Jornal Digital Regional
Nº 284: 8/14 Abr 06 (Semanal - Sábados)
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NO ÂNCORA TRABALHA-SE PARA A GLOBALIZAÇÃO

Agora que a ETAR da Gelfa está a ser sujeita a uma intervenção de fundo, pensou-se que os problemas de poluição da Praia de Vila Praia de Âncora, iriam ficar solucionados. Mas as coisas não são como parecem, porque numa visita, em que acompanhei elementos da associação ambiental "COREMA", pudemos verificar que a área ainda há uma dúzia de anos candidata a "Área de Paisagem Protegida", apresenta sérios riscos de se tornar num dos rios poluídos do norte do País.

Foi estranho…
Aquele rio que durante duas décadas foi calcorreado, feito o levantamento, apresentado projecto de uma possível área de paisagem protegida, está numa agonia qualitativa difícil de transcrever.

Os habitats onde a flora e a fauna pulsavam intensamente, estão todos a ser alterados; umas vezes herbicida, outros a carga humana, está a gerar a destruição dos vários ecossistemas, existentes no rio Âncora.

Diversos locais onde tive oportunidade de ver colónias de lontras, foram simplesmente arrasados. Agora aparecem placas nas margens do rio Âncora, a dizer "propriedade privada". Ninguém faz respeitar o Decreto Lei 468/71 de 5 de Novembro ". O desrespeito pelos diplomas legais neste País é uma constante e uma vergonha, porque não há nenhum país do mundo, que se possa dizer democrático, se as leis não se cumprem. A situação torna-se incontrolável. Talvez por isso, esta visita remeteu-nos à destruição de um património, que documentava as nossas raízes culturais recentes (séc. XIII ).

Lá encontramos o moinho do Paredão e de Enchão, que foram objecto de uma mudança de destino. Não se compreende como é que conseguiram a aprovação dessa mudanças de destino, permitindo adaptar uma peça de arqueologia Industrial numa moradia, localizada em zona de cheias, que a qualquer momento, devido às características físicas da Bacia do Rio Âncora, pode originar vitimas. Além disso, estas construções, vão lançar o saneamento para uma fossa séptica, que ao fim de uns meses deixará de funcionar, porque as trincheiras filtrantes ficam colmatadas e o lançamento final do saneamento passa a ser para o rio Âncora.

Na outra margem, aparece o parque de campismo do Paço onde também questionamos a sua ampliação, mas também a pressão humana que se faz sentir durante o Verão e do local para onde é lançado o saneamento.

Além disso pergunta-se quem é que permitiu a ampliação do referido parque e como é que as águas do rio Âncora conseguiram destruir o passadiço do moinho de Enchão. A implantação desse parque de campismo originou a destruição do habitat de uma colónia de lontras e a destruição do último moinho de planície. Mas ainda estamos em Stª Maria de Âncora, abaixo da estação de bombagem da rede de abastecimento de água de Vila Praia de Âncora.

Quando passamos para Freixieiro de Soutelo apercebemo-nos que, nas margens do rio Âncora, impera tudo o que se possa apontar de inimigo do ambiente. Aqui nada é respeitado. Chegámos ao moinho da Fábrica, e nos limites da propriedade deparamos com uma placa referente ao pedido de licenciamento (Portaria 1106/2001, de 18 de Setembro), no entanto, chegámos, ao leito do rio e verificamos que as obras já estão quase concluídas, embora se desconheça a existência de qualquer autorização para a sua realização (Portaria 1108/2001, de 18 de Setembro).

A cobertura do moinho da fábrica deixou de existir e nos locais onde se localizavam as dornas, executaram uns trabalhos que nos parecem possíveis saídas de água de geradores hidroeléctricos. As antigas ruínas de uma pequena fábrica de lacticínios transformaram-se numa aparente pousada turística. A levada passou a ser uma aparente mini-hidrica.

Um dos rios que há quinze anos ainda era possuidor de um dos maiores núcleos de moinhos vivos tornou-se numa escola de como se arrasam as raízes culturais de um povo, e se afasta uma comunidade cientifica, que há dezenas de anos procurava as margens do rio Âncora, como repositório biológico vivo.

O mal gosto, desrespeito por um equilíbrio ambiental e o novo-riquismo de descompensados culturais, estão a destruir uma das mais promissoras áreas culturais, em que as universidades, tanto do Porto, como de Braga, até há bem pouco tempo procuravam para realizar trabalhos de mestrados e doutoramentos.

Quer promotores, quer responsáveis das construções que se localizam nas margens do rio Âncora, deixaram que as situações se fossem degradando, talvez por estarem integrados num grupo pouco evoluído culturalmente, cujas raízes culturais se perderam pelo facto de pertenceram a uma classe de revoltados, que renegam as suas origens, ou provêem de zonas onde a cultura sempre lhes passou ao lado.

A partir daqui tem sido o caos, e as margens do rio Âncora, onde residia a lontra e mais de uma dezena de espécies endémicas, vê os seus habitats ocupados por uma nova espécie animal, que se sente feliz em mergulhar nas águas residuais provenientes de fossas individuais e colectivas, e em destruir o pouco que ainda existe de natural na parte baixa do Vale do Âncora.

Joaquim vasconcelos

Pneus recauchutados:
mais seguros e melhores para o ambiente

A confiança dos consumidores nos pneus recauchutados irá será reforçada graças às novas normas aplicáveis ao processo de recauchutagem e à qualidade final deste tipo de pneus. A partir de agora, todos os novos pneus recauchutados vendidos na UE deverão estar em conformidade com as exigências dos regulamentos da Comissão Económica para a Europa das Nações Unidas (UNECE), que introduzem normas de segurança e de controlo de qualidade similares para os pneus recauchutados e para os pneus novos. Os pneus recauchutados são um importante contributo para a protecção do ambiente.

ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
Autor
Joaquim Vasconcelos
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Autor
Domingos
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