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Vilar de Mouros

Almoço dos Reis em comunidade

A tradição persiste em Vilar de Mouros.

Após o grupo das Reisadas ter percorrido os lares vilarmourenses nas noites de Janeiro, angariando donativos para o convívio comunitário anual, os habitantes desta freguesia juntaram-se nas instalações do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense no passado dia 14, desfrutando do saboroso arroz de sarrabulho, seguido das fêveras de porco, em franca camaradagem.

É uma tradição que se perde na memória dos vilarmourenses, conforme recordaram Basílio Barrocas, presidente do CIRV, e Carlos Alves, presidente da Junta de Freguesia. Inicialmente, o Almoço dos Reis realizava-se no antigo Clube, exclusivamente dirigido aos homens da freguesia. Mais tarde, com os ventos de Abril, o convívio foi aberto às mulheres, como destacou Basílio Barrocas, e também às crianças, completou Carlos Alves.

"Só por isto, já vale a pena o CIRV existir", reconheceu o presidente da colectividade vilarmourense que se encontra num momento de viragem, porque "se não conseguirmos atrair jovens, estamos condenados", alertou Basílio Barrocas, em referência às eleições que vão decorrer no próximo mês e que ditarão os futuros dirigentes. Apelou aos sócios para que "se juntem, reúnam e façam um pequeno sacrifício", porque, insistiu, "temos de ser substituídos", alertou.

"A conta, já lha perdi", António Fiúza

Após as centenas de participantes neste almoço terem saboreado o pitéu confeccionado por cozinheiros afamados e capitaneados pelo sempre presente António Fiúza ("já lá vão mais de 30 anos…", disse-nos), servido à mesa por jovens vilarmourenses dedicados, como foi o caso de Maria Amélia Barros (filha de um dos cozinheiros, o José Maria Barros), esta contou-nos que "já participo p´ra aí há sete anos", sem esquecer o abnegado Grupo dos Reis que "percorre todas as casas, dando o que querem" - sendo arrecadados 1500€ investidos neste Almoço dos Reis -, conforme precisou Basílio Barrocas.

António Fiúza é figura essencial na confecção do sarrabulho (Basílio Barrocas reconheceu a sua "preparação trabalhosa" e apelidou-o de "mestre da culinária, tal como todos os outros"), mas já vai admitindo que necessita de quem o substitua porque "a reforma que tenho é pequena", respondeu-nos, rindo-se. Não sabe se será difícil que surja alguém para o seu lugar, mas…"vamos lá ver", disse-nos, esperançado na rendição do posto, atendendo a que "a malta nova já vai aparecendo, mas é sempre difícil metê-la ao serviço", apontando o caso de seu filho que "nos vem dando uma mão" na preparação das carnes e confecção do repasto.

150 quilos de fêveras

Assinala que a manutenção da tradição é que o move a colaborar neste dia de felicidade para os vilarmourenses. "As quantidades não variam muito, de uns anos para os outros", explicou. 150 quilos de fêveras, 30 de arroz e "muita coisa, mas pouca coisa de condimentos".

Apesar do esforço que a preparação do almoço representa, António Fiúza e os seus ajudantes de cozinha sentem-se desde logo recompensados pela manhã, pelas visitas que recebem na cozinha da antiga estufa, felicitando-os e auspiciando antecipadamente o êxito da confecção.

"Uma forma de conviver e de estar com as pessoas"

Maria Amélia Barros, uma jovem formada em engenharia química e investigadora na Faculdade de Engenharia do Porto, integra-se com entusiasmo neste grupo de vilarmourenses que serve às mesas, além de ser a primeira mulher presidente da Banda Musical Lanhelense.

Esta disponibilidade para servir a comunidade é digna de realce, sendo admitida pela própria como uma "forma de conviver e estar com as pessoas", além de pretender que a tradição se mantenha, embora isso dependa muito dos jovens: "não sei se eles querem, mas devia-se manter", atendendo a que "é uma coisa que dá trabalho, não é uma brincadeira".

Questionamos esta jovem engenheira sobre o desafio feito pelo presidente do CIRV para que surjam sócios (nomeadamente a juventude) disposta a pegar nas rédeas da associação a caminho dos 100 anos: "Isso já não sei", respondeu-nos, e no caso dela, seria impossível assumir tais funções, dado encontrar-se já na direcção da Filarmónica Lanhelense. Quanto aos demais jovens, bem gostaria que abraçassem estas causas.

No conjunto dos discursos da praxe no final da refeição, Basílio Barrocas agradeceu à Câmara Municipal a limpeza e a poda de árvores que efectuou no espaço externo do edifício do CIRV, e, em particular, o início da instalação do parque infantil junto às instalações da colectividade vilarmourense, objecto de aprovação no Orçamento Participativo de 2017.

"É bonito vê-las aqui"

Carlos Alves, presidente da autarquia de Vilar de Mouros, elogiou as "mudanças" operadas nos costumes deste Almoço os Reis, nomeadamente a introdução do elemento feminino e das crianças neste convívio, reconhecendo "ser bonito vê-las aqui", e aproveitou para recordar os que "contribuíram para isto", quer ao longo dos tempos, quer os actuais dinamizadores desta tradição, designadamente os que integraram o Grupo dos Reis deste ano.

Este autarca destacou a presença de Miguel Alves neste encontro e enfatizou as obras que têm sido realizadas em Vilar de Mouros, nomeadamente com a rede de saneamento, repavimentações, fibra óptica, parque infantil e, em particular, o ressurgimento do Festival.

"É a chama do associativismo"

Encerrando as intervenções, Miguel Alves, presidente do Município, agradeceu a todos quantos tornaram possível este "momento comunitário" ao longo de décadas, e saudou o Grupo dos Reis e "todos os que lhes abrem a suas casas".

Não olvidou a colaboração da Junta ("apesar de sermos de partidos diferentes", assinalou) e Assembleia de Freguesia, pelo que têm contribuído para o progresso de Vilar de Mouros, e precisou que "aqui não há muros", levando-o a dizer ainda que "valorizo muito este momento".

Pelo que a Câmara tem feito por Vilar de Mouros, Miguel Alves assegurou que "venho aqui com a consciência tranquila", citando os melhoramentos conseguidos, assinalando os casos da praia fluvial das Azenhas e a Bandeira Azul conquistada, a classificação das figuras rupestres e a reabilitação do Festival que "muitos não gostaram que se fizesse", acentuou.

No final, subiram igualmente ao palco os Diabretes e o Grupo das Reizadas.



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