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CAMINHA EM "SEGURANÇA" PARA IMPEDIR REALIZAÇÃO DE FEIRA SEMANAL
FORÇA DE INTERVENÇÃO DA GNR A PEDIDO DA CÂMARA OCUPOU A VILA
A vila de Caminha acordou sitiada na manhã da última Quarta-feira, com cerca de 40 militares da GNR de Caminha, Vila Praia de Âncora, Brigada de Trânsito e da Força de Intervenção com quatro cães, presentes no Largo da Feira e nos principais nós rodoviários da sede do concelho, a fim de evitar o acesso dos feirantes até junto do mercado, ao redor do qual se realiza a feira semanal.
"Com tanta necessidade de policiamento nocturno e vêm para aqui de dia", lamentava-se um caminhense que se preparava para iniciar as compras na feira e deparou com o recinto vazio, patrulhado por forte dispositivo policial.
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Desde a tarde da véspera que viaturas da GNR patrulhavam o recinto, impedindo que carrinhas de feirantes se aproximassem ou estacionassem no local. |
Este aparato policial foi requisitado pela presidente da Câmara, depois de ter decidido suspender as feiras até que se concluam as obras de pavimentação do principal terrado onde elas se desenvolvem e se reorganize todo espaço feiral.
JÚLIA PAULA INSENSÍVEL A ALTERNATIVAS
Júlia Paula não atendeu às reclamações dos comerciantes que sugeriam um espaço alternativo, nem às dos agricultores que pretendiam continuar os seus negócios, pelo facto de o local que lhes está reservado não ser objecto de obras.
Após várias reuniões, ao fim da tarde de Terça-feira, foi autorizado que apenas os lavradores do concelho utilizassem as instalações do Centro Coordenador de Transportes (a presidente entregou a chave do edifício a uma agricultora a fim de que o abrisse logo de manha), situado noutro ponto da vila, e vendessem os seus produtos, perante os protestos dos de fora.
Uma feirante que integrou a comissão escolhida para tentar dialogar com a presidente, foi aconselhada por esta a meter férias até que as obras se concluíssem, mas, "se o fizesse, não ganhava", respondeu-lhe.
A autarca teria justificado a decisão, pelo facto de "terem surgido problemas" em Novembro, quando se realizaram obras no largo fronteiro ao mercado.
Outra vendedora de legumes de Viana do Castelo, interrogava-se sobre quem a indemnizaria dos 1620€ de hortaliças que teria de deitar fora. Acrescentou que poderiam seguir o exemplo de Barcelos, em que suspendiam as obras no dia de feira. |
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No mercado de Caminha, habitualmente movimentado nestes dias, o negócio estava em baixa, como nos confirmou uma peixeira, dizendo que estava ali desde as 7H30 e, já passando das 9H e "ainda só vendi 2€", lamentava-se, acrescentando que "isto vai ser o caos até que a feira volte para aqui". |
Um caminhense habitual frequentador da feira, lamentava que "nada" houvesse para vender por parte dos agricultores das aldeias, sugerindo que poderiam "tê-los autorizado a montar a feira na Av. Entre-Pontes".
FINAL DAS OBRAS PODERÁ REAVIVAR TENSÃO
Tudo aponta que enquanto se mantiver a interdição, as forças policiais marcarão presença até final de Outubro, altura em que se antevê uma tensão maior.
É que a Câmara pretende limitar o número de feirantes a 120, quando na actualidade ultrapassa os 200, muitos deles sem possuírem o respectivo cartão que os habilite, o que poderá ser aproveitado pela autarquia para diminuir esta quantidade e eliminar os vendedores de produtos hortícolas que não sejam residentes no concelho.
Recorde-se que algumas dezenas de tendas se estendem ao longo dos dois passeios de uma rua também ocupada parcialmente e que circunda pelo norte e poente o mercado de Caminha.
Na sua maioria, são feirantes de etnia cigana vendendo calçado e vestuário.
A Câmara pretende eliminar totalmente a feira nesta área de circulação rodoviária, o que, por si só, restringirá o número de vendedores e levará a ajustamentos de lugares noutros pontos do terrado, o que já levantou protestos.
JUNTA DE FREGUESIA DE CAMINHA
Horário de Atendimento ao Público
2ª, 4ª e 6ª Feiras - 21H/ 22H
3ª e 5ª Feiras - 18H /19H
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MEMÓRIAS DA SERRA D'ARGA |
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Autor Domingos Cerejeira |
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