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Nº 27: 28 Abr a 4 Mai 2001

DOMINGOS GASTRONÓMICOS

DIA CONCELHO PRATO
29/04 Paredes de Coura Truta do Rio Coura
6/05 Barcelos Papas Sarrabulho
13/05 Ponte da Barca Posta Barrosã

Os Maios ... As Maias


Texto de Francisco José Torres Sampaio

O Maio, na sua manifestação simples, é um "home" ou "raparigo" coberto de flores que, seguido de moços ou crianças, em procissão percorria, antigamente, as ruas das nossas vilas ou aldeias.

A Maia, chamada, também, "Rainha do Maio" ou "Rosa do Maio" era uma boneca de palha de centeio, em torno do qual havia danças toda a noite do primeiro dia de Maio; podia ser, por vezes, uma menina de vestido branco coroada com flores, com enfeites diversos, sentada num trono florido e venerada, todo o dia, com danças e cantares. Esta festa (sem dúvida, com reminiscências pagãs), foi proibida várias vezes - como aconteceu em Lisboa no ano de 1402, por Carta Régia de 14 de Agosto, onde se determinava aos Juízes e à Câmara "que impusessem as maiores penalidades a quem cantasse Mayas ou Janeiras e outras coisas contra a ley de Deus...".

No Alto Minho a velha tradição das Maias ou dos Maios mantém-se, sendo que na manhã do 1º dia de Maio as casas das nossas aldeias aparecem todas enfeitadas com o raminho de giestas, surgindo outras ornamentadas com coroas de flores. Com o advento do Cristianismo atribuiu-se a este velho ritual pagão (rito da fertilidade para o novo ciclo da natureza, o triunfo da Primavera, o reverdecer das plantas, o início de um novo ano agrícola - rito da fecundidade prognosticando boas colheitas), um carácter religioso - ligação à Festa da Santa Cruz e, mesmo, ao Corpo de Deus. A lenda, alusiva a esta tradição, que com mais frequência se ouve no Alto Minho, reza assim: Herodes soube que a Sagrada Família, na sua fuga para o Egipto, pernoitaria numa certa aldeia. Para garantir que conseguiria eliminar o Menino, Herodes dispunha-se a mandar matar todas as crianças. Perante a possibilidade de um tão significativo morticínio, foi informado, por um outro "Judas", que tal poderia ser evitado, bastando para isso, que ele próprio colocasse um ramo de giesta florida na casa onde se encontrava a Sagrada Família, constituindo um sinal para que os soldados a procurassem e consumassem o crime... A proposta do "Judas" foi aceite e Herodes tratou de mandar os seus soldados à procura da tal casa. Qual não foi o espanto dos soldados quando, na manhã seguinte, encontraram todas as casas da aldeia com ramos de giesta florida à porta, gorando-se, assim, a possibilidade do Menino Jesus, ser morto.

Daí terá vindo essa tradição de colocar ramos e giestas (ou conjuntamente com outras flores, coroas), nas portas e janelas das casas, na véspera do 1º de Maio. De registar, ainda, que no Alto Minho este costume se estende aos carros de bois, aos automóveis, aos tractores, etc. Em certas localidades, coloca-se o raminho de giesta porque ... o Maio é tolo! Noutras, os rapazes que estão para casar, metem por baixo das portas das casas das moças "de bom comportamento" (sem disso elas se aperceberem) uma "maia de rosas". Às mais levianas põem um ramo de figueira doida, que as faz irritar (haverá nesta tradição alguma ligação com o Mistério de Adão e Eva que é celebrado, também, no 1º de Maio, na Galiza, em Laza / Ourense e em que Adão tem como traje, unicamente, uma folha de figueira - numa possível alusão à sua expulsão do Paraíso?)

Nas Delegações de Turismo de Viana do Castelo, Vila Nova de Cerveira e Ponte de Lima, na manhã do dia primeiro de Maio realizam-se exposições e concursos de Maios ou Maias, com o apoio das Câmaras Municipais e Região de Turismo do Alto Minho, tendo como objectivo a manifestação da cultura de cada comunidade ligada aos usos e costumes das regiões.

Igualmente, a Junta de Freguesia de Monserrate, assim como a Câmara Municipal de Viana do Castelo, quer na Ribeira, quer na Praça da República, expõem maravilhosas Maias nas sacadas das prédios.

Um Fim-de-Semana prolongado (até 01 de Maio) com muita Festa, Feira e Romaria

É a Festa do Alvarinho e do Fumeiro em Melgaço, onde os visitantes podem saborear, apreciar e adquirir produtos endógenos com qualidade (a distinguir todos os fumeiros de Melgaço e Castro Laboreiro, cuja qualidade e certificação é garantida), assim como poder assistir a todo aquele ar de Festa, Feira e Romaria das Terras da Inês Negra.

É Monção com a sua I Feira do Livro e a justa homenagem a João Verde, um dos vultos mais prestigiados do Concelho, compilando numa só obra textos publicados nos livros "A Musa Minhota" , "Ares da Raia" e "Na Aldeia".

É Ponte da Barca com a II Feira Mostra 2001 e, ainda, o Domingo Gastronómico com a célebre Posta Barrosã (fim de semana 28 e 29) e toda uma animação folclórica com a actuação dos Ranchos de Ponte da Barca, S. Martinho de Castro e Oleiros, para além da Mostra que funciona de 28 de Abril a 01 de Maio e onde poderá apreciar e comprar o nosso artesanato, assim como petiscar nas tasquinhas as caseirices das cozinhas Barquenses e beber do verde da Adega Cooperativa com o rótulo já famoso das Terras da Nóbrega.

É Paredes de Coura com o Simposium "Conservação e Intervenção em Sítios Arqueológicos e Monumentos Históricos" que trouxe especialistas de todo o País e da vizinha Espanha (esgotou-se todo o alojamento em Paredes de Coura e arredores) organizado pela Câmara Municipal de Paredes de Coura e Universidade Portucalense.

É Vila Praia de Âncora e Vila Nova de Cerveira com Mostras de Artesanato nas Delegações de Turismo, assim como Ponte de Lima com o programa "Artesamês" na Avenida dos Plátanos.

É Barcelos, dando já início às Festas das Cruzes, a primeira grande romaria do ciclo das Romarias do Alto Minho que só terminará em Setembro com as Feiras Novas, com a actuação no dia 29 de Abril da Banda Plástica de Barcelos e Animação de Rua, com Ranchos Folclóricos.

Mas há muito mais neste fim de semana prolongado. Siga o nosso conselho. Não fique em casa. Peça nas Delegações de Turismo um roteiro à la carte e contemple dos nossos miradouros a nossa paisagem, toda ela já primaveril. Visite os nossos centros históricos, as nossas aldeias, os vales, das três Ribeiras: do Minho, do Lima e do Cávado. Disfrute o Alto Minho turístico. De quem sabe receber bem.