"Antes de partir, queria deixar isto escrito", explicou Benjamim Cerqueira, um deense, autor de um livro "Dem-Serra d'Arga" apresentado ontem à noite no auditório do Museu Municipal de Caminha, com a presença do presidente da Câmara de Viana do Castelo, mas com a ausência da sua homóloga de Caminha.
Não sei porque não estão aqui, mas como hoje é dia de festa…" assim se expressou o autor da obra, fazendo votos, todavia, para que não tivessem sido "razões políticas" que tivessem ditado a ausência da autarca ou do vereador da cultura, "porque disse umas coisas sobre o meu presidente da Junta (Dem)".
E como apenas o presidente da Junta de Orbacém tivesse comparecido ao acto, Benjamim Cerqueira adiantou que "se calhar, os presidentes de junta não vieram porque estão solidários com o meu presidente de Junta".
"NADA INVENTEI"
Benjamim Cerqueira, agora com 75 anos, considerou-se "muito democrata" e definiu o seu livro como "sincero sobre a vida desses tempos" e não desejar "partir" sem "deixar isto".
Comentando a obra acabada de sair do prelo, o padre Coutinho, pároco em Dem durante muitos anos, definiu-a como "um documento que fica para a posteridade", pois Benjamim Cerqueira tinha "passado a escrito as suas experiências".
Outro amigo do autor, João Sardinha, referiu que o livro não se apresenta. Lê-se.
Seguidamente fez a sua biografia.
O último orador, José Pulido Valente, genro do Benjamim Cerqueira, definiu-o como "um líder que não entra em capelinhas e por isso é ignorado", além de ser "persistente, bom gestor e meticuloso", muito dedicado à sua terra e "prezando a sua independência".
Referiu que o livro representa um homem que se sente "injustiçado" e que por tal motivo, "tenta fazer um ajuste de contas à sua maneira".
Quanto ao conteúdo das suas páginas, disse ser "o retrato da luta pelo poder à sombra de cargos políticos", além de evidenciar as razões porque o país está tão atrasado.
Assinale-se que Benjamim Cerqueira encerrou a sessão agradecendo a presença de todos, particularmente a amigos e familiares.