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Carros celulares no tribunal de Caminha
ASSALTO A BAR COM PISTOLAS
Um roubo num bar de Caminha realizado por quatro indivíduos em Janeiro deste ano e dois casos de assalto a taxistas em Venade e Coura/Seixas, ocorridos em Maio último, subiram à barra do tribunal colectivo desta comarca, na passada quinta-feira.
Três carros celulares transportaram quatro indivíduos presos preventivamente ou a cumprir já pena, realizando-se os dois julgamentos na manhã desse dia, sendo de evidenciar uma sempre desejável celeridade nestes casos judiciais, numa altura em que a morosidade processual ainda se mantém na ordem do dia.
O primeiro pleito dizia respeito aos acontecimentos da madrugada de 12 de Janeiro deste ano, quando quatro irmãos com idades compreendidas entre os 15 e os 23 anos (o mais novo não compareceu em tribunal por ser inimputável), são acusados de assalto ao Baixinho Bar, situado na Trav. de S. João, em Caminha, "agindo deliberadamente e em comunhão de esforços".
Segundo a acusação, após terem entrado no bar com duas raparigas, consumido algumas bebidas e comprado um cartão de carregamento de telemóvel, saíram, e aguardaram que o último cliente deixasse o estabelecimento.
De seguida, e já perto das duas horas da manhã, os quatro jovens de Vila do Conde, regressaram ao Baixinho Bar. Dois deles dominaram o proprietário com duas pistolas 6.35 apontadas à cabeça, retirando-lhe 250 contos em notas, uma pistola e o seu telemóvel, enquanto que os outros arrombavam o expositor de venda de telemóveis, levando-os consigo, assim como a caixa registadora. O mais velho, Marco Gomes, de 23 anos, a cumprir pena de 7 anos de prisão, manteve ainda algum tempo o dono do bar imobilizado perante a ameaça da arma, dando aso a que os restantes se introduzissem numa viatura, arrancando todos alguns segundos depois, em direcção à N13.
PREJUÍZO DE 1500 CONTOS
O prejuízo avaliado por José António Baixinho foi na ordem dos 1500 contos, tendo declarado ao tribunal que as pessoas que tinham estado a beber antes do assalto, foram as mesmas que o praticaram. Isto contrariava a versão do Marco -o único que quis prestar declara- ções-, o qual, numa eventual tenta- |
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tiva de ilibar os irmãos, afirmou que após a primeira saída do bar, os convidara a praticar o crime, tendo estes recusado.
Como nas imediações do bar Baixinho, casualmente, se encontravam uns amigos que não quis identificar, acenou-lhes com idêntica proposta, e que viria a ser aceite.
Alguns dias depois, os irmãos Gomes, conhecidos em Vila do Conde pelos "Santanas", foram detidos pela GNR, ingressando na prisão onde se encontram preventivamente. Excepção para o Marco -considerado pelo MP como o estratega do grupo- e que por ter cometido vários crimes com anterioridade, regressou à prisão, de onde se tinha "ausentado", depois de desfrutar de uma saída precária da cadeia de Paços de Ferreira, onde cumpria(e) condenação de sete anos.
Uma acareação solicitada pela defesa dos irmãos Nilton, Bruno e Marco, colocando este último a confrontar declarações da vítima, apenas reconfirmou as versões de ambos.
MP PEDE CONDENAÇÕES
O Ministério Público pediu 5/6 anos de prisão, "devido à gravidade dos factos e à sua reincidência", relativamente ao irmão mais velho, solicitando penas um pouco acima do mínimo previsto na lei (3anos), para os outros, mas beneficiando de uma "suspensão alargada com grande acompanhamento do Instituto de Reinserção Social"
O defensor dos acusados, Fernando Moura, apelou à compreensão do colectivo presidido pelo juiz Pedro Costa, atendendo a que se estava perante um caso de degradação familiar total, em que os pais dos jovens se encontram detidos, além de pender sobre todos eles uma acção de despejo movida pela câmara municipal de Vila do Conde, devido a existir uma dívida de algumas centenas de contos por atraso no pagamento da renda.
Ver-se-à dentro de algum tempo, qual o veredicto do tribunal.
No outro julgamento, sentava-se no banco dos réus António Joaquim Pinto Valadares, conhecido pelo "Garrafão", de 41 anos, pescador, natural de Caminha, acusado de ter assaltado em Venade, em 7 de Maio do corrente ano, um táxista de Viana do Castelo sob a ameaça de uma seringa contendo "líquido vermelho", no final de um frete iniciado nessa cidade.
Rodeando o pescoço da vítima com um braço e intimando-a com a seringa a entregar-lhe dinheiro, acabaram por sair do carro lutando, após o taxista ter conseguido partir a agulha. Contudo, António Valadares teria puxado de uma navalha (o que negou e disse pertencer ao taxista), obrigando este a fugir e a deixar 30 contos e o telemóvel de que o assaltante se apropriou.
Seis dias depois, utiliza processo idêntico com um profissional de táxis espanhol. Levando-o até à estrada velha da passagem de nível de Coura e exige-lhe a carteira. O taxista consegue escapar, pede auxílio, os vizinhos aparecem, recuperam a carteira e o ladrão foge, vindo a ser detido mais tarde, no túnel de acesso ao ferry-boat de Caminha.
António Pinto afirmou ao tribunal que fizera tudo isto sob a influência das drogas, negando, contudo, a utilização de seringas usadas.
Atendendo ao seu cadastro e a ter usado uma seringa -um meio de coação que causa pânico às vítimas, devido a possíveis doenças infecciosas-, o que levou o taxista a realizar uma série de exames de despistagem, o Ministério Público pediu uma condenação bem pesada, enquanto que a defesa oficiosa solicitou justiça para este caso.
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