CONCELHO DE CAMINHA



UM MOSAICO DE PAISAGENS

Jornal Digital Regional
Nº 172: 14/20 Fev 04 (Semanal - Sábados)

Email Assinaturas Ficha Técnica Publicidade 1ª Pág.



LOTEAMENTO JUNTO AO CASTRO DO COTO DA PENA

CÂMARA NÃO EMBARGA MAS SUSPENDE TRABALHOS

SOCIALISTAS QUEREM SABER O QUE SE PASSA

Encontra-se nas mãos da presidente da Câmara de Caminha a resolução do diferendo que a opõe o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), relativamente à obra executada por um empreiteiro junto à Estação Arqueológico do Coto da Pena, em Vilarelho - um imóvel classificado de interesse público desde 1986.

Desde o passado dia 4 que os trabalhos se encontram interrompidos, após várias diligências efectuadas pelo IPPAR para que a autarquia assim procedesse, pelo facto de "se encontrarem abrangidos pelo perímetro de protecção" ao castro milenar e não ter sido enviado o respectivo projecto, nem existir um "parecer vinculativo" dessa entidade, conforme informámos na edição anterior.

Recorde-se que o vereador José Bento Chão, responsável pelas obras particulares e pai do construtor, se mostrou renitente a acatar as ordens de suspensão e desafiou o IPPAR a "assumir esse ónus", por, na sua óptica e de acordo com o PDM, o movimento de terras já efectuado, se encontrar fora da área de salvaguarda desse património, embora referisse que não estivera envolvido com o despacho de aprovação do loteamento, devido à relação familiar existente.

JÚLIA PAULA TERÁ DE RESOLVER O PROBLEMA

Tendo sido o alvará de loteamento da responsabilidade de Júlia Paula, presidente do município caminhense, será ela a resolver o problema e "todos os trâmites que se vão desenvolver entre a Câmara e o IPPAR, são assunto que gostaria que fosse a senhora presidente a abordar", referiu Lino Dias, director-regional deste Instituto e que ontem se deslocou pessoalmente a Caminha, acompanhado de três técnicos, a fim de discutir este assunto.

IPPAR BASEADO EM POSIÇÕES TÉCNICAS E CIENTÍFICAS

Lino Dias, no seguimento do posicionamento adoptado neste caso, apenas reafirmou que a presidente assumira a paragem da obra -o que só pôde ser feito com a anuência do construtor, dado que não houve embargo- e que o IPPAR "era uma instituição que tem que zelar pelo património", fazendo vincar que "nós tomamos posições técnicas e cientificamente alicerçadas", mais não querendo adiantar.

Apesar dos inúmeros contactos realizados para tentar ouvir a presidente Júlia Paula e o vereador José Bento Chão, o silêncio imperou.

OBRA AO LADO EMBARGADA PELA CÂMARA

Em Caminha, estranha-se a dualidade de critérios evidenciada pelo município relativamente às deliberações tomadas nesta zona e na mesma altura, pelo facto de ter obedecido a um pedido de embargo da ampliação de uma habitação que estava a ser construída a uns 50 metros da que levantou agora toda esta celeuma, sem qualquer licença do IPPAR.

Contudo, recorde-se, na mesma ocasião, este Instituto também já exigia à câmara que suspendesse "de imediato qualquer tipo de trabalhos em curso e enviasse o respectivo projecto" da obra do loteamento, decisão que a câmara não acatou até princípios deste mês, como já vimos.

PS EXIGE CÓPIAS DE CORRESPONDÊNCIA COM O IPPAR

Entretanto, no decorrer da última reunião camarária (13/2), os vereadores socialistas requereram à presidente social-democrata Júlia Paula, "cópias de toda a correspondência trocada entre a Câmara Municipal e o IPPAR-Instituto Português do Património Arquitectónico", respeitante ao processo do loteamento urbano.

A oposição pediu ainda "com a maior brevidade possível" a marcação de uma "data, hora e local", a fim de "ter acesso e consultar o referido processo" que tem vindo a agitar Caminha nas duas últimas semanas.

No seguimento deste requerimento subscrito pelo vereador Manuel Carlos Falcão, o seu colega Jorge Fão interpelou a presidente no sentido se saber se "havia indicadores de destruição de património".

POLÉMICA NA CÂMARA

Júlia Paula referiu que responderia por escrito ao pedido dos socialistas e que iria "informar a população" de toda a polémica que envolveu a paragem das obras no loteamento no passado dia 4, acusando a oposição de apenas ter abordado o assunto, por o loteador ser o pai de um vereador social-democrata.

A polémica instalou-se, com Jorge Fão a afirmar que procederia do mesmo modo com qualquer outro munícipe, passando então a líder do Executivo camarário a assestar as baterias na imprensa ("era bom que o jornalista tivesse cuidado com o que escreve", advertiu) que tem vindo a noticiar o caso, acabando por prestar na altura alguns esclarecimentos.

JÚLIA PAULA DIZ QUE O PROCESSO ESTÁ CORRECTO

Júlia Paula confirmou a reunião mantida com o IPPAR, assegurando que na óptica da Câmara estaria tudo correcto e negando que tivesse sido da sua responsabilidade a suspensão dos trabalhos mas sim do IPPAR, o que contraria a posição de Lino Dias, director-regional dessa entidade, que afirmara que a autarca assumira a paragem.

Quanto à ordem de embargo decretada pelo Executivo contra a ampliação de uma habitação a escassos metros do loteamento e também situada na área de protecção da estação arqueológica, negou que tivesse agido sob pressão do IPPAR, mas sim pelo facto de a obra não estar licenciada pela câmara.

MEMÓRIAS
DA
SERRA D'ARGA
Autor
Domingos
Cerejeira
Ambiente
Animação
Cultura
Desporto
Distrito
Educação
Empresas
Freguesias
Galiza
Justiça
Óbitos
Pescas
Política
Roteiro
Tribuna
Turismo
Saúde
Sucessos