CONCELHO DE CAMINHA



UM MOSAICO DE PAISAGENS

Jornal Digital Regional
Nº 256: 24/30 Set 05 (Semanal - Sábados)

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DEPUTADO MUNICIPAL SOCIAL-DEMOCRATA
AGREDIDO À PAULADA

PS REPUDIA "BÁRBARA AGRESSÃO"
E EXIGE INVESTIGAÇÃO
RÁDIO CAMINHENSE SILENCIA
PEDIDO DE MENSAGEM DO PS

Abílio Silva, cabeça de lista pelo PSD à Assembleia Municipal às próximas eleições autárquicas, foi agredido ao que tudo indica com um pau, por desconhecidos, pelas 22H30 do passado dia 13, dentro do jardim de sua casa, no lugar do Paraíso, em Vila Praia de Âncora, quando se preparava para fechar uma cancela exterior.

A vítima regressava da sede do PSD em Caminha, pelas 22H30, onde participara numa sessão de fotografias conjuntamente com outros candidatos, tendo deixado um colega de lista (Francisco Cunha) no seu domicílio, antes de se dirigir para a sua moradia.

Aí chegado, depois de ter aberto a porta da garagem, já com o carro no interior do logradouro, terá sido atingido na cabeça e nas costas, por alguém que o aguardava e se aproveitou da fraca iluminação existente no local.

UMA HORA INANIMADO

Abílio Silva deverá ter permanecido inconsciente durante uma hora, sem que sua esposa e filha, ambas dentro de casa, se tivessem apercebido do sucedido, até que uma funcionária de uma escola situada do outro lado da rua, se aproximou da habitação, depois de alertada por outra pessoa que estranhara que a viatura do candidato estivesse ligada e com as luzes acesas havia já uma hora.

Quando se abeirou, verificou que Abílio Silva se encontrava de pé, embora encostado a uma das ombreiras da porta, cumprimentou-o mas não obteve resposta, o que considerou estranho da sua parte, constatando então que se encontrava ferido, sem conseguir recordar o sucedido, nem onde tinha passado as últimas horas, alertando então a família.

Chamados os Bombeiros de Vila Praia de Âncora, deu entrada no Hospital de Viana do Castelo pelas 00H15, onde recebeu tratamento e realizou diversos exames, tendo recebido alta no próprio dia.

O sucedido causou repulsa da parte das forças políticas envolvidas na pré-campanha, dado que o agredido é uma pessoa calma, cordata, nada propensa a situações como esta.

TESTEMUNHA

O indivíduo que verificara que o carro se encontrava com a ignição ligada -mas que preferiu manter o anonimato, temendo represálias-, referiu-nos ter visto um homem (com um gorro na cabeça) e uma mulher a fugir do local, mas não se aproximou, dado ter receio de que o inculpassem em qualquer roubo que pudessem ter cometido.

A família de Abílio Silva revelou-nos que nada foi furtado e solicitara a intervenção da PJ, depois de a GNR ancorense ter recolhido alguns elementos no local, designadamente, o presumível objecto de agressão.

PJ AINDA NÃO INTERVEIO

A participação da ocorrência deu entrada no Ministério Público do Tribunal de Caminha na Quarta-feira mas na tarde de Sexta-feira, ainda não tinha sido solicitada a intervenção da Polícia Judiciária, como a própria família pretendia, correndo a investigação até ao presente, a cargo da GNR de Vila Praia de Âncora.

A Polícia Judiciária é chamada a investigar, quando se entende que houve tentativa de homicídio, mas o Ministério Público tem uma palavra a dizer, perante as circunstâncias do crime.

MOTIVAÇÃO POLÍTICA POUCO PROVÁVEL

Segundo apurámos, é cada vez menos consistente a hipótese da motivação política como causa da agressão, podendo antes ter sido resultado de um acto de vingança eventualmente relacionado com as suas antigas funções na Segurança Social de Viana do Castelo (Abílio Silva reformou-se este ano) ou outro motivo pessoal.

Na reunião camarária de ontem (Sexta-feira), da qual esteve ausente a presidente Júlia Paula, a oposição manifestou a sua repulsa pela "lamentável agressão" de que o candidato foi alvo e exigiu que a polícia investigue "a sério", concluindo que "não será difícil descobrir".

APROVEITAMENTO POLÍTICO CRITICADO

"Abílio Silva não merece que esteja a ser usado de forma tão vil e baixa", salientou o vereador do PS, Brito Ribeiro, numa referência à especulação política que estará a ser levada a cabo em pré-campanha eleitoral.

Contudo, o vice-presidente social-democrata Bento Chão disse não entender o "aproveitamento de que fala, a não ser que se estivesse a referir à ausência de Abílio Silva na campanha" (devido ao espancamento, segundo se depreendeu), ou por "terem destruído os "out-doors" do PSD em Vila Praia de Âncora e Moledo.

Brito Ribeiro referiu-se igualmente às "insinuações políticas" feitas através da imprensa, por pessoas das relações pessoais da vítima, insistindo na necessidade de uma investigação policial aprofundada.

De modo a vincar a posição do PS, Jorge Fão, presidente da Concelhia, afirmou que se demitirá de todos os cargos locais se eventualmente se provar que o(s) agressor(es) são militantes ou candidatos pelo seu partido às próximas autárquicas, bem como denunciará os membros do PS se, eventualmente, tiverem alguma ligação à destruição da propaganda.

RÁDIO RECUSA MENSAGEM SOCIALISTA

Este responsável socialista denunciou ainda o "silenciamento" imposto pela Rádio Caminhense a um pedido seu em nome do Partido Socialista, quando pretendia enviar uma mensagem de repúdio pela agressão e de solidariedade para com Abílio Silva.

Comunicado da CDU - Coligação Democrática Unitária

Sobre o Exmo. Sr. Abílio Silva

A CDU - Coligação Democrática Unitária, tomou conhecimento da inqualificável agressão de que foi vítima o Sr. Abílio Silva, residente em Vila Praia de Âncora, no passado dia 20 de Setembro. De imediato, e sem qualquer interesse que não o do desejo de rápida recuperação física e psicológica do agredido, condenou o acto.

Face às declarações proferidas publicamente pelos representantes autárquicos locais, Presidente da Câmara Municipal de Caminha e Presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, difundidas por diversos órgãos de comunicação social, cumpre-nos comunicar:

1. A CDU - Coligação Democrática Unitária, repudia o acto de violência vil a que foi submetido o cidadão Sr. Abílio Silva, independentemente do móbil que o motivou;

2. A CDU - Coligação Democrática Unitária, expressa a sua total e incondicional solidariedade para com o agredido e manifesta publicamente os votos de rápida recuperação;

3. A CDU - Coligação Democrática Unitária, endereça à família total apoio no momento difícil que com toda a certeza atravessa;

4. A CDU - Coligação Democrática Unitária, espera que, com a maior brevidade sejam esclarecidos os contornos deste acto indigno e, em resultado do apuramento, seja devolvida, pela justiça, a dignidade ao estimado Sr. Abílio Silva;

5. A CDU - Coligação Democrática Unitária, entende condenar as declarações do Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora e da Sra. Presidente da Câmara Municipal de Caminha, que, num momento de apoio a um amigo, decidiram endereçar ao público em geral uma mensagem difusa, através da insinuação de contornos políticos nesta agressão;

6. A CDU - Coligação Democrática Unitária, lembra que não é a primeira vez que, na mesma rua (Rua da Sobreira), sucedem situações de assalto, tendo mesmo um membro desta coligação, anteriormente, sido alvo de vandalização da sua viatura, sem que qualquer leitura política tivesse sequer sido considerada por esta força política;

7. A CDU - Coligação Democrática Unitária, esclarece, relativamente ao ponto anterior, que essas ocorrências em nada diminuem a gravidade da agressão de que foi vítima o Sr. Abílio Silva;

8. A CDU - Coligação Democrática Unitária, entende que, e escusando-se da intromissão no fórum pessoal das relações de cada um, os amigos de um agredido devem estar ao seu lado, não lhe provocando mais danos pela exposição nacional da suas desgraças;

9. A CDU - Coligação Democrática Unitária, torna público que, em sua análise, a rápida tentativa de ilusão da comunicação social, empurrando-a para a notícia fantasiosa das vítimas perseguidas pelas suas opções políticas, denotam uma grande imaturidade e uma falta de conhecimento relativamente aqueles que já dela padeceram e, infelizmente, ainda dela padecem;

10. A CDU - Coligação Democrática Unitária, considera que existe de facto uma vítima de agressão, como infelizmente existem muitas, mas que há vontade do PSD local fazer passar a ideia de perseguidos;

11. A CDU - Coligação Democrática Unitária, lembra, relativamente ao ponto anterior, o ditado popular "chama-lhe antes que te chamem";

12. A CDU - Coligação Democrática Unitária, classifica de aproveitamento político a acção pública que promove o discurso que se vê, ouve e lê, nestes últimos dias;

13. A CDU - Coligação Democrática Unitária, divulga que os seus membros, de forma unânime, quer pessoalmente, quer colectivamente, nutrem o maior respeito pelas pessoas que integram as demais listas concorrentes às autárquicas, e não fazem sequer um juízo diferente daquilo que, em termos pessoais, é o pensamento dessas mesmas pessoas relativamente ao elementos da CDU;

14. A CDU - Coligação Democrática Unitária, para o bem da sanidade democrática local, apoia o rápido esclarecimento da agressão citada e exige que, nessa altura, aqueles que insinuaram uma condenação política venham a público desculpar-se pela ignomínia falsa acusação;

15. A CDU - Coligação Democrática Unitária, lamenta ter que fazer este comunicado, pelo respeito que lhe merece o cidadão agredido e a sua família, no entanto as declarações, e a persistência com que são feitas, obrigam-nos a tal.

CDU - Coligação Democrática Unitária

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Domingos
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