JUNTAS DE FREGUESIA DECEPCIONADAS APÓS ENCONTRO COM RESPONSÁVEIS DA EUROSCUT
CÂMARA PROMETE O POSSÍVEL
COREMA POSTA À MARGEM
CERVEIRA AGUARDA
A Câmara Municipal de Caminha promoveu uma reunião com as juntas de freguesia de Argela, Lanhelas, Vila Praia de Âncora e Vilar de Mouros, vereadores da oposição, comissões de moradores ou de interessados e Euroscut (empresa concessionária da obra do IC1 Viana do Castelo-Caminha), de modo a desbravar mais algum caminho, neste complicado processo de construção da via rápida sem custos para o utilizador.
De um modo geral, com excepção de Vila Praia de Âncora que parece ver salvaguardado o afastamento exigível da fonte da Retorta e protegidas linhas de água, as restantes juntas saíram decepcionadas do encontro, em que a empresa se apresentou em força, com seis técnicos.
MUITAS INCERTEZAS
Argela viu com "apreensão" as informações prestadas, estando convicta de que o traçado dificilmente será alterado, não se verificando o afastamento exigível das habitações.
Contudo, o temido nó de Dem, introduzido à última hora pela empresa, foi igualmente rejeitado pela Câmara, pelo que vai ser pedido ao Instituto de Estradas a criação de uma alternativa entre Argela e Vilar de Mouros.
José Carlos Silva, presidente da autarquia argelense, aguarda agora que lhes sejam fornecidos os respectivos mapas, a fim de os analisar em pormenor, embora creia que não se verificarão as rectificações sugeridas.
LANHELAS NÃO CEDE

Da parte de Lanhelas, Rui Fernandes, presidente da Junta, mantém a sua proposta de construção da ligação do IC1 à EN13 por detrás do Monte de Góis, ou em alternativa, abrir um túnel.
Esta autarca aguarda que lhe forneçam os mapas e os projectos a fim de os analisar devidamente, mas receia que o traçado vá passar junto de habitações da parte alta da freguesia, temendo também pelas nascentes e linhas de água.
Recorde-se que a saída da ligação, antes de atingir a EN13, atravessará o Lugar de Gouvim, em Gondarém, Vila Nova de Cerveira,
EUROSCUT REJEITA ESTUDO DE VILAR DE MOUROS

"Não podemos concordar com a posição da Euroscut e vamos convocar a população para discutir o assunto", referiu-nos Carlos Alves, presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Mouros, com uma assembleia já agendada para o próximo dia 13, pelas 21 horas, no CIRV.
Este autarca manifestou a sua preocupação face aos argumentos apresentados pela Euroscut para rejeitar o estudo encomendado pela sua autarquia, destinado a oferecer uma alternativa por detrás do Monte da Gávea.
Embora reconhecendo que lhes possam impor um traçado indesejável, "ninguém nos obrigará a aceitá-lo", acrescentou o autarca, lamentando que tivesse havido possibilidade de "alterar isto", com menos custos para Vilar de Mouros", mas, os interesses "economicistas" impuseram-se.
CÂMARA JUSTIFICA

Da parte da Câmara, parece ter vingado a argumentação "técnica" demonstrada pelos especialistas da Euroscut, afirmando Júlia Paula ser "praticamente impossível fazer melhor", no que se refere aos afastamentos.
"Não é o ideal, é o possível", salientou a autarca.
Relativamente ao estudo apresentado por Vilar de Mouros, comungou da opinião apresentada pela Euroscut, afirmando ser impossível implementar a estrada em locais com inclinações de 30 ou 60%, valores rejeitados, no entanto, pela autarquia.
Reconfirmou que o nó de Dem, que iria fazer confluir o trânsito pelo interior de Argela, estará descartado, desde que o Instituto Rodoviário aprove a alternativa.
TÚNEL DUVIDOSO
Sublinhou ainda que em Lanhelas, a hipótese de abertura de um túnel foi rejeitada pelo Instituto de Estradas de Portugal (ignorando a razão), embora recordasse que o mesmo também poderia ser impactante, devido aos cortes que poderia introduzir em linhas de água, duvidando que o Ministério do Ambiente aprovasse tal situação.
COREMA POSTA À MARGEM

Reagindo às críticas da Corema pelo facto de não ter sido convocada para esta reunião (recorde-se que já em Março sucedeu o mesmo), referiu que estão no seu direito de o fazer, embora a opção lhe pertença, entendendo que nesta fase, em que se procede a um "estudo técnico", não faria sentido convocar as associações ambientalistas, preferindo relegá-las para a fase de inquérito público.
Refira-se que a Corema enviou um protesto ao Instituto do Ambiente pelo sucedido, estranhando que tivessem sido convidadas comissões de moradores "sem estatuto legal", ao invés das associações ambientalistas, consideradas organizações não governamentais e com assento no Conselho Executivo da Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente, como sucede com este grupo ecologista sedidado em Lanhelas.
"FALTA DE CULTURA DEMOCRÁTICA"
A Corema recorda que desde a primeira hora se tem empenhado neste processo, na busca de "posições consensuais" com a Câmara e juntas, pelo que considera de "retrógradas e vesgas" estas formas de fazer política.
Após recear eventual "falta de transparência do processo de discussão pública" deste tema, a Corema interroga-se sobre aquilo que a Câmara "está a querer esconder da Corema" ou, o que "teme afinal?".
CERVEIRA AGUARDA

Se numa primeira fase, a Câmara de Cerveira se pronunciou desfavoravelmente em relação à saída da ligação do IC1 em Gondarém, presentemente, aguarda o desenvolvimento do processo, nada possuindo no que a mapas de refere.
Contudo, José Manuel Carpinteira, presidente do município, manifesta reservas a uma confluência de trânsito no seu concelho, agravando a situação actual, pelo que opta por um nó mais a norte, de modo a "salvaguardar a segurança das populações de Cerveira e Campos e questões ambientais".
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