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Nº 22: 24 a 30 MAR 2001

PRIMAVERA INVERNOSA

O Inverno prossegue impiedoso e insensível aos calendários e estações, e após se sobrepor ao Outono, ameaça fazer o mesmo com a Primavera (longe vá o agoiro!).

Estes primeiros dias deram seguimento a uma continuidade desesperante, voltando as cheias, cortes de estradas, árvores derrubadas, pontes ameaçadas -como aconteceu no pontão do Salto, na Varziela, em Arga de Baixo, coberto pelas águas do ribeiro-, muros em derrocada, como no Lugar da Rocha, em Vilarelho, enfim, um cenário repetitivo de que não há memória, dizem os mais velhos.

AGRICULTORES SOFREM

Todas as culturas estão atrasadas e os lavradores que arriscaram plantar os produtos da época (batatas, p.e.) vêem com apreensão como a água encharcando as terras ameaça toda a produção.

O gado não pode sair para os pastos, obrigando a gastos suplementares com rações para os alimentar.

Os pescadores de Vila Praia de Âncora permanecem em terra há meses e os do rio Minho já pensam em pedir uma prorrogação da pesca da lampreia até final de Abril.

O sector de hotelaria e restauração já teme pelo que possa suceder daqui para a frente, porque até agora o negócio foi bem deficitário. O mesmo se dirá do comércio local ou dos feirantes (esta semana, praticamente, não houve feira em Caminha, tal era a força do vento que obstava a qualquer tentativa de erguer tenda que fosse, e os lavradores ficaram em casa).

São inclemências a mais, perante interrogações e explicações para todos os gostos, mas a que o próprio Homem não se pode furtar à sua quota de responsabilidade, começando a ser vistos com outros olhos, aqueles a quem ainda há bem pouco tempo se classificavam de "fundamentalistas" por "dá cá aquela palha".