A Junta de Freguesia e a Comissão de Moradores de Vilar de Mouros, tendo tomado conhecimento pela Comunicação Social de que foi autorizada a construção da "Ligação a Caminha", sensivelmente pelo mesmo local onde já foram reprovados dois projectos de execução apresentados a discussão pública, consumando-se assim, como se receava, o cerco em "ferradura de asfalto" à volta da nossa freguesia, decidiram, após reunião conjunta em que participaram vilarmourenses de todas as sensibilidades político-partidárias, manifestar publicamente a sua posição, consubstanciada nos seguintes pontos:
1 - Lamentar profundamente o desprezo a que continuam a ser votadas as juntas de freguesia, já que nem Vilar de Mouros nem Lanhelas, as duas localidades mais afectadas por este traçado, foram convidadas para a reunião no Governo Civil, com a participação do Sr. Secretário de Estado das Obras Públicas e da Sra Presidente da Câmara Municipal de Caminha, onde, pelos vistos, foi dada a conhecer a decisão de autorizar a realização da obra;
2 - Sem conhecermos ainda o perfil do traçado a construir e embora tenhamos de considerar positivo o anúncio de que o mesmo será em duas faixas em vez das quatro inicialmente previstas, já que esta alteração, conjugada com o prolongamento, entretanto assumido por este governo, da auto-estrada até Valença, desviará o fluxo principal de tráfego duma importante parte da freguesia, não podemos deixar de continuar a pensar ser esta, também, uma má solução. È que esta ligação acrescenta, em relação ao que já está construído, novos e graves impactes negativos a vários níveis: na questão das águas, quer subterrâneas quer de superfície, incluindo o próprio Rio Coura; em termos sociais, pois passa a escassos metros das habitações da Aveleira; sob o ponto de vista paisagístico e patrimonial, uma vez que vai alterar todo o entorno natural do Monte de Góios e afectar gravemente as inúmeras gravuras aí existentes, a que uma conceituada arqueóloga já chamou de Santuário Rupestre;
3 - Lamentar a insistência na construção de uma ligação de tão nefastas consequências, quando já está assegurada a continuação para Valença e aprovada a construção do Nó de Vilar de Mouros Sul e assumir a nossa solidariedade para com todas as acções e iniciativas que possam ainda vir a ser tomadas no sentido de alterar esta decisão ou, no mínimo, e uma vez que as modificações sofridas relativamente ao último projecto de execução parecem ser substanciais, exigir a apresentação de novo RECAPE a discussão pública;
4 - Exigir o rápido desenvolvimento do processo com vista à continuação da A28/IC1 para Valença, como forma de descongestionar o insuportável tráfego provocado pelo término de uma via com perfil de auto-estrada numa pequena aldeia como Vilar de Mouros, sem o mínimo de condições rodoviárias de escoamento;
5 - Reafirmar a justeza da nossa luta e o realismo das nossas reivindicações, por vezes, é certo, atropelados pelos altos interesses políticos e económicos em jogo mas que em muito contribuíram para evitar males bem maiores, como por exemplo:
- A "Ligação C", defendida pela Câmara Municipal, que previa um viaduto de cerca de quilómetro e meio de extensão e vinte metros de altura, sobre a veiga e o Rio Coura, dividindo a freguesia ao meio;
- A passagem pelo Crasto, cercando a aldeia por completo, derrubando casas, passando a escassos metros de muitas outras e afectando toda a envolvência arquitectónica e arqueológica desse belo monte;
- A construção do Nó de Vilar de Mouros Sul sem discussão pública, como a Euroscut se preparava para fazer, só tendo sido impedida por providência cautelar apresentada pela Junta de Freguesia;
- A construção da presente ligação em quatro em vez de duas faixas de rodagem.
A concluir reafirmamos a nossa disposição para continuarmos atentos, vigilantes e, se necessário, intervenientes e incómodos neste já longo processo, sem outra motivação que não seja a defesa intransigente dos legítimos interesses sociais, ambientais e patrimoniais de Vilar de Mouros.