram inteiramente satisfeitas com a organização. Tal é o caso dos Táxi. Em entrevista ao C@2000, Rui Taborda, baixista desta banda, revelou-se algo revoltado. Tudo isto, porque a organização não permitiu que a banda realizasse o seu encore perante um público que a aclamava, desejoso de ouvir o famoso tema "Chiclete".

Percalços à parte, a verdade é que se pode fazer um balanço bastante positivo de todo o festival. No seu decurso, foram ainda reveladas duas importantes novidades. Em primeiro lugar: está já confirmada a presença de Brian Wilson, elemento fundador dos Beach Boys, na edição de 2007 do Vilar de Mouros. Em segundo, mas não menos importante: o lançamento de um documentário sobre o festival, intitulado "Vilar de Mouros - 35 anos de História". Esta produção inclui depoimentos de alguns dos mais conceituados nomes do panorama musical português, bem como informações de cariz histórico sobre o festival e toda a sua cultura. Infelizmente, já foi exibido na RTP, no passado domingo à noite.

Esta edição comemorativa do 35.º aniversário só veio provar que Vilar de Mouros ainda é um festival de Verão de referência. Apostando num público mais jovem, a organização inverteu uma tendência de declínio. Veremos quais serão as novidades preparadas para o ano que vem.

Próxima paragem: Paredes de Coura.

Reportagem:
Textos - Marco Silva
Fotos - Helena Soares


FESTIVAL EM BALANÇO

Anunciada ainda no decorrer da edição deste ano do Festival de Vilar de Mouros, a confirmação do evento em 2007, importa tecer alguns comentários ao apoio logístico que convirá ter em conta futuramente, de modo a melhorar as condições dos milhares de campistas (principalmente estes), esmagadoramente jovens, que apostam neste certame.

A redestribuição das tendas no interior do recinto pareceu perfeitamente ajustada ao espaço existente.

Num ano em que a chuva não se fez sentir (felizmente), seria conveniente molhar o recinto a partir da manhã do segundo dia, minorando os efeitos do pó que se levantou pela acção dos cerca de 20.000 mil assistentes.

Conforme nos confidenciou um casalito de festivaleiros (naturais de Gaia e Maia), acampados nas margens do Coura, fez muita falta a ponte improvisada de madeira que as unia nos anteriores certames, bem como consideraram importante reforçar os chuveiros e as casas de banho para mulheres.

Ponte em 2005

Se os urinóis masculinos construídos dentro do recinto resultaram em pleno, seria bom pensar-se em algo de semelhante para as mulheres, dentro da perspectiva de introdução de melhorias no espaço adquirido pela Junta para a realização dos festivais, e que já são bem visíveis pela abertura de caminhos em paralelo e plantação de árvores.

Outra situação a clarificar, tendo em vista evitar conflitualidade com os próprios moradores, é a montagem de tasquinhas na zona da ponte, na parte exterior ao recinto.

Se existe legislação mais apertada, um esclarecimento atempado da forma como deveriam proceder para se legalizarem, evitaria que a GNR fosse obrigada a actuar, de modo a cumprir a lei, o que sempre cria clivagens desnecessárias.

A terminar, deixamos uma pergunta:

- Será que para o ano vamos ver a presidente da Câmara no Festival?

-Já é o segundo ano em que não aparece por lá.

P.S: Em termos de marketing, o número 35 elevado ao cubo (35€; 35 Anos; 35 Bandas), resultou em pleno.

Como nos diziam esses dois jovens da zona do Porto, "para o preço do bilhete, o programa estava muito bom".

L.A.

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