CONCELHO DE CAMINHA



UM MOSAICO DE PAISAGENS

Jornal Digital Regional
Nº 256: 24/30 Set 05 (Semanal - Sábados)

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O CIRCO CONTINUA

O nó do ramal da IC1 ( Riba de Âncora - Vila Praia de Âncora) com a E.N. 13, no lugar da Sandia, em Vila Praia de Âncora, veio pôr a nu, o que de facto está acontecer com a execução desta via. Tudo parece ser feito em cima do joelho. O projecto é um documento de intenções, mas nunca um trabalho que pareça ter sido devidamente pensado e planeado. Parece que estiveram numa "escolinha" a brincar aos "projectos do faz de conta".

É por isso, que a passagem hidráulica (PH) que foi executada no lugar da Sandia, para encaminhamento das águas da linha de água, que existe naquele local, e cujo curso foi desviado recentemente para execução do referido nó, foi orientada para uma saída, que não tem continuidade para jusante.

Além disso a passagem hidráulica por onde vão passar essas águas residuais pluviais, está direccionada para uma moradia que se localiza a poucos metros dessa saída, situação que lhe poderá trazer problemas diversos se a climatologia regularizar.

De facto é impensável, a não ser num país do terceiro mundo, estarmos perante uma situação destas, em que parece ter sido feito um projecto sem conhecerem as infra-estruturas, os estudos urbanísticos e equipamento, existentes no local. Nem se percebe como foi possível a alguém, que parece ser projectista, direccionar uma linha de água para uma vivenda. Trata-se de uma entidade do poder central que executa uma obra, em que se executam trabalhos que vão contra tudo o que se pode considerar tecnicamente correcto.

No entanto, desde o património ambiental, construído, ao arqueológico (Lanhelas), parece nada ter sido respeitado. Valeu, em alguns locais, uma atitude de cidadania das populações para travar essa apetência. São esses os verdadeiros portugueses, que mesmo sem terem "imunidades políticas", nem precisarem de "sigilos bancários" defendem de facto o nosso país.

São estas obras que nos demonstram que o técnico de gabinete não se preocupa com as infra-estruturas que existem no terreno e por vezes até se esquecem de respeitar estudos urbanísticos previstos nos PDMs.

Era conveniente que as autarquias e os responsáveis por estas obras se deixem de demagogias. Devemo-nos preocupar com as consequências que estes disparates técnicos vão trazer futuramente à comunidade.

É lamentável que quase no fim de uma obra destas, se venha falar em "negociar soluções mais adequadas", quando está em causa o desvio de uma linha de água que vai trazer diversos problemas a uma moradia.

E no meio disto tudo ninguém parece ser responsabilizado. E perante tanto desconhecimento das infra-estruturas da área que estava a ser atravessada, dá-nos a entender que estamos num país em que tudo é permitido, ou melhor "faça-se que depois aprovamos".

Analisada a situação, considero que o erro não é só do projectista, mas também da equipa que deu o parecer ao RECAPE, porque deviam ter dado mais atenção aos pontos críticos, e às questões que foram colocados por diversas pessoas, que iam alertando, quer Ministério do Ambiente, quer os agentes promotores e executores da obra .

Agora, para corrigir os erros apresentados, vão ter de se fazer mais uns "trabalhitos" que vão ser debitados ao erário público.

São estas indefinições, permitidas por um conjunto de entidades, que de facto estão a levar este país para o ponto que está.

J.Vasconcelos

Rios da Europa do Sul
perderão dez por cento de caudal até 2030

As alterações climáticas irão alterar as disponibilidades de água nos rios

Embora a nível europeu o consumo de água deva decair cerca de dez por cento nos próximos 25 anos, na Europa mediterrânica o consumo tem tendência a aumentar, o que fará com que algumas bacias venham a ter menos dez por cento de água disponível (ver infografia). Estas são algumas conclusões do relatório de 2005 sobre as perspectivas ambientais para a UE da Agência Europeia de Ambiente.

Divulgado no domingo, o relatório apresenta cenários positivos em diversas frentes - poluição do ar e emissões de gases com efeito de estufa -, mas também alguns preocupantes, como a escassez de água em certas regiões.

No que diz respeito ao stress hídrico, isto é, quando o consumo excede as disponibilidades, o futuro apresenta-se risonho a norte e tristonho a sul. Actualmente, os europeus gastam 300 mil milhões de metros cúbicos de água, o equivalente às nascentes dos três maiores rios do continente: Danúbio, Reno e Loire. A maioria é usada na agricultura (37 por cento) e sector energético (24), seguidos do sector doméstico (24) e indústria (13).

Com as alterações climáticas e a prevista subida de temperatura, haverá mudanças na quantidade de água disponível nos rios europeus. Enquanto no Norte deverá haver um aumento, no Sul o precioso líquido tende a escassear, chegando mesmo a reduções de dez por cento ou mais em algumas bacias hidrográficas. No relatório, prevê-se também um aumento da frequência e intensidade das secas, sobretudo no Sul e em algumas partes da Europa Central.

Para os próximos anos, está previsto que o sector eléctrico - que utiliza a água para a refrigeração - perca importância devido à mudança de tecnologia, algo que poderá rondar os 70 por cento. A agricultura vai continuar a ser o grande consumidor, sobretudo no Sul, onde o aumento da temperatura irá obrigar a mais irrigação. A indústria vai também aumentar o consumo, embora subsistam muitas incertezas que dependem da evolução da tecnologia.

Persistem também incertezas sobre o sector doméstico, pois há muitas incógnitas sobre factores que influenciam o consumo: o preço da água, a evolução do turismo, o rendimento e dimensão dos agregados familiares, etc.

O relatório preocupa-se também com as alterações climáticas, considerando que as metas de Quioto para a redução dos gases com efeito de estufa deverão ser atingidas, em parte devido às baixas emissões dos mais novos membros da União. Já a longo prazo o cenário não é tão positivo: o objectivo de não se ultrapassar os dois graus de aumento da temperatura global deve ser excedido na segunda metade do século.


O mundo está a começar a ganhar a batalha da falta de água

Uma gestão mais eficiente está a contribuir para contrariar a escassez e a falta de qualidade mas ainda subsistem muitos problemas

O mundo está gradualmente a ganhar a batalha contra a falta de água através de uma melhor gestão, disseram especialistas na conferência internacional sobre rios, que decorreu na semana passada na Austrália. Mas enquanto alguns países, como a China, estão a começar a enfrentar os problemas causados por um número excessivo de barragens e de rios desviados e poluídos, outras nações, como a Índia, cometem erros antigos.

"Estamos a começar a gerir melhor os nossos rios através de uma gestão integrada", disse Selina Ward, oceanógrafa da Universidade de Queensland, Austrália, numa entrevista telefónica. "E está a ser feito o mesmo por todo o mundo, ou pelo menos está-se a tentar, mas ainda há países, como a Índia, que continuam a construir uma série de barragens quando outros as estão a deitar abaixo", acrescentou.

"Há um conflito em muitos países onde as barragens são vistas como essenciais para a sobrevivência dos habitantes." Na Índia, o segundo país mais populoso do mundo, dois estados concordaram em dar início à primeira fase de um projecto de 200 mil milhões de dólares (161 mil milhões de euros) para ligar dois rios. Mas as críticas dizem que o plano vai acabar por provocar um desastre ecológico.

A primeira fase inclui a construção de um canal de 230 quilómetros para desviar água do rio Ken para o Betwa na província nortenha de Madhya Pradesh e a edificação de uma barragem hidroeléctrica no meio da reserva de Panna, que é das mais bem sucedidas na preservação do tigre.

Quanto à China, Ward defendeu que tanto há bons exemplos como maus. A barragem das três gargantas, no rio Yangtsé, conseguiu controlar as cheias. Noutros rios, fez-se um "fabuloso" trabalho de restauração. Nos últimos anos, cerca de 2000 indústrias saíram de uma das margens do Yangtsé e muitas pessoas foram reinstaladas em zonas menos poluentes, tendo os seus esgotos tratados.

Mas este país tem, por outro lado, uma série de problemas com os transvases e com as modificações dos cursos de água.

As Nações Unidas calculam que quase dois mil milhões de pessoas no mundo não têm acesso a água potável. Mas, entre os 430 delegados de cerca de 40 países presentes na conferência na Austrália, foram muitas as vozes optimistas a defender o ponto de vista de que uma melhor gestão já está a contribuir para minorar o problema. "Ficar sem água não é o problema, o que temos é que ser mais cuidadosos na sua gestão", disse Ward, dando exemplos de aumentos da eficiência na irrigação e de melhor reciclagem das águas urbanas.

A falta de água potável é também uma consequência do aumento da poluição. "Em muitos lugares, sobretudo na Ásia, temos muita água mas não há muita água potável", acrescentou a cientista.

A entrada de água salgada nos rios e as alterações climáticas são outros factores que aumentam a pressão sobre as fontes de abastecimento de água. Mas as limitações ao seu uso, como foi feito para a indústria do algodão australiana, são um exemplo de como uma melhor gestão pode contrariar a escassez. Jornalista da Reuters

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