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Nº 22: 24 a 30 MAR 2001

ALMIRANTE JORGE RAMOS PEREIRA
UMA VIDA - UM EXEMPLO
UM LIVRO EM ABRIL

Aproxima-se a data do centésimo aniversário do nascimento de uma das figuras mais relevantes do concelho de Caminha deste século.

Referimo-nos ao Contra-Almirante Jorge Maia Ramos Pereira, nascido a 6 de Abril de 1901 na então freguesia de Gontinhães, hoje Vila Praia de Âncora, e falecido a 16 de Março de 1973, um ano antes do 25 de Abril por que ele tanto ambicionou e pugnou, e que, seguramente, o teria escolhido como primeiro Presidente da II República Portuguesa.

A efeméride está a ser preparada pela Câmara Municipal de Caminha, Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora e Marinha Portuguesa.

Em Vila Praia de Âncora, no dia 6, será realizada uma romagem desde o seu vusto erguido na Praça da República, até ao jazigo de família no cemitério paroquial.

ARMADA NÃO ESQUECE

Na véspera, em Lisboa, a Academia da Marinha vai prestar-lhe homenagem através de uma cerimónia pública, em que serão oradores alguns oficiais que com ele conviveram ao longo da sua carreira militar, tais como o contra-almirante Félix António que o acompanhou na sua doença, o vice-almirante Almeida d'Eça e o Comandante Guilherme Conceição Silva, tendo sido ainda endereçados convites a participarem, ao governador civil de Viana do Castelo e aos presidentes da Câmara Municipal de Caminha e da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora.

Mas, ponto marcante desta programação, será, indubi- tavelmente, o lançamento da obra "Almirante Jorge Ramos Pereira/Uma Vida-Um Exemplo", previsto para alturas do 25 de Abril.

É autora deste trabalho com 150 páginas, contendo várias fotografias, a escritora, poetisa e investigadora Glória Maria Marreiros, casada com um sobrinho do almirante Ramos Pereira (Henrique Luis Ramos Pereira da Cunha).

Esta escritora (médica, licenciada em filosofia e possuidora de uma pós-graduação em museologia, com várias obras publicadas e colaboradora de diversos jornais e revistas) obteve a concordância de toda a família para a elaboração de uma biografia do "Almirante"- assim era conhecido na sua terra natal, tal o prestígio granjeado junto dos seus conterrâneos, não só pela sua competência profissional e militar, mas também pelo acolhimento que concedeu aos mais desfavorecidos.

RAÍZES E CURRÍCULO

Dividido em duas partes, a autora refere-se inicialmente às suas origens familiares, seus pais (Luis Inocêncio Ramos Pereira, médico e senador) e seu avô, o Comendador José Bento Ramos Pereira, a quem se deve a construção da primeira escola em Riba d'Âncora.

A segunda parte da obra prende-se com aspectos da vida do oficial, desde a escola primária, passando pelo Colégio Militar e acompanhando as diversas viagens marí- timas realizadas, sem esquecer o seu papel como Director do Museu da Marinha.

Glória Marreiras explicou ao CAMINH@2000 como "me baseei "na correspondência de meu tio -por quem tinha grande admiração- e em documentação obtida na Torre do Tombo", de modo a assegurar a base desta biografia (não necessariamente exaustiva) que permitisse a sua conclusão em tempo útil.

"Foram alguns meses de luta contra o tempo", concluiu, alicerçados, porém, na experiência adquirida com as mais recentes publicações a que se veio dedicando nestes últimos tempos, precisamente vocacionadas para as biografias.

PIDE ESPIOU FUNERAL

Um dos pontos de curiosidade deste livro, prender-se-á com a actividade política de combate à ditadura desenvolvida pelo Almirante Ramos Pereira antes do 25 de Abril.

Ainda hoje é recordado o abalo que a sua candidatura encabeçando a lista da oposição democrática nas "eleições" à assembleia nacional de 69, pelo circulo eleitoral de Viana do Castelo, causou nos apaniguados do regime de então.

Relacionado com o seu funeral realizado em Vila Praia de Âncora, a autora desta obra descobriu um relatório assinado por um PIDE, descrevendo aos seus superiores o que se passou no cortejo fúnebre.

Será mais um motivo de interesse na consulta deste livro, tal como os depoimentos recolhidos em Vila Praia de Âncora sobre a personalidade e prestígio do biografado.

NOME PARA ESCOLA

Continua sem desenvolvimento uma proposta avançada pela CDU na Assembleia de Freguesia de Vila Praia de Âncora, no dia 1 de Maio de 99 e reposta um ano depois, no sentido de atribuir o nome do Contra-Almirante Ramos Pereira à Escola B 1,2 da vila.

Se o assunto mereceu concordância de todos os partidos com assento nesse orgão autárquico, o mesmo já não sucedeu com o conselho pedagógico da escola, ficando o assunto por ali.

Agora que se assinala o centésimo aniversário do seu nascimento, é muito provável que esta possibilidade volte a aflorar a sensibilidade de políticos e educadores ancorenses.


ORFEÃO DE VILA PRAIA DE ÂNCORA COMO "DIFUSOR DA CULTURA DO PAÍS"

Francisco Presa, o homenageado...

...pelo Conselho Fiscal do Orfeão...

...pela Direcção...

...pelos orfeonistas...

...esposa não foi esquecida...

Coreografia de dança

Francisco J.Presa, cantor

Poesia: Graça Meira e Eurico Dias

Teatro (Ideias Trocadas)

...pela Câmara Municipal...

Já faz parte da praxis do Orfeão de Vila Praia de Âncora, presentear a população local com um espectáculo representativo das suas "expressões culturais", sempre que se cumpre mais um ano da sua fundação.

Tal aconteceu uma vez mais no cine-teatro da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Ancorenses, palco das celebrações do 43º Aniver-sário e da homenagem ao seu maestro Francisco Presa, há 25 anos à frente deste coral "rejuvenescido, prestigi- ado e cheio de esperança no futuro", como o titulou Manuel Amial, presi- dente da direcção, ao abrir o sarau.

Este dirigente quis destacar o "trabalho diversificado" que o Orfeão vem desenvolvendo de uma forma voluntária no campo do canto, teatro e dança regional, o que serviu de pretexto à referida homenagem, numa data em que as Nações Unidas declararam 2001 como o Ano Internacional dos Voluntários, daí o ter sido ouvido e entoado por todos os coralistas um CD com o Hino Nacional dos Voluntários, remetido pela respectiva comissão nacional a que preside a esposa do presidente da República.

PETIÇÃO

Manuel Amial, neste intróito ao espectáculo em que actuaram as diversas secções, e foi declamada poesia e apresentada uma coreografia da autoria de jovens orfeonistas, voltou a referir-se a uma "petição" levada a cabo por esta colectividade, tendo como finalidade a posse da antiga escola primária do Viso e respectiva adaptação a sede.

Sem deixar de sublinhar a adesão da juventude ancorense ao Orfeão, anti- gos companheiros de muitos anos já desaparecidos não foram esquecidos, tendo evocado alguns, como o Padre Lima, os professores Raúl e Lauren- tino Monteiro, José Meira, Bento, José Domingues, Jorge e Vasco Moreira.

Destaque, por último, para o agrado com que a assistência presenciou as diversas actuações, saudadas com vastos aplausos, atingindo ponto alto as diferentes demonstrações de reconhecimento expressas na pessoa de Francisco Presa, director artístico deste Orfeão que acaba de completar 43 anos de profícua actividade cultural.



Grupo de Danças e Cantares